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Um turista brasileiro de 17 anos foi denunciado por ter gravado as iniciais de seu nome em uma parede interna do Coliseu de Roma, nesta segunda-feira (16).

O adolescente foi flagrado por policiais e responderá em liberdade por "dano agravado" ao patrimônio público. Ele tentara gravar suas iniciais no monumento mais visitado da Itália com uma pedra.

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Também chamado de "Anfiteatro Flavio", o Coliseu começou a ser erguido sob o império de Vespasiano, em 72 d.C., mas foi concluído apenas oito anos depois, quando Roma era comandada por Tito.

A arena era usada para combates de gladiadores e espetáculos públicos, e estima-se que sua capacidade original era de 50 mil a 80 mil pessoas.

Da Ansa

Após uma conversa com uma professora da faculdade, Sauanne Bispo viu no intercâmbio uma possibilidade de novas experiências e empreendedorismo. A jovem decidiu trabalhar nos Estados Unidos durante as férias e não parou mais.

Trabalhando em diversas funções em diferentes países, a jovem passou por 26 nações. Durante estágio na Aficare, ONG que promove o desenvolvimento de países africanos da América do Norte, ela teve a ideia de uma agência de intercâmbio.

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A partir das suas experiências, Sauanne Bispo criou a GO Diáspora, cujo objetivo é levar os estudantes para além do eixo América do Norte-Europa e promover a vivência em países africanos e da Diáspora.

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Estudantes brasileiros estão trazendo para o país uma medalha de ouro e quatro de bronze, conquistadas na Olimpíada Internacional de Matemática (IMO, do nome em inglês), realizada em ClujNapoca, Romênia.

A medalha de ouro foi obtida por Pedro Lucas Lanaro Sponchiado, de 17 anos, de São Paulo, classificado na 12ª posição geral no certame, que contou com a participação de 594 mil estudantes e mais de 107 equipes de todo o mundo. Os seis representantes do Brasil foram escolhidos depois de quatro provas seletivas realizadas entre os premiados da fase nacional da 39ª Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM).

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As medalhas de bronze foram conquistadas pelos estudantes Bruno Brasil Meinhart, de 17 anos, e Pedro Gomes Cabral, de 15 anos, ambos de Fortaleza (CE); e Bernardo Peruzzo Trevizan, de 16 anos, e André Yuji Hisatsuga, de 18 anos, de São Paulo (SP). Lucas Hiroshi Hanke Harada, de 17 anos, também de São Paulo, ficou com a menção honrosa.

A equipe foi liderada pelos professores Régis Prado Barbosa (São Paulo) e Armando Barbosa Filho (Fortaleza) e ficou na 28ª posição no quadro geral da competição. O resultado superou o do ano anterior, quando o Brasil alcançou a 37ª colocação, com duas medalhas de prata, uma de bronze e duas menções honrosas. Em 2017, a IMO foi disputada no Rio de Janeiro.

Coroação

“A conquista vem coroar um trabalho que está sendo realizado há vários anos de preparação dos representantes brasileiros na olimpíada internacional”, avalia Claudio Landim, diretor adjunto do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), entidade que coordena as olimpíadas nacionais de matemática.

A IMO é a mais antiga e prestigiada olimpíada científica para estudantes do ensino médio. Foi criada em 1959 e conta com a participação do Brasil desde 1979.

A primeira medalha de ouro obtida pelo Brasil na disputa foi nos anos de 1980. Ao longo dos últimos 39 anos, as equipes brasileiras conquistaram 130 medalhas, sendo 10 de ouro, 43 de prata e 77 de bronze, além de 32 menções honrosas.

Participação feminina

Claudio Landim, que também é coordenador-geral da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), afirmou que a participação feminina tanto na Olimpíada Brasileira de Matemática, como no certame internacional ainda é reduzida.

“Na OBMEP, por exemplo, se nota uma diminuição do número de alunas premiadas ao longo dos anos. Isso significa que, no sexto ano do ensino fundamental, a porcentagem de alunas que recebem medalhas fica entre 30% e 40%. Mas já no terceiro ano do ensino médio, essa proporção cai para 10%”, diz.  Segundo ele, esse é um fenômeno que precisa ser compreendido para que se possa explicar o porquê dessa diminuição do número de alunas premiadas.

Para estimular a participação de meninas, no ano passado o instituto contribuiu enviando uma equipe para participar, na Europa, da primeira olimpíada de matemática exclusiva para estudantes do sexo feminino. “E, aliás, o time brasileiro foi muito bem nesse ano”. Landim observou que são poucas as meninas que escolhem áreas de engenharias ou ciências exatas, mas o número vem aumentando.

A partir de agora, o IMPA vai se dedicar à preparação da próxima OBMEP, que acontece em setembro e classifica para a OBM. Essa competição seleciona então as equipes que vão representar o Brasil nas olimpíadas internacionais. Em 2019, a IMO será na Inglaterra e, em 2020, na Rússia.

Para Kayo Rodrigues, é difícil dizer que a imprensa brasileira é perfeita, mas ele a considera crucial na luta contra as notícias falsas "porque nem todo mundo tem internet ou ferramentas para checar as fontes".

Kayo não é jornalista, tem 14 anos e estuda análise de mídia em seu colégio.

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Kayo integra o projeto "Imprensa Jovem", iniciado há seis anos na escola pública CEU-Casa Blanca, na periferia de São Paulo.

No Brasil, a "Educação midiática" passou a fazer parte do currículo escolar, junto com outras matérias tradicionais como matemática e história, mas ainda não foi implementada em todo território nacional.

Com o tema das notícias falsas em voga, o assunto ganhou espaço nos programas de educação básica e alguns estabelecimentos de ensino se anteciparam a essa tendência.

"É preciso de ensinar para os alunos como diferenciar notícias falsas, agora é obrigatório porque o país decidiu que era importante (...) Com a proliferação das redes sociais, isso cria uma situação de urgência", explica Leandro Beguoci, diretor editorial da associação brasileira Nova Escola, especializada em educação.

Em sua aula semanal no CEU-Casa Blanca, os professores Lucilene Varandas e Hildenor Gomes dos Santos ensinam seus alunos - de 8 a 14 anos -, a linguagem de cada gênero jornalístico e a não dar crédito a tudo o que veem ou leem.

"Quando recebo alguma notícia, pesquiso na internet, fico pensando: será que é verdade ou não?", conta Helena Vital, de 11 anos. Filha de professores não assíduos espectadores de noticiários, ela conta que o programa a ensinou a ver a mídia com outra perspectiva.

"Agora sei que nem tudo está tão mal assim, que o país não vai desabar de uma vez só", conta Helena, avaliando que consumir notícias sem questioná-las, de forma automática, "deixa as pessoas muito tristes" e que "há muitas coisas negativas que não são verdade".

Os meninos ainda não têm ferramentas para uma comprovação de dados sistemática, mas "verificam os textos, quem escreve, quem poderia ter interesse na publicação e onde são publicados, tudo como detalhes para questionar as notícias", explica a professora Varandas, que pensa em possíveis associações com agências especializadas em 'fact-checking' para ampliar a formação.

"Só é preciso um clique para compartilhar notícias falsas. O projeto tem me ensinado a repensar meus cliques", diz Kayo, filho de um vendedor e uma manicure que todas as noites se reúnem para assistir à TV.

Os alunos do projeto analisaram, inclusive, as informações divulgadas na imprensa local sobre seu trabalho e, como protagonistas da história, encontraram imprecisões. A AFP foi advertida de que esta reportagem também passará pelo crivo da "Imprensa Jovem".

- "Alfabetização midiática" -

Com dimensão continental e 207,7 milhões de habitantes, o Brasil tem presença maciça nas redes sociais (120 milhões de usuários no Whatsapp, mais de 100 milhões no Facebook e outros 50 milhões no Instagram).

"As crianças no passado só se informavam pelos pais, mas agora o que a gente sabe é que as crianças se informam por canais diversos, o que também muda o papel da escola (...) O Brasil tem aí uma coisa muito interessante, que é assumir isso, que a alfabetização midiática e tecnológica são quase tão importantes quanto a alfabetização clássica", destaca Leandro Beguoci, da Nova Escola.

Jornalista de formação, Beguoci afirma que a análise de notícias não é uma carga adicional na educação básica e que oferece "um contexto que pode funcionar para melhorar o aprendizado".

"São coisas que estão no mundo no aluno", destaca.

"A tecnologia veio para facilitar a comunicação mas estamos chegando no momento de duvidar de tudo o que é posto. Eles, que são nativos digitais, têm a responsabilidade de analisar esses conteúdos antes de reproduzi-los", diz Verônica Martins Cannatá, coordenadora-assistente de Tecnologia Educacional Comunicações do colégio particular Dante Alighieri, em São Paulo.

A instituição trabalha com análise de mídia há onze anos e também está levando o combate às notícias falsas para as salas de aula. Ela observa nos alunos "uma ingenuidade no começo", mas "eles começam a ter um olhar mais crítico e eles não consomem notícias do mesmo jeito".

Assim como Kayo, Helena, do CEU-Casa Blanca, aprendeu a questionar, inclusive a grande mídia.

"Às vezes há falhas na credibilidade [da imprensa]", diz. Apesar das práticas no "Imprensa Jovem", seu interesse não é profissional, mas cívico. Perguntada se quer ser jornalista quando crescer, a pequena sorri, antes de responder: "Prefiro natação!".

A média de horas-aula diárias de alunos da rede privada e pública no país são coletadas, anualmente, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), através do Censo Escolar. Em 2017, a relação entre as médias apresentaram o resultado de que estudantes da rede privada, em todos os anos de ensino, passam mais tempo na escola.

Os número detalham a média de 4,9 horas no Ensino Médio; de 4,6 horas no Ensino Fundamental; e de 6 horas na Educação Infantil na rede pública de ensino. Já na rede particular, a média é um pouco maior, sendo: 5,5 horas no Ensino Médio; 4,6 no Fundamental e 6,2 no Infantil.

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O resultado faz parte do conjunto de dados listados na seção  “Média de horas-aula diária”, extraída do Censo Escolar 2017, que avalia o tempo médio de permanência do aluno na escola em diferentes etapas de ensino e por níveis de agregação (escolas, municípios, regiões, entre outros). Esse é um dos oitos indicadores educacionais divulgados pelo INEP, no início de julho. Todos os dados estão disponíveis para consulta no site do Instituto.

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Estudantes da Escola de Referência em Ensino Médio Professor Benedito Cunha Melo, localizada em Jaboatão dos Guararapes, município da Região Metropolitana do Recife, exigem a volta de duas profissionais à instituição. De acordo com o grupo, o afastamento das educadoras - cujas identidades não serão reveladas - foi por preconceito e estaria ligado à apresentação de um projeto pedagógico que discute a Cultura Africana e Afro-Brasileira. 

Segundo o texto publicado no Facebook de um dos alunos da escola, as profissionais, uma professora e uma coordenadora, foram desligadas na última sexta-feira (6) e não houve explicações sobre os reais motivos. "Elas sempre desenvolveram projetos importantes para nós (alunos). Creio que isso incomodou a gestão da escola e houve o afastamento", disse o estudante que terá a identidade preservada.

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Segundo outro aluno, a apresentação de projetos de incentivo ao desenvolvimento intelectual e cultural era encabeçada pela coordenadora e professora. "Foram vários projetos. O último foi ligado à cultura afro. Uma bailarina mostrou danças com tema de matrizes africanas e dança dos orixás", disse o aluno. A ação foi realizada no último dia 19 de junho, no pátio da escola.

"A gente acredita que foi um choque de ideias. O gestor da escola é crente. Tanto que depois da apresentação da bailarina e capoeiristas, houve uma apresentação musical com canções gospel no pátio", conclui o aluno; sua identidade será preservada.

Procuradas pelo LeiaJá, as profissionais da educação decidiram não dar entrevista antes de entrar em contato com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe). O grupo sindical, até o fechamento desta matéria, não recebeu nenhuma informação sobre o caso, mas garantiu que irá apurar as denúncias. Uma das educadoras ainda alegou que está sendo coagida, mas não quis revelar quem seria a pessoa.

O LeiaJá também entrou em contato a direção da escola, mas a gestão preferiu não conceder entrevista. No entanto, informou que todas as informações referentes ao afastamento das profissionais devem ser esclarecidas pela Secretaria de Educação de Pernambuco.

Um protesto está sendo organizado a favor da volta das profissionais à escola e deverá ser realizado no dia 25 de julho. Alunos defendem a importância da presença das profissionais entre eles. Em nota enviada ao LeiaJá, a Secretaria de Educação se posicionou sobre o assunto:

A Secretaria de Educação do Estado (SEE) informa que a educadora de apoio da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Professor Benedito Cunha Melo, em Jaboatão dos Guararapes, foi devolvida à Gerência Regional de Educação (GRE) Metropolitana Sul por motivos administrativos. Já a professora continua na unidade de ensino.

A pasta reitera também o compromisso de cumprimento à Lei 10.639/03 por meio da sua Gerência de Educação Inclusiva e Direitos Humanos, responsável por ministrar oficinas e formações periodicamente para professores, gestores e educadores de apoio sobre a temática africana, que são aplicadas em todas as escolas da Rede em formato de atividades pedagógicas como aulas, projetos, feiras de conhecimento, mostras culturais, seminários, entre outros.

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A jovem Malala Yousafzai, nobel da Paz que sobreviveu a um atentado por defender a educação das meninas do Paquistão, discursou nesta segunda-feira em São Paulo sobre a importância da educação para o empoderamento feminino.

"Educação é mais do que aprendizagem e leitura. É emancipação", ressaltou Malala, de 20 anos, convidada pelo Itaú Unibanco, ao iniciar sua intervenção no auditório do parque Ibirapuera.

"A educação é o melhor investimento sustentável a longo prazo", acrescentou, lamentando que pelo menos 1,5 milhão de meninas brasileiras estão fora do sistema escolar.

Malala dividiu o palco com várias mulheres vinculadas à área de educação, entre elas Tabata Amaral, a estudante da periferia de São Paulo que aos 18 anos conseguiu que seis das principais universidades americanas lhe abrissem as portas, escolhendo uma bolsa de Harvard para estudar Ciências Sociais e Astrofísica.

Ana Lucia Villela, presidente do Instituto Alana de proteção da infância, ressaltou que o Brasil sofre com indicadores difíceis em matéria educativa.

"O país precisará de 260 anos para atingir o nível de competência de leitura e escritura de alunos de países desenvolvidos", apontou.

De forma mais explícita, Villela acrescentou que "92,7% dos jovens que concluem a educação média no Brasil não sabem o que quer dizer 92,7%".

Malala Yousafzai tinha 15 anos quando um talibã deu um tiro em sua cabeça em um ônibus que a levava para a escola no vale de Swat, no Paquistão.

Ela foi levada a um hospital da cidade inglesa de Birmingham, onde passou a morar com sua família, a estudar e a dar continuidade a seu ativismo.

A jovem ganhou o Nobel em 2014, junto com o indiano Kailash Satyarthi, por seu combate contra a exploração de crianças e adolescentes e pelo direito de todos à educação.

O Brasil gasta anualmente em educação pública cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país). Esse valor é superior à média dos países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 5,5%. No entanto, o país está nas últimas posições em avaliações internacionais de desempenho escolar, ainda que haja casos de sucesso nas esferas estadual e municipal. A avaliação é do relatório Aspectos Fiscais da Educação no Brasil, divulgado hoje (6) pela Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério da Fazenda.

Segundo o relatório, o gasto brasileiro também supera países como a Argentina (5,3%), Colômbia (4,7%), o Chile (4,8%), México (5,3%) e os Estados Unidos (5,4%). “Cerca de 80% dos países, incluindo vários países desenvolvidos, gastam menos que o Brasil em educação relativamente ao PIB”.

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O relatório também mostra que como proporção das receitas da União, a despesa federal em educação quase dobrou sua participação, passando de 4,7% para 8,3% no período 2008 a 2017. Em proporção do PIB, a expansão passou de 1,1% para 1,8%. A despesa com educação apresentou crescimento acumulado real de 91% no período de 2008 a 2017, 7,4% ao ano, em média, enquanto a receita da União cresceu 6,7% em termos reais, descontada a inflação, 0,7% ao ano, em média.

Na principal avaliação internacional de desempenho escolar, o Pisa (Programme for International Student Assessment), o Brasil está nas últimas posições. Dos 70 países avaliados em 2015, o Brasil ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática.

O problema no Brasil, de acordo com o relatório, não está no volume dos gastos, mas na necessidade de aprimoramento de políticas e processos educacionais. “Apesar da forte pressão social para a elevação do gasto na área de educação, existem evidências de que a atual baixa qualidade não se deve à insuficiência de recursos. Tal observação não é específica ao Brasil, tendo em vista que já é estabelecida na literatura sobre o tema a visão de que políticas baseadas apenas na ampliação de insumos educacionais são, em geral, ineficazes”, diz o estudo.

Caso de sucesso

O estudo destaca ainda que mesmo no Brasil existem casos de sucesso, como o do Ceará, que obteve em 2015 o quinto melhor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nos anos iniciais do ensino fundamental, mesmo com um gasto inferior à média da própria Região Nordeste e à média nacional.

Em 2017, o Ceará aplicou R$ 3.589,95 por aluno na educação básica, ao passo que os demais estados da Região Nordeste aplicaram, em média, R$ 3.764,84. “Não obstante, o Ceará alcançou um Ideb de 5,7, enquanto a média dos demais estados da região foi de 4,4. Ressalta-se ainda que, em 2005, o desempenho do Ceará era de apenas 2,8, que o colocava somente na 18ª posição entre 27 estados”, diz o relatório.

“O desempenho do Ceará é ainda mais ilustrativo se comparado a um outro extremo, o Distrito Federal, que, mesmo com uma aplicação de recursos 134% maior ao primeiro, obteve um Ideb de 5,6, ligeiramente inferior ao do Ceará”, acrescentou.

Além disso, diz o estudo, o melhor Ideb municipal do Brasil, em 2015, foi o do município cearense de Sobral, que alcançou a nota média de 8,8 na rede pública, com uma despesa de R$ 3.091,38, a qual é inferior à média do próprio estado do Ceará e bastante inferior à média nacional de R$ 5.005,83.

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Em julho de 2012, publiquei numa coluna um artigo intitulado “Medicina na Maurício de Nassau”. Falei da importância da abertura do novo curso, que ia ao encontro das necessidades da população brasileira, carente de médicos, bem como de um imenso contingente de jovens que sonhavam em estudar medicina, mas sobravam nos vestibulares por conta de uma concorrência brutal. Falei também do seu papel no contexto da consolidação do polo médico do Recife, onde profissionais pós-graduados, estudiosos, com excelente potencial acadêmico, ansiavam por ingressar na carreira docente, mas faltavam espaços para tal. Finalizei o artigo dizendo que iria aceitar o desafio de dirigir e dar a personalidade dessa nova faculdade.

Seis anos depois, no dia dois de julho deste ano, teve lugar no Teatro Guararapes uma bela cerimônia de colação dos primeiros 91 médicos graduados pela Uninassau. Com muito orgulho e sensação de missão cumprida, tive o privilégio de ser o paraninfo da turma. No discurso, falei na confiança que tinha no desempenho profissional e ético daqueles novos médicos, formados numa faculdade que tem um projeto pedagógico moderno, uma excelente estrutura física, um corpo docente constituído quase exclusivamente de mestres e doutores de notório saber e uma grande rede de hospitais conveniados como campo de prática.

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Ao final da minha fala, comentei que, durante anos, as entidades de classe (CFM, AMB , Conselhos Regionais e Sindicatos) prestaram um grande desserviço à população, dificultando a abertura de novos cursos de medicina. Por consequência, no início da década de 2010, veio a previsível crise de falta de médicos. Para contorná-la, o governo criou o “Programa Mais Médicos”. Todavia, nós não estávamos precisando do “Mais Médicos”. Estávamos precisando de mais médicos. O “Programa Mais Médicos”, aliás, está entre as piores das nossas malditas jabuticabas. O Brasil é a única nação civilizada do planeta onde um profissional de saúde formado em outro país recebe o direito de exercer medicina sem ter que ser aprovado em provas de revalidação do diploma. As entidades médicas, que, por mero corporativismo

mesquinho, falta de patriotismo e compromisso com a sua gente, foram contra a abertura de novos cursos, agora, sem condições morais, tiveram que baixar a cabeça e registrar como médicos profissionais sem revalidação do diploma, muitos deles despreparados para exercer medicina no Brasil.

Parabéns aos novos médicos formados pela Uninassau, com a certeza de que estão preparados para cuidar da nossa gente, com ética, competência e compromisso social.

Cláudio Lacerda – cmlacerda1@hotmail.com
Cirurgião e Professor.

Uma escola onde alunos aprendem Português e Matemática, mas também fazem clonagem de plantas e até extração de DNA. Pode parecer complexo, mas essas atividades já são rotina em colégios particulares de São Paulo. Nessas escolas, os adolescentes pesquisam e aplicam técnicas ligadas a uma área que passou da ficção para a realidade: a biotecnologia.

Segundo professores, além do contato com um assunto promissor, os estudantes ganham experiência em investigação científica e veem na prática conceitos abstratos de Física, Química e Matemática. Nos laboratórios, os alunos põem a mão na massa e usam equipamentos como microscópios e centrífugas. Também voltam à sala para debater temas ligados à bioética.

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No Colégio Dante Alighieri, na região central, as atividades de biotecnologia se transformaram em disciplina eletiva este ano no ensino médio. "Os alunos se interessaram muito. Temos seis projetos grandes em andamento", diz a professora Nilce de Angelo. Em um deles, alunos levam a parques da cidade, como o Ibirapuera, na zona sul, plantas clonadas na escola.

Em outro, mandaram sementes de um tomateiro para a estratosfera em balões. "Lá, elas sofrem variação de radiação, pressão e temperatura. Depois, em laboratório, são cultivadas in vitro para que a gente possa entender como essas variáveis influenciam no desenvolvimento", explica a professora.

Leonardo Garcia, de 16 anos, trabalha com clones de orquídeas. No laboratório do Dante, ele e um colega analisam o crescimento dos vegetais, submetidos a frequências sonoras. "Mas não é algo genérico, como o efeito de música nas plantas", avisa. A ideia do experimento é saber se a "música" é capaz de dar um empurrãozinho no desenvolvimento - o que já é estudado por cientistas.

Ele precisou usar o que aprendeu em Física para o experimento e se debruçar sobre trabalhos de mestrado e doutorado ligados ao tema. "Uma das maiores criticas à escola é como usar o que aprendemos na vida", diz ele, que já apresentou o teste a professores do colégio e de fora. O Dante também tem atividades relacionadas a biotecnologia no ensino fundamental.

Novidades

De olho nas vantagens desse tipo de formação, outras escolas investem na área. Pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Luciana Vasques criou, em 2017, uma empresa, a Molecolare, para dar oficinas de biotecnologia a alunos de ensino médio. As atividades já começaram no Colégio Rainha da Paz, na zona oeste, para alunos do contraturno, e no próximo semestre deverão ter início no Colégio Humboldt, na zona sul. As aulas abordam assuntos como organismos transgênicos e terapia gênica - e, sempre que possível, os temas são entrelaçados com atividades práticas.

"Fazemos extração de DNA (coletado de células como as da bochecha dos alunos) e eletroforese, que é a visualização do material genético. Fazemos também a técnica de PCR, usada para testes de diagnósticos", diz Luciana. Segundo ela, discussões sobre transgênicos estão entre as que mais interessam a turma.

"No fim, eles vão saber de maneira mais clara como é possível transferir um gene de um organismo para outro e discutimos ainda questões éticas envolvidas." Ela explica que temas ainda mais recentes como a técnica do Crispr - tesoura molecular que permite edições genéticas, uma revolução na área - entram nas discussões.

Professores também participam de workshops na Molecolare. Aos 51 anos, Ana Paula Machado, docente de Biologia no Colégio Lourenço Castanho e na See-Saw, conta que não viu, na faculdade, temas de biotecnologia hoje na boca dos alunos. "É algo atual e fundamental para os alunos, mas os livros didáticos não acompanham", diz ela, que já fez três cursos.

Limitações

Para Lucianne Aguiar, professora do Colégio Bandeirantes - outro que tem atividades de biotecnologia -, os experimentos ainda esbarram em limitações. Kits de testes em laboratório não são baratos e o País tem pouca tradição em tratar o tema em classe. Mas há como driblar. "Há práticas relativamente baratas. Para trabalhar história da biotecnologia, falamos de fermentação e usamos alimentos fáceis de achar."

Debates éticos

Os debates sobre bioética estão entre as atividades preferidas dos alunos de Biotecnologia do Colégio Bandeirantes, na zona sul de São Paulo. Lá, o tema também se transformou em disciplina eletiva no ensino médio este ano. E o resultado é que mais de 200 alunos se inscreveram.

"Está crescendo o número de interessados, curiosos. Querem saber o que fazer na faculdade para trabalhar com isso", diz Lucianne Aguiar, professora de Biotecnologia. As aulas são mescladas entre a parte teórica e a prática. Fora dos laboratórios, o incentivo é para que os alunos debatam os temas. "Tentamos colocar o aluno como protagonista, que vai atrás do conteúdo. E sempre trabalhamos em grupos."

O método funciona como um júri simulado. "Entregaram um caso (fictício) sobre bioética e tínhamos 15 minutos para preparar. Era uma família que, pela religião, não vacinaria os filhos e a escola pública não aceitava essas crianças porque não tinham tomado a vacina. Um grupo defendia a escola; outro, a família; e outro era o dos jurados", conta Luiza Nazima, de 16 anos.

Isso ajuda, segundo ela, na capacidade de argumentar. "Acho que isso acontece no mercado de trabalho. Não necessariamente você se depara com algo em que concorda 100%, mas tem de achar argumento para sustentar aquela ideia", afirma. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Depois de ser aprovada pela Câmara de Vereadores de Campina Grande, na Paraíba, o projeto de lei que veta a inclusão de disciplinas que tratem das “práticas de ensino da ideologia de gênero” nas escolas da cidade foi sancionada, nesta terça-feira (3), pelo prefeito Romero Rodrigues.

O projeto é de autoria do vereador Pimentel Filho (PMDB) e foi aprovada unanimemente, no último dia 19, durante sessão, por 16 parlamentares que estavam presentes na Câmara Municipal do município. Ao total, são 23 vereadores em Campina Grande.

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Em entrevista ao Jornal da Paraíba, o prefeito declara que sancionou o projeto "em respeito aos princípios cristãos e depois da manifestação da própria Câmara com a qual a gente tem procurado trabalhar com diálogo, atenção devida. Que Deus nos abençoe".

O Comitê Estadual em Defesa da Educação Pública do Estado e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção de Campina Grande vão recorrer à Justiça solicitando o revogamento da decisão, logo após a publicação do texto no Semanário do Município.

O filho do ex-governador Eduardo Campos, João Campos, comemorou um dado positivo para Pernambuco: pelo terceiro ano, o estado alcançou a média de 4,5 no índice de Desenvolvimento da Educação Básica de Pernambuco (Idepe), ultrapassando a média brasileira, que é 3,5. João exaltou o trabalho do seu pai. “Há 10 anos, quando Eduardo Campos assumiu o governo pelo PSB, começamos a avançar na educação. Saímos da 21ª posição no ranking dos 27 estados para a 1ª”, disse em uma publicação no Instagram. 

João Campos também não deixou de elogiar o governador Paulo Câmara (PSB) afirmando que o resultado também é consequência da “liderança” do pessebista. “Quero dar os parabéns a todos que contribuíram para o Pacto pela Educação: professores, gestores, alunos e pais de alunos, além do secretário de Educação, Fred Amâncio (...) tudo isso é fruto de uma parceria forte com o governo e que em contando com a liderança do governador”, destacou. 

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O governador já tinha falado sobre o assunto. Segundo ele, o resultado positivo é “fruto de investimento, estratégia e, principalmente, do comprometimento da comunidade escolar”. Câmara ainda disse que na crise é necessário priorizar o que é mais importante na vida dos pernambucanos. “Por isso, estamos investindo nas áreas essenciais a exemplo da educação. Assim, mostramos ao Brasil que podemos fazer a diferença com foco e determinação”.

 

A escolha de uma escola é um processo que requer pesquisas, visitas as instituições e conversas com a equipe gestora. Vários fatores são levados em consideração para a realização da matrícula, entre eles a pedagogia adotada pela unidade, estrutura e qualidade do ensino. No entanto, nem sempre a escolha atende as expectativas dos pais ou responsáveis e alunos. 

Na tentativa de sanar a frustração, muitos pais optam pela mudança de escola. Porém, nem sempre é possível perceber os sinais para a realização dessa transição. A especialista em psicopedagogia Raquel Lacerda Queiroz, em entrevista ao LeiaJá, diz que os pais devem zelar pelo bem-estar físico e psicológico da criança no ambiente escolar. "As questões físicas e emocionais estão muito ligadas à aprendizagem. Então, se a criança não está bem naquela escola, por diversos motivos que seja, é necessário ter o diálogo com a escola para que exista a troca de percepções e que a troca seja uma decisão amadurecida", explica.

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Além disso, Raquel aponta alguns sinais de que está na hora de ir em busca de uma outra instituição de ensino. "Mesmo que a criança não fale, você percebe a mudança de comportamento. Por exemplo, se ela está mais isolada, mais calada, agressiva. Ou seja, comportamentos que fogem da rotina da criança", ressalta. Diante da insatisfação com o ensino, problemas de adaptação ou bullying, a especialista pondera e defende que haja o diálogo entre gestão e responsáveis.

“Tudo precisa ser avaliado, de forma muito cuidadosa, junto com a escola, família e estudante. Se é algo que vem acontecendo na instituição e causa muito sofrimento para a criança, realmente ela precisa sair desse espaço. Nesses casos, não é necessário aguardar até o final do ano letivo. No entanto, tratando-se de estudantes que alegam não gostar da escola, ou seja, nada urgente, a gente avalia a possibilidade dele findar o ano letivo para que ela faça a transição de forma mais organizada”, diz.

Raquel Lacerda enfatiza que é necessário planejamento e clareza na mudança. O diálogo com o estudante também é crucial, principalmente em casos que envolva questões financeiras. "É importante que sempre haja verdade e de forma cuidadosa. Durante a nova escola, é importante que o estudante vá, frenquente os novos ambientes para chegar a uma decisão em conjunto. Ter esse cuidado diminui as chances de uma resistência a mudança", recomenda. 

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Valiosos mestres, responsáveis por nos guiar da nostalgia escolar aos braços da universidade. Com horas de trabalho quase que intermináveis, extraem o melhor dos livros e compartilham conosco todo o aprendizado na esperança de que sejamos grandes profissionais e integrantes de uma sociedade menos desigual e com mais educação. Na empreitada de quem teve a oportunidade de estudar desde o ensino básico ao ensino superior, eles sempre serão primordiais. Salve os professores! No entanto, os salvem também de tantos problemas.

Nesta sexta-feira (28), o LeiaJa.com publica a série de reportagens “Profissão professor: desafios dos educadores brasileiros”, que mostra em detalhes os desafios, virtudes e problemas de uma das categorias mais importantes para a formação educacional e social dos brasileiros. Mesmo tão importantes para as escolas e universidades, os docentes ainda amargam dificuldades em um país que sofre com uma educação ferida, mas que ainda é, sem rodeios, a principal ferramenta de ascensão social.

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Baixos salários que resultam em jovens cada vez mais distantes da formação docente no ensino superior. Educadores marcados por uma remuneração que, em muitos momentos, não chega nem perto do seu real valor profissional. Violência, falta de estrutura principalmente nas escolas públicas. Escassos investimentos nas universidades. É longa a lista de problemas que marcam os professores brasileiros.

Problemas esses, no entanto, que não ofuscam o brilho de muitos mestres. Seja no empreendedorismo, no esforço dobrado da docência e pesquisa, ou na missão honrosa de quem abre mão de dinheiro por uma sociedade mais justa graças à educação, professores do Brasil inteiro superam as mazelas com muito raça para levar o melhor do aprendizado aos seus alunos.

Na nossa série “Profissão professor: desafios dos educadores brasileiros”, sete reportagens multimídia abordam a rotina de docentes brasileiros e suas relações com os estudantes. Apesar de não ser valorizada como verdadeiramente merecia, a carreira docente ainda representa uma ponte firme e forte entre a escola e a tão sonhada chegada à universidade. O LeiaJa.com convida os nossos leitores a analisarem o universo profissional dos professores do Brasil e compreenderem de que forma é possível reverter um quadro ainda muito distante do ideal. Confira, a seguir, um resumo das matérias e os links que direcionam para os textos multimídia na íntegra: 

Primeira reportagem: Baixa procura por licenciaturas exige sérias medidas –Diante de um cenário repleto de problemas como baixos salários e desvalorização profissional, os cursos de licenciatura sentem, cada vez mais, a baixa procura dos estudantes brasileiros. Nas universidades, os poucos jovens que resolvem iniciar uma graduação para ser professores acabam desistindo da carreira. Especialistas chegam a cogitar que há o risco de colapso de educadores no futuro. Acompanhe os detalhes da problemática na reportagem, assim como ações que podem mudar esse panorama.

Segunda reportagem: Remuneração adequada do professor ainda é desafio diário – É praticamente unanimidade. Nos protestos dos professores realizados Brasil afora, a pauta salarial sempre tem força, guiando as reclamações da categoria e travando as negociações com os gestores nos âmbitos municipais, estudais e federais. O problema, inclusive, tem relação direta com os investimentos que o Brasil faz em educação. Investimentos esses muito aquém dos aplicados nos países desenvolvidos. Confira os detalhes na reportagem. 

Terceira reportagem: Professores por vocação – Mais que voluntários, realizadores de sonhos. As dificuldades salariais de muitos professores não encobrem a vontade de quem entende que a educação é fundamental o fim da desigualdade social no Brasil. Nesta reportagem, contamos histórias de professores que dedicam-se ao voluntariado na esperança de ver seus alunos, muitos deles pobres e à margem de uma educação igualitária, ostentando um diploma de nível superior. Um cursinho para pessoas transexuais. Um preparatório para jovens pobres. Duas inciativas que somam milhões de sonhos.  

Quarta reportagem: Professor empreendedor, entre a sala de aula e o negócio – Nesta matéria, mostramos com a visão empreendedora dos professores resultam em que a educação é a alma do negócio. Detalhamos o mercado de preparatórios para as principais universidades do Brasil, em que há docentes que, além de dedicarem suas horas de trabalho às salas de aulas, se lançam em meio às contas e funções administrativas para manterem seus empreendimentos de pé diante de um cenário cercado por concorrentes. No final de tudo, a aprovação no ensino superior vira sinônimo de lucro.

Quinta reportagem: Professores encaram desafios e cobrança no ensino superior - Além dos ambientes escolares e preparatórios para cursos superiores, o ambiente acadêmico é desafiador para os educadores brasileiros. Na universidade pública, a rotina da sala de aula divide espaço com o universo da pesquisa científica. As faculdades privadas também exigem docentes com experiência de sala, mas não abre mão das habilidades aprendidas no mercado de trabalho. Saiba mais na reportagem. 

Sexta reportagem: Aprendendo a ensinar a distância, o desafio do professor. O espaço físico de uma escola ou universidade não é mais o intocável local de aprendizado. O ensino a distância é mais que uma realidade no Brasil e, consequentemente, passou a exigir dos docentes uma nova forma de compartilhar conteúdo. A relação da tecnologia EAD com o mercado profissional dos professores você vê em detalhes nesta matéria. 

Sétima reportagem: Da escola à universidade: análises sobre o futuro docente – O que podemos esperar das novas formas de aprendizado? Como será a relação dos professores com as novas ferramentas tecnológicas? E o estudante universitário, de maneira vai encarar a graduação e o mercado de trabalho? As respostas para essas e outras perguntas integram as análises de especialistas em educação entrevistados nesta reportagem. Eles traçam as tendências que configuram o que deve ser o professor do futuro, tanto no âmbito universitário quanto no escolar.

Reforçamos o convite, caro leitor! Acompanhe a nossa série e compartilhe. Nossos professores não podem ser esquecidos. Não existe profissional sem o trabalho do professor. Boa leitura!

Expediente da série:

Reportagens: Nathan Santos; Eduarda Esteves e Marília Parente.

Edição de textos: Nathan Santos

Repórteres fotográficos: Chico Peixoto, Rafael Bandeira e Júlio Gomes. 

Edição de vídeos: Danilo Campello 

Artes e pós-produção: Raphael Sagatio 

Era véspera de uma prova importante. Para muitos jovens, contudo, bem mais do que uma grande avaliação educacional, o exame representava a ponte mais firme no caminho entre a escola e a universidade. Todos sonhavam com as notas que os credenciariam ao ensino superior, porém, tão grande quanto os sonhos era a concorrência. Requisitado desde o ensino fundamental para ajudar os amigos de classe com os “assuntos difíceis”, Celso Lucas Gomes da Silva carregou, até o ensino médio, o costume de compartilhar o que sabia com os amigos que apresentavam dúvidas. E nos dias que antecediam a tal prova - o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) -, o garoto não deixou de lado os companheiros de sala: prontificou-se a estudar junto com eles, afinal, ensinar era o seu dom, mérito que ostenta com orgulho.

Biologia e química eram as especialidades de Celso. Porém, suas notas nas demais disciplinas também os honraram como um estudante dedicado, apaixonado pelos livros e admirador dos seus mestres. Os professores os inspiravam. Eram, para Celso, motivos de orgulho. Ele preservou o que gostava de fazer, de forma espontânea, movido pela educação. Dias antes do Enem, em 2016, não hesitou em ensinar a um colega. “Um amigo tinha dificuldades em química, praticamente não teve a base da disciplina e queria cursar a graduação de bioquímica. Ou seja, Natureza tinha um peso grande. Por isso, revisei durante um mês todo o conteúdo com ele. Quando ele foi fazer o Enem, conseguiu acertar mais questões do que eu. Fiquei muito feliz, me marcou bastante, essa história me deu a certeza de que eu deveria ensinar”, relembra Celso com largo sorriso.

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A relação de Celso com a educação reservou novos capítulos para o jovem. E nas suas veias, corre o sangue de uma educadora. Professora, a mãe do rapaz era a responsável por uma sala de aula inclusiva, em uma escola da rede municipal de ensino de Olinda, na Região Metropolitana do Recife. Quando sua mãe enfrentou um problema de saúde, o jovem recebeu a missão de continuar as aulas e conhecer de perto a rotina de alunos diagnosticados com autismo, dislexia e Síndrome de Down. Durante seis meses, o aprendizado foi mútuo; Celso compreendeu o poder inclusivo da educação e reforçou seu desejo de compartilhar conhecimento. Ele sabia que deveria tornar-se professor. “Percebi que dar aulas não era algo irritante, sabe? Os alunos me perguntavam e eu tinha prazer em repetir até eles compreenderem. Enquanto eu dava aula, me sentia incrível. Me sentia um agente modificador que estava contribuindo para as pessoas”, descreve Celso.   

Momento importante, muitas vezes que determina o futuro profissional dos jovens brasileiros, o fim do ensino médio para Celso foi marcado por um embate. Apesar do dom de ensinar e do amor pelo trabalho de professor, comentários negativos a respeito da carreira docente, oriundos em várias ocasiões de parentes próximos, criaram barreiras para ele escolher de vez a licenciatura como formação. “Ouvia: ‘tão estudioso para ser professor’”, recorda. As críticas, no entanto, não surtiram efeito. Inspirado por uma professora de biologia, ele resistiu, sustentou a vontade de ensinar e ser, como o próprio Celso classifica, um agente transformador da sociedade. “Tinha uma professora no ensino médio chamada Patrícia que mostrou como dar aula a partir de práticas pedagógicas inovadoras. Fazia muitos trabalhos interativos com os alunos, todo semestre ela dava os assuntos de forma lúdica. Ela provava que ensino não pode ser engessado, apenas no quadro”, conta.

Celso foi aprovado no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) em 2016. No ano seguinte, iniciou sua vida educacional no ensino superior, na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Hoje, aos 19 anos, o jovem natural de um bairro periférico da cidade de Olinda e que sempre estudou em escolas públicas, faz o terceiro período de licenciatura em biologia. Continua fortalecendo seu desejo de chegar em uma sala de aula e disseminar educação entre seus alunos, com o discurso de que a figura do professor, apesar de tantos problemas, segue sendo fundamental para a sociedade brasileira. Ao recordar da aprovação no Sisu, que teoricamente deveria ser motivo de comemoração para toda a família e amigos, Celso revela mais uma crítica que ouviu de um parente: “Se você tivesse estudado mais teria passado em um curso melhor”. “Ele (o parente) sempre soube que eu queria ser professor, mas não aceitava, justamente pelo estereótipo de que professor não ganha bem e que não é valorizado”, relata Celso.

Celso no Campus Recife da UFRPE - Foto: Rafael Bandeira/LeiaJáImagens   

“Eu sei que ser professor no Brasil é terrível quando falamos das condições horríveis de trabalho, de desvalorização, de baixos salários. O Brasil ainda precariza muito o professor como profissional, enquanto em outros países é um trabalho muito mais valorizado. Até existem professores que não indicam aos seus próprios alunos de ensino médio a carreira de licenciatura, por causa de todos esses problemas. Mas, quando eu fui acompanhando as fases escolares, vi que gostava muito de ensinar, de ajudar os amigos. Sempre tive vontade de ajudar a sociedade, de fazer o bem para todo mundo, desde o fundamental até o ensino médio. E sempre reparei que professor tinha muito disso, de ajudar os estudantes”, finaliza o jovem Celso.

Agora, nos corredores da universidade, o jovem pernambucano busca retribuir toda inspiração que o fez escolher a docência. Celso faz do ensino superior uma valiosa oportunidade de enriquecer sua formação educacional e principalmente de fortalecer seu desejo de compartilhar saberes, não de maneira autoritária, mas disposto a receber de seus futuros alunos conhecimentos e vivências sociais. Para Celso, hoje a relação entre professor e aluno é uma troca. Segundo ele, não há mais espaço para que o docente seja o único dono da verdade. Celso diz, contudo, que apesar dessa troca, a figura do professor ainda precisa ser a de um mestre que contribuirá para todo o cidadão que almeja chegar à universidade e tornar-se um profissional qualificado. Por isso, o jovem repete, incansavelmente, que a educação carece de valorização, tanto do poder público quanto da própria população.

Celso é exceção. O desejo de tornar-se professor é cada vez mais escasso entre os jovens brasileiros. Diante de um cenário desmotivador, em que baixos salários, cargas excessivas de trabalho, violência nas salas de aula e falta de investimentos públicos assola a educação brasileira, poucos jovens almejam ingressar na carreira docente. Um recorte do Ministério da Educação (MEC) aponta que apenas 2% dos estudantes que saem do ensino médio escolhem a docência. 

Outro levantamento também expressa como a carreira de professor sofre com desistências. De acordo com um estudo do Movimento Todos pela Educação, que teve como base dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a cada 100 jovens que ingressam em licenciaturas ou cursos de pedagogia, somente 51 concluem as graduações. Além disso, o levantamento identificou que entre esses alunos que terminam os cursos, apenas 27 demonstram interesse em seguir na profissão de educador.

Nada promissores, os números sobre os cursos de licenciatura preocupam especialistas em educação e escancaram a necessidade de investimentos na carreira docente por parte do poder público. Enquanto não houver valorização da profissão, principalmente no quesito salarial, o quadro tenderá a ser crítico. Nos últimos anos, os índices decadentes reiteram que estudantes brasileiros estão evitando a formação docente na hora de se inscrever para as seleções de universidades públicas e privadas. De acordo com uma preocupante pesquisa do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), entre 2010 e 2016, a quantidade de alunos que entraram em cursos de licenciatura caiu 10%. O levantamento ainda aponta que só 39,5% dos formados em licenciatura continuaram trabalhando na área.  

Ainda sobre a queda na procura por licenciaturas, o MEC detalhou, a pedido do LeiaJa.com, os números das últimas edições de inscrições em formações de professor por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Assim como em outros levantamentos, o resultado não é positivo. Segundo balanço do Ministério da Educação, entre as edições 2015 e 2018 do Sisu, houve uma queda de quase 27% no quantitativo de inscritos em licenciaturas.

Como pesquisas apontam, começar um curso superior para ser professor não implica que o universitário continuará na graduação até o fim. Em outro levantamento a partir de um estudo do Inep realizado em 2015, o Movimento Todos pela Educação concluiu que nas licenciaturas, entre os que concluem as formações, um grande percentual de formados desiste da docência mesmo com o diploma na mão. Em biologia, química e física, por exemplo, os percentuais de desistência são 49,9%, 54,5% e 60%, respectivamente.

Apesar das dores da formação e dos empecilhos do mercado de trabalho docente, Berg Figueiredo, 30 anos, persistiu. Natural de Olinda, ele escolheu a carreira de professor, mas sente os efeitos de uma profissão que para render uma remuneração digna, exige uma carga horária extenuante. Berg prestou vestibular em 2006 e, no ano seguinte, entrou na universidade. “Rolou a química com a química”, brinca.

Já são dez anos na carreira de professor. Berg relembra que dos 40 alunos que ingressaram na sua turma de licenciatura, na UFRPE, apenas quatro concluíram a graduação. “Muitos desistiram principalmente por acharem que a profissão não traria dinheiro e muito menos valorização. Trocaram de curso! O próprio povo brasileiro ainda tem essa imagem ruim do professor, porque ainda existem inúmeros problemas que afetam a profissão”, conta. “E das pessoas que se formaram, além de mim, praticamente ninguém seguiu na profissão”, complementa. 

De acordo com Berg, as experiências em sala de aula ainda no período da graduação o fizeram continuar na carreira. Durante seis meses, participou de um projeto pré-vestibular e ajudou dezenas de alunos na preparação rumo à aprovação para o ensino superior. “Foi um contato marcante. Seis alunos foram aprovados para o ensino superior e percebi que tive minha contribuição na realização desse sonho. Revivi o momento da minha aprovação no vestibular, que é um sentimento mágico”, recorda o professor de química.

Durante os mais de dez anos como professor, Berg se dividiu em dar aulas em escolas privadas, pré-vestibulares e no próprio curso preparatório em que é sócio. “A motivação para continuar vem do meu amor pela educação. Amo estar em uma sala de aula. Quando um professor entra em uma turma, ele se depara com sonhos, histórias de vidas e uma meta em comum: chegar à universidade. Hoje, considero que o professor é um formador de opinião e principalmente é um realizador de sonhos”, descreve Berg. Ele trabalha em todos os turnos de segunda até sexta-feira, em, pelo menos, quatro cidades da Região Metropolitana do Recife e em municípios do interior de Pernambuco. Nos finais de semana, ainda se dedica a aulas-extras, eventos pedagógicos, entre outras atividades. “Não é fácil. A gente cansa. Não me sinto frustrado como professor, mas ainda falta muita coisa para valorizarmos a profissão. Falta respeito ao nosso trabalho”, desabafa o professor de química. 

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Diogo Xavier, 29 anos, também seguiu a profissão. Morador de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, o docente da área de letras tem cerca dez anos como educador e reconhece os problemas enfrentados na carreira. Na sua rotina, longas jornadas de trabalho, mas há também a certeza de que a educação é uma ferramenta transformadora. De acordo com Xavier, ajudar seus mais de 600 alunos de ensino médio a chegar à universidade faz com que ele supere todos os empecilhos da profissão.

“Hoje a gente fica muito feliz quando há o reconhecimento do aluno. Certo dia um ex-estudante me parou e agradeceu pelas aulas que teve. Hoje esse aluno comemora a aprovação”, comenta o professor de letras. Sobre os desafios e problemas da profissão, Diogo detalha, no áudio a seguir, sua opinião:

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Na visão dos especialistas, um cenário que pede socorro

Para o diretor executivo do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior, Rodrigo Capelato, a baixa procura pela profissão de professor entre os jovens brasileiros se justifica além da questão salarial. Capelato não é nada otimista diante das pesquisas sobre a educação e traça um panorama que, na prática, não deve apresentar melhoras em um curto prazo.

“O grande problema é que a profissão é extremamente desvalorizada na sociedade atual, não só por uma questão salarial, mas além disso, somado a esse salário baixo, você tem uma precariedade muito forte nas condições de trabalho. Uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostrou que o Brasil está no topo do ranking da violência nas escolas”, argumenta o diretor executivo.

“Segundo a pesquisa da OCDE, 12,5% dos nossos professores disseram que foram agredidos ou intimidados pelo menos uma vez por semana na sala de aula, enquanto que a média internacional foi de 3,4%. A mesma pesquisa colocou que um em cada dez professores no Brasil acredita que a profissão é valorizada, ao mesmo tempo em que a média internacional é de três em cada dez professores. O levantamento foi feito com mais de 100 mil professores e diretores escolares”, acrescenta Capelato.

O diretor executivo do Semesp também explica a baixa procura pelas licenciaturas e a desvalorização da docência a partir da falta de condições adequadas de trabalho. “Você tem uma quantidade insuficiente de professores. Uma situação complicadíssima, porque é preciso que o próprio professor reponha as aulas ou porque os alunos estão totalmente dispersos. Faltam inspetores, auxiliares e apoio para esses professores. Os espaços físicos estão sucateados nas escolas públicas e ainda há insegurança grande no entorno das escolas. O docente acaba sendo o centro de todos esses problemas”, diz o diretor.

Segundo Rodrigo Capelato, a falta de investimentos adequados na educação brasileira também é um sério problema. Reforçando um cenário futuro nada promissor para os professores, o diretor também critica veemente a descontinuidade dos projetos educacionais. “Na pesquisa ‘Um novo olhar sobre a educação’, da OCDE, o investimento por aluno da educação básica no Brasil é de 3.800 dólares por ano, enquanto que a média dos 35 países que participaram do estudo foi de 10.500 dólares por aluno. Você não vê uma política de longo prazo para a educação pública, visando 30, 50 anos. Tive a oportunidade de visitar a Coreia do Sul e lá eles pensam um planejamento anos a frente. Isso nada mais é do que uma política de estado, que não importa quem está governando. É importante entendermos que o governo quando começa a investir em educação não vai colher os frutos nesse mesmo governo”, opina Capelato.

Ainda de acordo com diretor do Semesp, outra questão preocupante é a própria formação dos professores. “Hoje, o processo de educação está vivendo uma inovação muito forte, seja na sua concepção ou nas suas metodologias de ensino. No caso do Brasil, não há essa percepção na formação dos professores, a gente continua com os mesmos currículos, as mesmas formações de décadas atrás. Os programas de formação de professores também estão muito defasados”, acredita o diretor.

Em sua projeção, Rodrigo Capelato prevê um contexto extremamente preocupante. “Infelizmente, os dados não são animadores. As sondagens que a gente tem feito recentemente são de queda na procura por licenciaturas nas universidades públicas e privadas em 2017 e 2018. A impressão que tenho é que só vai mudar quando a gente entrar em um colapso, quando não teremos mais professor de física, matemática, história... Só assim a profissão vai começar a ter uma valorização, porque vai custar caro você contratar professor. Não vejo, a curto prazo, nenhuma mudança nesse cenário”, finaliza.

       

A gerente de projetos do Movimento Todos Pela Educação, Caroline Tavares, também acredita que em um determinando momento haverá falta de professores. Ela ressalta que esse colapso deverá acontecer com disciplinas específicas da área de Natureza, como química, física e biologia. “Já existem estudos que dizem que em dez anos vamos sentir essa falta”, comenta. Sobre a ideia de que a carreira docente é desvalorizada, Caroline acredita que uma cultura social, instaurada no Brasil, explica essa percepção, mesmo existindo exemplos de professores com bons salários, como os educadores donos de cursos preparatórios.

“Tem um problema cultural, que a gente precisa enfrentar quando pensamos em valorização profissional do professor. Ele ainda é visto como coitadinho, que ganha salários ruins. Em alguns casos isso ainda é verdade. Há um senso comum que ser professor você vai se dedicar a uma carreira onde você vai ser mal valorizado, mal remunerado e com péssimas condições de trabalho”, explica a gerente.

Caroline argumenta, contudo, que o Brasil tem um número significativo de professores. “Existem muitos professores no Brasil, é muito fácil você conhecer alguém na sua família que seja professor. Durante muitos anos, essa pessoa foi mal remunerada e, além disso, as condições de trabalho nas escolas ainda não são as melhores. Essa imagem é que propaga nacionalmente. Professor deveria estar recebendo bem mais do que ele recebe”, pontua. “Nos últimos estudos, o Brasil investe menos em educação na comparação com os países que são considerados referência em educação”, acrescenta, ao justificar a desvalorização da categoria.

No ano passado, Caroline iniciou um projeto no Todos Pela Educação que busca despertar nos jovens brasileiros o desejo de seguir a carreira de professor. Um dos pontos principais é fomentar a valorização da profissão e reunir estudantes altamente qualificados, tais como os que apresentam desempenhos elevados no Enem. Entre os pilares do projeto estão atratividade, ações de valorização e justamente a busca por jovens capacitados. “Queremos que os professores sejam bem mais capacitados. É preciso mexer na carreia, oferecer melhores salários e melhores condições de trabalho. O jovem brasileiro precisa entender que o ser professor requer enfrentar desafios. É, de fato, uma profissão muito desafiadora, porque você é o responsável pelo aprendizado e pelo futuro das gerações”, reforça a gerente.

De acordo com a doutora em educação e coordenadora da Pró-Reitoria para Assuntos Acadêmicos (Proacad) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Eleta Freire, a desvalorização dos professores no Brasil é clara. Uma das críticas dela refere-se à problemática da ausência de formação continuada, seja ainda no período da graduação em licenciatura ou após essa etapa. A doutora alerta a necessidade urgente dos docentes investirem em qualificação contínua, algo que pode fomentar melhores salários e melhores condições de ensino. 

“Acho que a gente pode fazer uma análise ampliada. A própria profissão docente precisa ser mais valorizada. Não só com formação inicial, mas formação continuada. Precisaria de um salário que não te obrigasse trabalhar dois, três horários. Temos professores da educação básica que para garantir uma renda que propicie uma vida não tão precária, ele vai ter que trabalhar manhã, tarde e noite. É uma carga de trabalho muito grande e na relação carga versus salário, não é das condições mais atrativas”, analisa a doutora em educação.

Eleta Freire indica ações que podem ajudar a valorizar a carreira de professor - Foto: Chico Peixoto/LeiaJáImagens

Para ela, existe um aspecto fundamental que precisa ser carregado por todos os professores: a identidade docente. Segundo a doutora, essa característica não é tida apenas como um dom; é também um fator que se adquire durante a graduação e formação continuada, desembocando no que se entende por profissionalismo docente. “A identidade docente ajuda muito. Se constrói no processo de formação inicial e continuada. Para além dos bancos da escola, está no olhar sobre a docência. Formação em termos de investimento em mim. É uma profissionalidade que se constrói no exercício da profissão, que vai construindo o gosto pela docência”, opina Eleta.

A doutora salienta ainda que as formações superiores para professor precisam de uma reformulação. Assim como as características sociais mudaram ao longo do tempo, a maneira como se ensina nas escolas também precisa acompanhar a forma como os novos costumes sociais se intensificam. “A formação precisa ser dinâmica. A sociedade não parou há um século, as mudanças são rápidas, as crianças de hoje não são as crianças de anos atrás. Se como docente eu não for me atualizando, se como formação os cursos não vão se atualizando, a tendência é que o curso forme para uma sociedade que não existe mais. Eles precisam estar se reinventando a todo tempo”, alerta. No áudio a seguir, a doutora em educação ainda traz uma reflexão sobre o histórico das licenciaturas:

Para Eleta, hoje os professores enfrentam sérios desafios, mas ela acredita que os principais são as barreiras que dificultam a formação continuada e as mudanças sociais que impactam a rotina dos estudantes. “Como desafio é a própria dinâmica social que a gente vive hoje. O estudante de hoje não é o estudante de 20 anos atrás. Ele pensava muito antes de enfrentar o professor. Ele tem elementos negativos quando há violência física e verbal, e isso tem desestimulado muito gente. Muitos professores ficam sem ação e de mãos atadas. Mas tem um enfrentamento que eu acho que é bom, porque há 60 anos o aluno era totalmente dependente do que o professor transmitia. Hoje tem um professor que não pode se imaginar como alguém que sabe tudo. Ele não pode imaginar o aluno como alguém que não sabe nada. O estudante está na sala e ao mesmo tempo está conectado com o mundo”, argumenta. 

“A formação tem que ser uma constante, continuada e para sempre. É um desafio, porque se você pensar um professor que precisa trabalhar três horários, em que momento ele pesquisa, planeja, ele estuda? É o que acontece com a maioria. Que professor pode trabalhar um horário só? É uma minoria”, finaliza a doutora em educação.

O discurso da representação e o argumento governamental 

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo, não economiza críticas contra a maneira como o professor é tratado no país. Para o representante da categoria, um conjunto de fatores explica o pouco interesse dos jovens brasileiros pela profissão e os problemas que prejudicam as condições de trabalho dos educadores. 

“São diversas ações que motivam essa falta de busca pela profissão. A violência no espaço escolar, o desrespeito com a carreira do professor. Nós trabalhamos com alguns indicadores de valorização profissional e todos estão afetados e prejudicam a procura da juventude. Falta política de formação continuada e o Estado deixa a cada profissional a responsabilidade, não investe em qualificações. As condições de trabalho também se tornam um problema extremamente sério, tem escola que você chega e não consegue ter um ambiente do trabalho”, frisa Araújo, além de reforçar o problema da questão salarial como um fator desmotivador entre os jovens.

De acordo com o presidente da CNTE, a administração das escolas públicas também afeta os profissionais da educação. Ele argumenta que muitos gestores são escolhidos por motivação política e não conhecimento na área pedagógica. “A gestão que se diz democrática nos afeta. Você tem uma lei que diz que tem uma gestão democrática e uma participação social na gestão das escolas, e o que você tem são gestores por indicação política. Ninguém quer passar por uma situação dessa, além de salários baixos, ainda passa por situações humilhantes”, opina o presidente. O representante da categoria ainda expõe sua visão social sobre a desvalorização do professor. “É uma questão social muito forte, vinculada com a concentração de renda brutal que existe no Brasil, de terra e dos meios de comunicação. Essa parcela rica não tem interesse na distribuição de renda no país. São gargalos que desprestigiam uma profissão tão importante, já que a educação não é valorizada e isso, consequentemente, afeta o professor”.

O presidente da CNTE acredita, contudo, que a população também precisa agir em prol dos educadores. “É preciso mobilização social. Todo mundo tem a clareza de que a educação é essencial. Este ano é de eleição, a gente precisa ouvir as propostas. Falta ter vergonha na cara de quem é eleito para prometer e cumprir. A educação de qualidade é um direito que está sendo negado à população. A mobilização é essencial para a gente ter acesso à educação e valorização dos trabalhadores de educação”, crava.

O LeiaJa.com procurou uma fonte do Ministério da Educação que pudesse responder acerca dos principais problemas que afetam os professores brasileiros. O órgão, por meio da sua assessoria de imprensa, preferiu não se posicionar. Por outro lado, a pasta indicou apenas a possibilidade de apuração junto à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que se resumiu em abordar os programas governamentais de formação docente. Confira a nota que detalha esses programas:

Com a finalidade de contribuir para o aperfeiçoamento da formação de professores nos cursos de licenciatura, a Capes lançou em março do corrente exercício os editais do Programa de Residência Pedagógica e do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid). Tais programas têm como premissas básicas o entendimento de que a formação de professores nos cursos de licenciatura deve assegurar aos seus egressos, habilidades e competências que lhes permitam realizar um ensino de qualidade nas escolas de educação básica. Sabe-se que essas habilidades e competências estão relacionadas, entre outros aspectos, ao conhecimento do conteúdo e de práticas pedagógicas em sala de aula e à preparação psicológica para atuação e abordagem das diferentes situações pedagógicas e relações do cotidiano escolar.

No entanto, observa-se que o distanciamento do discente de licenciatura, e até mesmo de seus formadores, do ambiente escolar afeta a qualidade da formação de professores no País. Essa é uma realidade que precisa ser mudada com urgência. O Programa de Residência Pedagógica e o Pibid são ações da Política Nacional de Formação de Formação de Professores para induzir e acelerar tal mudança.

O Programa de Residência Pedagógica tem por objetivo induzir o aperfeiçoamento do estágio curricular supervisionado nos cursos de licenciatura, por meio de imersão do licenciando que esteja na segunda metade do curso, numa escola de educação básica. A imersão deve contemplar, entre outras ações, regência de sala aula e intervenção pedagógica, acompanhada por um professor da escola com experiência na área de ensino do licenciando e orientação do docente da IES.

O Pibid, por sua vez, busca promover a iniciação do licenciando no ambiente escolar na primeira metade do curso, visando estimular, já no início do seu percurso formativo, a observação e a reflexão sobre a prática profissional docente no cotidiano das escolas públicas de educação básica e no contexto em que elas estão inseridas. No Pibid, os licenciandos também serão acompanhados por um professor da escola e por um docente da IES.

Ambos programas serão desenvolvidos em regime de colaboração com as redes de ensino. Assim, as IES devem organizar seus projetos institucionais em estreita articulação com a proposta pedagógica das redes de ensino que sediarão os subprojetos.

As IES serão selecionadas por meio de edital, que tem entre seus objetivos, ampliar o número de discentes de licenciatura atendidos; aprimorar os mecanismos de indução, incluindo critérios com vista à institucionalização das iniciativas de melhoria da formação prática dos licenciandos, valorização de seus formadores, a interiorização da oferta de bolsas; e, uma articulação mais efetiva com as redes de ensino.

Ainda no âmbito da Política Nacional de Formação de Professores, o Edital de articulação de ofertas do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) é uma das ações do Ministério da Educação para oferecer aos professores que atuam fora de suas áreas de formação, conforme Índice de Formação Docente (Censo da Educação Básica 2017), oportunidade de obterem a formação adequada, e consequentemente, melhorar sua ação docente.

O Sistema UAB completou, em 2016, 10 anos de existência. O programa, instituído pelo Decreto n.º 5.800, de 8 de junho de 2006, visa à expansão e à interiorização da oferta de cursos e programas de educação superior no país por meio da modalidade EaD (uso de tecnologias de comunicação e Informação no processo de ensino-aprendizagem) com intuito de democratizar o acesso a população com difícil acesso a este nível de ensino (Art. 1º). Tal expansão se dá articulados a dois objetivos estratégicos para o estado brasileiro:  minimizar o déficit de docentes, ampliando o quantitativo de profissionais docentes com formação em nível superior e ampliar a política de formação em nível de pós-graduação de docente que atuam na rede básica de ensino, oportunizando principalmente para municípios e estados que carecem de ações que ofereçam cursos de pós-graduação aos professores de sua rede de ensino.

As vagas que serão ofertadas nos programas – com início previsto para agosto deste ano - Residência Pedagógica, Pibid e UAD são apresentadas a seguir:

Pibid: 45 mil vagas

Residência Pedagógica: 45 mil vagas

UAB: 250 mil vagas

No caso dos programas Pibid e Residência Pedagógica o quantitativo de vagas corresponde ao número de bolsas que serão ofertadas aos licenciandos. Somando-se os dois editais, alcança-se o montante de 90 mil bolsas, número superior ao que era ofertado pelo Pibid implementado com o Edital 2013.

Três décadas de sala de aula

O professor André Luiz Vitorino de Souza, 49, vibra diante dos estudantes. Reitera o discurso em tom de conselho de que uma aula é como um prato de comida para quem sofre de fome. É uma maneira que ele encontrou de ilustrar para seus alunos a importância que o trabalho de um educador tem. No currículo, André coleciona passagens pelos principais colégios privados de Pernambuco, além de integrar o corpo docente das escolas estaduais.

André ama a sala de aula. Revela que o coração acelera a cada oportunidade de lecionar a biologia diante do alunato dos dez colégios onde ele trabalha. Segundo o educador, a vontade de se tornar professor se deu pela necessidade do Brasil melhorar a educação nacional, que para André é desvalorizada e desprezada pelos governantes. “Qual é a do país da gente? É não ter uma grande educação, porque se a gente tiver uma educação de qualidade, vamos mudar de categoria, iríamos sair de um país de terceiro mundo e brigaríamos com os países que tem saúde, educação de qualidade”, sustenta o docente, destacando que o problema é ainda mais sério nas escolas públicas.

De acordo com o professor, mesmo com todas as dificuldades que afetam a profissão, ele continua a carreira pelo propósito de oferecer aos estudantes uma oportunidade de ascensão social e profissional por meio da educação. André também frisa a importância de proporcionar aos alunos a chance de chegar ao ensino superior. “A universidade abre as portas e nos traz uma nova forma de pensar o mundo. Chegar à faculdade é o sonho da maioria dos jovens e o professor é um elo para a realização desse sonho”, comenta. 

O saudosismo de André ao se referir à profissão de professor não esconde, porém, sua indignação pela forma como a carreira docente é tratada no Brasil. Ele revela que sua maior frustração é a maneira como a figura do professor é vista no país; André arrisca, inclusive, que a profissão pode acabar. “Eu diria que é uma profissão em extinção. Você vê que os cursos de licenciatura a cada semestre têm menos procura, por causa da falta de reconhecimento financeiro. O professor forma todas as outras profissões e, entre elas, somos os que ganhamos menos. A única mágoa que eu tenho é que ganho menos do que eu merecia ganhar. Mas como amo muito o que faço e tenho muito tempo de estrada, acabo amenizando essa questão financeira, mas para um professor que está começando, a situação é difícil e atrapalha a continuação na carreira”, desabafa André Luiz.

“O que me motiva muito é colocar o aluno na universidade. É uma sensação indescritível, você vê um menino ou uma menina que saiu do zero chegando no ensino superior. É como se a gente, professor, estivesse passando no vestibular também. Quando chegamos na universidade, as portas se abrem, não só as do mercado de trabalho, mas também as das relações interpessoais, vamos conhecendo mais gente diferente da gente”, complementa o professor.

Ainda sobre a profissão, o professor de biologia ressalta um aspecto importante. De acordo com ele, na maioria das escolas onde trabalhou, ele teve uma relação respeitável com os alunos. Por outro lado, André confessa que alguns episódios são difíceis de enfrentar. “É difícil porque a gente tem que saber falar com o aluno, não podemos constranger o estudante, mas a aula tem que seguir mesmo quando ele está trabalhando, por exemplo. Noto hoje que o aluno está muito detentor de um poder de agredir a relação. Ou você tem muito tato, ou vai perder o controle. Graças a Deus não passei por situações muito graves, mas tenho conhecimento de colegas que passaram por sérios episódios”, conta. 

André encara 80 aulas por semana, entre escolas e cursos pré-vestibulares. Segundo ele, mesmo com o tempo apertado – contexto comum ao de muitos professores -, é fundamental investir em formação continuada. “Sou muito disciplinado e consegui fazer várias qualificações”. Desafios da profissão à parte, o professor ainda assim acredita que essa é a única carreira que ele pode seguir. “Não me vejo fazendo outra coisa. Não posso ser outra coisa, sou o professor André Luiz, de biologia. É a questão da vocação que sustento até hoje. Mesmo diante de tantos problemas, ainda sonho em ver minha profissão valorizada pelo país. Através de nós, docentes, a sociedade alcança seus anseios profissionais. Enquanto eu tiver saúde, serei professor”, conclui.

  

Eles já ajudaram milhares de jovens a ingressar na universidade dos sonhos. São inspirações, fontes de conhecimento e dignos de respeito. Aprenderam a se dividir entre as salas de aula e os caminhos do empreendedorismo. Apostaram na educação por satisfação pessoal, por acreditar em um país melhor no futuro, e dentro do próprio espaço assinaram uma metodologia não só de estudo, mas de vida. Disciplina, liberdade, sonhos, inclusão social e aprendizado. Os professores que montaram cursinhos por acreditar em uma forma diferente de passar o conhecimento também tiveram de reiventar a profissão e empreender. Conheça a história de três professores pernambucanos que acreditaram na educação e montaram verdadeiros "impérios" de preparatórios para o ensino superior.

Fernando Beltrão, 54, conhecido popularmente pelos vestibulandos pernambucanos como "Fernandinho", coleciona aprovações nos principais vestibulares do país. Em sua conta, já são mais de dez mil alunos graduados em medicina, sua especialidade, durante a trajetória de quase 40 anos trabalhando no ramo da educação. Professor desde os 17 anos, Fernandinho precisou enfrentar obstáculos, barreiras e muitos desafios para realizar os três principais sonhos, os quais sempre elencou como meta de vida. Em primeiro lugar, ajudar a família financeiramente e em outros patamares, se tornar médico para cuidar das pessoas e conhecer o máximo de países e culturas diferentes. “Eu nunca conheci um garoto que olhava para o mapa como eu. Passava os meus dedos para marcar os países que um dia iria. Era fascinante”, relembrou.

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Fernando nasceu na cidade de Catende, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, a 142 quilômetros do Recife e durante a adolescência, os estudos sempre estiveram em primeiro lugar, apesar das dificuldades pela falta de dinheiro. A família era grande, seis filhos, e financeiramente viviam no limite. A mãe, professora de escolas públicas nos anos 1950 e o pai ocupava o cargo de carteiro na cidade e posteriormente se formou em contabilidade. “Em casa, eu sempre estive envolto no ambiente da leitura e do aprendizado. Meu pai logo após se tornar contador, virou professor do curso de contabilidade. Meus familiares valorizaram muito o estudo, tanto que dos seis filhos todos quiseram estudar em diferentes graduações”, contou Fernandinho.

 “Em menos de dois meses, eu já estava certo de que queria fazer isso pelo resto da minha vida e eu só tinha 17 anos”. - Foto: Paulo Uchôa/LeiaJáImanges 

O sonho de ser médico foi algo que Fernando Beltrão sempre manteve como uma possibilidade real, mas a graduação se afastava aos poucos porque a família não conseguiria manter o garoto na cidade grande para estudar, nem pagar uma faculdade particular, que na época era "coisa de gente bacana". Estudou somente em escolas públicas de Catende e após terminar o ensino médio teve de enfrentar mais uma barreira. “Na época, fui obrigado a fazer o curso médio de contabilidade porque o governo da época, parecido com o atual, entendia que impor determinadas profissões fazia de conta que as pessoas estariam prontas para o mercado de trabalho. Mas, eu não tinha nenhum interesse nisso porque queria ser médico e não tinha ninguém que me ajudasse naquele momento. Então, fui e fiz”.

Os seus sonhos eram distantes, mas ele se agarrava na sensação de que um dia os realizaria. Aos 17, 18 anos, não se lembra bem, ele veio à capital pernambucana prestar o primeiro vestibular para medicina. “Levei pau, ponto de corte e não passei”, resumiu. Para fortalecer os estudos e focar no futuro, Fernandinho decidiu se arriscar na cidade grande e veio morar no Recife para estudar em cursinhos e se preparar melhor. Procurou um bolsa de estudos e foi recusado em 28 instituições ao todo. Ele se lembra bem. A 29ª o aceitou e como quase um presente de mãe para filho lhe deu uma bolsa integral. “Estudei de graça nos anos de 1980. Morei de favor, me virava para comer e dava aulas particulares para conseguir algum trocado”.

Passou vários meses se preparando para a prova e no fim do ano, Fernando prestou vestibular novamente. Desta vez, passou em medicina na Universidade de Pernambuco (UPE), onde atualmente é professor de Anatomia, há quase 30 anos. “Não passei com nenhum destaque, fui penúltimo lugar. Mas entrei de modo honrado”, relatou.

 “Na época, a faculdade era particular e para mim era caro e impossível pagar. Eu consegui de presente de uma pessoa com muito dinheiro e ela me deu uma quantia para pagar a matrícula. Lá dentro, fui em busca de bolsas de estudo e e assim me mantendo. Dentro da universidade já estabelecido, eu decidi trabalhar porque eu precisava viver na cidade e não era barato. Entre as opções possíveis, dar aulas particulares foi o que me despertou mais interesse. Apareceu uma chance para ser professor de biologia em um cursinho no centro do Recife. Era um estabelecimento voltado para estudantes de baixa renda. Passei no teste e consegui a vaga”, disse.

 “Em menos de dois meses, eu já estava certo de que queria fazer isso pelo resto da minha vida e eu só tinha 17 anos”.

Fernando Beltrão ajuda a potencializar a colocação de alunos nos principais processos seletivos do Brasil. - Foto: Paulo Uchôa/LeiaJáImanges

 Beltrão terminou a universidade, abriu consultório médico, mas se encontrou profissionalmente na arte de lecionar. Passou no concurso público para ser professor da mesma universidade em que se graduou. “Era impossível manter tudo ao mesmo tempo, tive que dar prioridade ao que me fazia mais feliz”, disse. Em 1987, um ano após se formar, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) anunciou a criação da segunda fase do vestibular, uma espécie de prova específica para as disciplinas. “Quando eu descobri isso, pensei que poderia aproveitar da melhor forma possível, sendo professor de biologia. Eu sabia que essa prova seria pesada e daria muito trabalho para os alunos”, explicou.

De olho no preparo mais denso e na nova metodologia da prova de vestibular, Fernandinho, em 1988, abriu matrículas no curso de biologia, especificamente para a segunda fase, em que alunos da área de saúde seriam o público-alvo. “Eu era médico e muitos professores de biologia não eram. Eu tinha estudado, meu espaço estava montado e em dois anos, o meu curso já era grande e conhecido”,  afirmou.

 Para ele, empreender é oferecer no presente mas visando o futuro. “É entender que existem coisas para ser ditas que o jovem precisa escutar. Antigamente, era a segunda fase da federal e Recife virou o paraíso dos professores bons e empreendedores. Atualmente, aposto muito na tela de celular porque acredito que isso é futuro e todas as minhas aulas já podem ser vistas pelo telefone, de casa ou de qualquer outro local com acesso à internet”, frisou.

 Fernandinho ensinou em colégios, cursinhos menores e outros até famosos. Mas, há 30 anos, decidiu investir na sua marca. Sua especialidade são alunos que sonham em um dia serem médicos, também. Ao longo dos anos o curso foi se modificando e se moldando ao mercado, com o fim da segunda fase dos vestibulares e a implementação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como prova que levaria o aluno à universidade.

“Eu não concordei com o Enem, no início. Achava alvo predador e pensava que não era democratizar a educação. Era dar vagas para alunos de classe média em todo país, que poderiam facilmente se mudar para onde fossem aprovados. Mas, eu precisava entrar com os três pés no Enem porque esse era o método e o fiz. Entendi a metodologia para ensinar aos meus alunos e hoje eles aprendem e se preparam para isso. Tenho alunos hoje desde o nono ano que já se preparam para o vestibular”.

Alunos estudam no pátio da Academia de Estudos Fernandinho Beltrão. Foto: Paulo Uchôa/LeiaJáImanges

A Academia de Estudos Fernandinho Beltrão, localizada no bairro da Madalena, no Recife, possui atualmente 1500 alunos, 25 professores, 15 monitores, quatro salas de aula e seis salas de estudo, além do pátio de estudos. Todas as sextas-feiras os alunos devem fazer o simulado semanal. São 180 questões inéditas, como é cobrado no Enem.

“Tenho que exaurí-los porque esse é o modelo do Enem. Aqui, ninguém escolhe onde senta na sala de aula, não pode atender celular e nem ir ao banheiro. O aluno não pode atrapalhar o fluxo de aulas. E se quiser ir ao banheiro pode sair, mas não volta. A aula é um momento de comunicação e tem que ter o seu valor. Temos um pátio grande só de dúvidas, o mesmo professor que dá aula presta o atendimento. Também temos vários monitores para ajudar os alunos. Se o aluno não fizer as tarefas de casa não adianta de nada. É mais importante praticar o do que assistir a minha aula. É necessário fazer isso porque funciona e eu sei disso porque estou no ramo há mais de 30 anos”, pontuou.

No site de Fernandinho, a equipe garante que o método inovador provocou o crescimento. "O curso foi crescendo. Primeiro, se tornou uma Central de Matérias Isoladas, que lançou grandes nomes da nossa educação. Rapidamente, ao oferecer todas as matérias, a central tomou a forma de Centro de Estudos. Hoje, temos o orgulho de sermos uma Academia de Estudos, nome que traduz de forma mais fiel a transformação que acontece aqui, todos os dias. Somos uma estrutura 100% voltada para o conhecimento e para o aprendizado".

 “Hoje, o curso tem matérias isoladas de todas as disciplinas e plataforma digital porque a web é o futuro e o presente. Isso pode até custar caro agora, mas quando isso virar lei no futuro, eu já vou ter essa metodologia faz tempo. Enxergar primeiro é o mais importante para ser empreendedor. As aulas aqui são de segunda-feira a quinta. Entre uma aula e outra todas têm recreio para um respiro de 15 minutos”, complementou.

 Sem esquecer da origem e da falta de oportunidades que teve de vencer, Fernandinho garante bolsas de estudos para alunos mais pobres. “Aqui no curso não são os melhores que estudam de graça. Pelo contrário, os fracos têm oportunidade. Quanto pior o aluno, mais eu quero ele aqui. Se eu conseguir fazer por ele alguma coisa eu ganho. A vitória tem muito a ver com isso. Eu sei da minha caminhada e como eu só precisava de uma oportunidade. Analiso o conjunto de fatores do aluno que precisa mais. É fácil convencê-lo de que ele tem que ser o protagonista. O fraco vale ouro pra mim”, frisou.

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   Matuta, mãe solteira e graduada em uma faculdade particular

 Fernanda Pessoa, 38, nasceu na cidade de Arcoverde, no Sertão pernambucano, distante 256 quilômetros da capital pernambucana. Nome conhecido entre os estudantes que pretendem prestar vestibular na capital pernambucana, a professora de português é dona de um dos cursos mais grandiosos e famosos do Recife. Em 2018, ela soma mais de 4 mil alunos, cem funcionários e muitos aprovados nos vestibulares do Brasil.

 A competência é acompanhada pelo sucesso e a alta procura por vagas no curso todos os anos. Mas, a trajetória de Fernanda como professora, líder e empreendedora não foi das mais fáceis. Portas fechadas, desconfiança, preconceito e muitas decisões arriscadas. “Eu digo sempre que não nasci professora, me tornei”, disse.

Durante a adolescência se dividiu entre o Recife e a terra natal. Na época, seu maior sonho era ser médica, desejo comum nas cidades do interior nordestino, em que a carência da assistência hospitalar é um dos principais problemas estruturais da região. “Meu sonho era ir para África ajudar as pessoas, mas a minha família era muito humilde. Minha mãe era dona de casa e meu pai professor de escola pública”, contou Fernanda.

Em 2018, ela soma mais de 4 mil alunos, cem funcionários e muitos aprovados nos vestibulares do Brasil. - Foto: Chico Peixoto/LeiaJáImagens

 Os planos de exercer a medicina foram adiados ao longo da adolescência. Aos 15 anos, Fernanda engravidou do namorado e teve de assumir a filha sozinha. “Meus pais me apoiaram moralmente, mas financeiramente eu tinha que me virar”, relembrou. Para conseguir bancar os custos da filha, ela começou a fazer doces e salgados para vender. Após terminar o ensino médio, a oportunidade que pensou ser mais viável foi estudar licenciatura em letras. “Entrei em uma faculdade privada porque pensei no que me daria mais possibilidades, já que poderia ensinar literatura, gramática e redação. E assim, conseguiria dinheiro com mais facilidade”, explicou.

 Já cursando letras, o empreendimento dos doces teve de aumentar. Ela vendia os quitutes nos corredores da instituição de ensino e conta que muitas vezes era preciso conversar com os professores para ser liberada das aulas e vender os lanches. “Em troca, eu dava aulas para eles em outras turmas. Era a forma que eu achei de ganhar um dinheiro para criar a minha filha”.

 Aos 18 anos, decidiu vir morar na capital pernambucana para lecionar. “Eu dei aulas em muitos colégios pequenos, no início. Mas, enfrentei muitas barreiras e tive muitas portas batidas na cara. Meu currículo era muito ruim, no sentido de não ser professora formada por uma universidade federal, era de uma faculdade particular do Sertão”, lamentou.

 Com a dificuldade de se manter como professora de colégios, Fernanda decidiu que podia dar aula particular nas casas dos alunos a noite para complementar a renda. Também continuava cozinhando para vender os lanches e mandar o dinheiro para casa, já que a filha ainda morava em Arcoverde com os avós. “Matuta, mãe solteira e graduada em uma faculdade particular. Foi assim que tudo começou”.

O primeiro cursinho que ela criou era composto por 13 alunos e funcionava em uma sala alugada. Mas, oito estudantes eram bolsistas. “Eu dava aula particular, em colégio e ainda cozinhava. Decidi fazer desse curso a minha África e ajudava os que não podiam pagar a mensalidade”. A forma como Fernanda passava o conhecimentos para os estudantes dizia muito sobre o amor que tinha pela profissão. “Eu tinha o sonho de ter um curso com a minha cara porque eu não me adaptava ao formato de uma educação tradicional e reguladora que algumas escolas tinham”.

 Sem perder de vista o sonho de ajudar mais pessoas, ela vendeu o único carro que tinha para montar o curso no local atual, dentro da área do Clube Internacional do Recife, no bairro da Madalena. “Cheguei aqui e nada era assim. O prédio era tombado e o local estava caindo aos pedaços. Entrei aqui com R$ 5 mil. Mas eu precisava de algo com a minha cara e eu notava que as pessoas não entendiam o meu sonho. Diziam que eu estava no caminho errado, que era loucura eu vender o carro, apartamento e se endividar em banco. Uma menina achando que vai chegar a algum lugar. Filho de pobre é pobre, pensavam”.

 Ao longo dos anos, o curso foi crescendo, parcerias foram feitas e desfeitas e o aprendizado mais que triplicou. Em 2018, o curso de Fernanda Pessoa completa duas décadas. “Eu sempre empreendi na minha vida. Isso nasceu comigo e meu instinto de sobrevivência era muito grande sempre. Desde as vendas de doces e salgados”. Bem sucedida em seu empreendimento, a professora de português diz que o financeiro não está em primeiro lugar. “A sociedade não entendia que não era o dinheiro. Queria participar da vida das pessoas, ajudar a transformá-las, ser lembrada por elas pelo meu trabalho e foi assim que eu comecei a brincar do que eu faço hoje”.

 Para ela, a educação no Brasil enfrenta graves problemas. “Hoje nós temos um formato de educação do século 19, professores do século 20 e alunos do século 21. Esse é o grande desafio”. Fernanda esclarece que o trabalho dos professores não é respeitado. “Muitas vezes as pessoas perguntam: ‘‘você só dá aula ou trabalha também”.

“Hoje nós temos um formato de educação do século 19, professores do século 20 e alunos do século 21". Foto: Chico Peixoto/LeiaJáImagens

 O expediente de Fernanda tem início às 8h e as aulas seguem até as 22h. “Nos intervalos eu atendo os alunos. É exaustivo sair daqui todos os dias de madrugada. A gente, professor de verdade, não se preocupa muito com a auto promoção, não fazemos para aparecer. Eu não faço propaganda minha, só divulgo meu resultado quando saem os resultados dos vestibulares nas redes sociais. Nós temos hoje no Nordeste o maior curso de português em quantidade de aluno e resultado em aprovação do país”.

 A professora percebe também que ao longo dos anos, o acesso à universidade tem se tornado mais democrático no país. “Sei que antigamente filho de pobre não tinha espaço em faculdade. Eu noto que essa democratização aumentou absurdamente e vejo uma parte positiva nisso. Mas, me preocupo muito em saber se os alunos estão sorteando as notas deles em cursos que nunca quiseram para entrar em qualquer instituição”.

 Sobre o futuro do curso, o alto número de estudantes e de aprovações, Fernanda é taxativa. “Eu não me preocupo com o tamanho e o quantitativo. Me preocupo com a intensidade. Hoje o curso tem uma quantidade grande de alunos para que eu consiga beneficiar pessoas que não podem pagar. Atualmente, temos 600 alunos que estudam de graça. Então, tenho que trabalhar mais para que a conta se pague. Nós temos um setor de assistência social e selecionamos por renda e não por nota. Acho que ajudar aluno bom é muito fácil, mas ajudar o que não tem oportunidade é mais complicado”.

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Dos palcos do teatro às salas de aula, Bené é um dos criadores do curso “Os caras de pau”

Trabalhar com o público sempre fez parte dos anseios profissionais do pernambucano Benedito Serafim, 28. Aos 13 anos, ele atuava em peças teatrais e espetáculos como ator profissional. Dois anos depois, começou a dar aulas de teatro em Organizações não Governamentais nas periferias recifenses e em áreas de risco. Ele acreditava que a arte e o acesso à educação poderia mudar a vida de muitas pessoas.

 Morador de comunidade carente e com dificuldade financeira na família, Benedito, conhecido popularmente como Bené, teve a oportunidade de se inscrever em um curso técnico de Química Industrial. “Eu não gostava, tudo era monocromático e branco dentro do laboratório. Eu odiava aquilo demais”, relembrou. Anos depois, ele teve a oportunidade de prestar vestibular e escolheu licenciatura em geografia. Foi aprovado na Universidade de Pernambuco (UPE).

Aos 18 anos, Bené se tornou professor e no início da carreira dava aulas em colégios públicos e em alguns cursinhos menores. “Se tornar professor, para mim, foi mais fácil do que para outras pessoas. Eu já tinha uma metodologia com o público que funcionava. O conteúdo aprendi com a faculdade e com a vida”.

A estratégia do empreendimento 'Os Caras de Pau do Vestibular' era fundar algo a preço popular para que o foco fosse para alunos de colégios públicos e estudantes de baixa renda. - Foto: Chico Peixoto/LeiaJáImagens

 Em 2010, após assistir ao filme chamado ‘The Blues Brothers’, na tradução: “Os Irmãos Caras de Pau do Blues”, Bené e outros professores decidiram criar aulas interativas e com apresentações. “No filme, era a história de dois homens que tentam salvar um orfanato através do blues. Usamos a mesma lógica para os aulões e tínhamos a intenção de salvar a geografia. A gente alugava teatros e os alunos adoravam”, explicou.

 O espaço ‘Os Caras de Pau’, localizado atualmente no bairro da Boa Vista, área central do Recife, surge como ‘Os Caras de Pau da Geografia’, inicialmente. “A gente começou a fazer uns aulões em um cursinho de pré-vestibular público que trabalhávamos na época. Fazíamos paródias nos aulões para os alunos da instituição e dava super certo. Todo mundo gostava muito dos roteiros e pediam que o grupo criasse um cursinho nesses mesmos moldes. Por isso, arriscamos em montar nosso próprio estabelecimento”, afirmou Bené.

 Por três anos, Bené e os sócios permaneceram realizando os aulões de geografia. “Como deu certo no início, decidimos abrir para outras disciplinas. Eu era ator, eu escrevia roteiros, montava cenografia e os professores se tornavam personagens dentro da história. Os aulões eram ótimos na união da música, interpretação e conteúdo. Esse era o nosso diferencial. Tudo era pensado. As atuações estavam no boca a boca da cidade e os alunos continuam a cobrar a criação de um cursinho. Mas, é preciso ter coragem para empreender porque um cursinho seria uma responsabilidade muito maior”, pontuou.

 Em 2013, o professor Bené e os sócios decidiram abrir o cursinho com um conceito diferente do que era feito na época. Recife vivia o império das matérias isoladas e os valores eram praticamente impossíveis de serem pagos por pessoas mais pobres. “Eu cresci em comunidade carente, estudamos muito e somos filhos desse crescimento econômico dos anos 2000 e por isso queríamos dar acesso às pessoas que não tinham essa oportunidade. Percebemos que no mercado havia essa brecha porque as isoladas e os cursos eram muito caros”.

“Eu tenho muito orgulho de ver negros, periféricos entrarem nos cursos de direito e medicina e presenciar a população mais pobre ter esse acesso também". - Foto: Chico Peixoto/LeiaJáImagens

A estratégia do empreendimento era fundar algo a preço popular para que o foco fosse para alunos de colégios públicos e estudantes de baixa renda. “Para manter o curso, a gente precisaria de muitos alunos. Enquanto um pré-vestibular cobrava R$ 200 em uma disciplina, a gente cobrava R$ 100 em todas as matérias. Fomos de 300 alunos a 5 mil alunos. Após um tempo, a sociedade se separou e perdemos um pouco de estudantes. Hoje temos um pouco mais de 2 mil”, calculou. No vestibular de 2018, de 1.500 alunos matriculados, foram aprovados quase 600.

Há dois anos, quando a crise começou a dar indícios mais fortes no país, o grupo de professores precisou contratar profissionais para além da educação. “A gente sentiu um pouco na pele de não ter o manejo administrativo. Já éramos professores, empreendedores e nos unimos a um administrador para que ele pudesse nos ajudar a embalar o negócio”. Atualmente, além dos 2 mil alunos, a empresa tem mais de 40 professores e 15 funcionários administrativos. “Hoje eu costumo falar que eu não tenho um trabalho, mas tenho um emprego porque não faço por obrigação, faço porque gosto”.

Para ele, o grande crescimento do curso e a fama que ganhou se deve ao fato de dar mais oportunidades aos que mais precisam. “Eu tenho muito orgulho de ver negros, periféricos entrarem nos cursos de direito e medicina e presenciar a população mais pobre ter esse acesso também. Todos pagam impostos e a universidade é um local de aprendizagem para todos”.

Nesta quinta-feira (28), o presidente Michel Temer assinou um decreto que estabelece a cota de 30% para negros e pardos na contratação de jovens como estagiários aprendizes no serviço público federal. As vagas em questão são referentes aos setores da administração pública federal direta, autarquias, fundações públicas e sociedades de economia mista controladas pela União.

Poderão pleitear a cota pessoas que se autodeclararam pretas ou pardas no ato de inscrição das seleções para as oportunidades supracitadas, pessoas que se autodeclararem pretas ou pardas no momento da inscrição, conforme o critério instituído pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Estabelecemos três premissas fundamentais para o governo, uma delas é o compromisso social. Os jovens, fazem parte dele. As cotas simbolizam nosso empenho em promover o acesso ao emprego e estimular a economia. Esses jovens serão posicionados em condição de igualdade e terão mais oportunidades profissionais e de formação para carreiras”, afirmou o presidente Michel Temer.

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De acordo com o ministro do Trabalho, Helton Yomura, o número de contratações de aprendizes cresceu cerca de 42%  nos últimos três anos, considerando somente os primeiros trimestres. Yomura também destacou que o decreto contribui para afastar os jovens do trabalho ilegal. “E mais que isso: vai caminhar no sentido positivo de impulsionar a inserção da população negra brasileira no mercado de trabalho”, reforçou.

A troca de acusações entre os presidenciáveis, opiniões sobre temas polêmicos e a necessidade de “transformar o Brasil” já são partes conhecidas dos discursos dos pré-candidatos a presidente. No entanto, faltando pouco mais de três meses para a eleição de 2018, uma boa parte dos brasileiros questionam: quais são as propostas dos pré-candidatos a presidente para áreas fundamentais como a educação?

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Apesar das campanhas eleitorais começarem no dia 16 de agosto, no qual os candidatos oficiais deverão intensificar as propostas entre a população em comícios e na propaganda eleitoral na internet [desde que não seja paga], as sugestões deveriam ser disseminadas entre os eleitores bem antes, porém os presidenciáveis ainda falam timidamente sobre alguns pontos dos seus respectivos conteúdos programáticos. Segundo a pré-candidata Manuela D´Ávila (PCdoB), na educação, o foco está em melhorar a “eficiência” da prestação de serviços na área. D´Ávila defende um “Estado garantidor” dessa política pública. 

A deputada estadual já afirmou que, caso seja vitoriosa, irá trabalhar pela “transformação” do ensino fundamental. Para Manuela, esse deve ser um tema a ser encarado pelo Ministério da Educação. Também promete rever a situação das mulheres com o mercado de trabalho. De acordo com a gaúcha, 50% das mulheres que têm filhos não conseguem retornar e permanecer no emprego que tinham antes. “A ausência de creches e escolas de educação infantil coloca as mulheres em desvantagem no mercado de trabalho e transforma as avós em cuidadoras permanentes”, ressaltou. 

Com um perfil mais conservador, o pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL) já chegou a afirmar que a militarização das escolas seria uma opção para o futuro do país. O deputado já disse durante uma entrevista que, caso se torne presidente do Brasil, convidaria um general que tivesse comandado um colégio militar para assumir o Ministério da Educação (MEC). 

Bolsonaro citou, na ocasião, como exemplo alguns colégios públicos do Amazonas e de Goiás. Segundo ele, os alunos de colégios em regiões violentas teriam melhorado seus desempenhos quando assumiram a direção coronéis. “A molecada é revistada periodicamente, canta o hino nacional, tem aula de educação moral e cívica, chama a professora de senhora e não de tia, se levantam quando o professor entra na sala de aula, então são pessoas que tem noções fortes de disciplina e hierarquias”, argumentou. 

Por sua vez, durante um evento, Ciro Gomes (PDT), salientou que a primeira tarefa é mudar o “paradigma pedagógico” visando preparar o profissional que o mundo atual pede: inovador e empreendedor.  O pedetista também propõe a criação de um fundo nacional de valorização e educação do ensino. O objetivo seria a adesão voluntária de qualquer professor de nível municipal ou estadual para participar de um programa de avaliação permanente. 

A presidenciável Marina Silva (Rede) deve seguir a linha de propostas já apresentadas em 2014. Na época, ela garantiu que seu governo iria priorizar a educação integral na Educação Básica ressaltado que a criança e o adolescente tem direito a uma escola digna e justa. A ex-ministra também chegou a alfinetar, em entrevista à BBC Brasil, outros candidatos ao ressaltar que prevê uma eleição com uma tendência a mentira na campanha. “Nunca se juntaram por educação, saúde e segurança e agora se unem para salvar a própria pele”, disparou. 

Pouco a falar sobre o tema, o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já avisou que a economia é central para a educação. “Economia é central em todos esses aspectos porque gera receitas para o governo federal”. 

 Plano de governo

O pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB) tem se mostrado ''preocupado" com a área educacional. Ele já teve a iniciativa de convidar o senador Cristovam Buarque (PPS), que foi ministro da Educação, para integrar a equipe que vai elaborar o plano de governo do tucano para a educação. Entre as propostas, a federalização do ensino municipal, bem como a criação de um programa federal para formar gestores e diretores de escolas públicas.

O senador Álvaro Dias (Podemos), que também irá enfrentar a disputa presidencial, também se comprometeu em “investir muito” na educação infantil com o objetivo de melhorar o desempenho escolar. Ele acredita que para ter um ensino superior com competência e com bom desempenho escolar, é necessário investir na formação que é a base para a sustentação até o Ensino Superior.

Ele já afirmou que concluiu o seu mandato de governador do Paraná com uma aprovação recorde e que a educação foi essencial nesse sentido. Segundo o parlamentar, seu governo investiu 40% dos recursos públicos, da receita pública em educação. Álvaro ainda falou sobre a importância de se cumprir o Plano Nacional de Educação.

O Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos Residentes no Exterior (Encceja Exterior) abriu, nesta segunda-feira (25), as inscrições para a edição de 2018 do programa. Os interessados têm até 9 de julho para realizar o procedimento, exclusivamente pela internet, no site.

O programa oferece Certificado de Conclusão do Ensino Fundamental, para maiores de 15 anos na data de realização da prova, ou do Ensino Médio, para maiores de 18 anos. E é direcionado a brasileiros que não vivem no Brasil e não puderam concluir seus estudos na idade apropriada.

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Os participantes são submetidos a quatro provas objetivas, com 30 questões de múltipla escolha cada, e uma redação. No Ensino Fundamental as áreas de conhecimento avaliadas são: Ciências Naturais; Matemática; Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Artes, Educação Física e Redação; e História e Geografia. No Ensino Médio as áreas são: Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias; Linguagens e Códigos e suas Tecnologias e Redação; e Ciências Humanas e suas Tecnologias.

De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) - responsável pela formulação e aplicação do exame -, a prova será aplicada no dia 16 de setembro, nas seguintes cidades e países: Bélgica (Bruxelas); Espanha (Barcelona e Madri); Estados Unidos (Boston, Nova Iorque e Miami); França (Paris); Guiana Francesa (Caiena); Holanda (Roterdã); Itália (Roma); Japão (Nagóia, Hamamatsu e Tóquio); Portugal (Lisboa); Reino Unido (Londres); Suíça (Genebra); e Suriname (Paramaribo).

"O participante que já tem alguma declaração parcial de proficiência, obtida em edições passadas do Enem ou do próprio Encceja, fica liberado de fazer a prova da área na qual já tem proficiência comprovada. Quem não tem uma declaração parcial de proficiência deve escolher fazer todas as provas do nível de ensino para o qual busca a certificação", informa comunicado divulgado à imprensa.

Ainda de acordo com o documento, os participantes que necessitam de atendimento especializado e/ou específico devem  informar a condição que motiva a solicitação durante a inscrição e, por fim, devem apresentar documentos que comprovem a necessidade.

Encceja Exterior PPL – O Inep também aplicará o Encceja Exterior PPL 2018, entre 17 a 28 de setembro, em unidades prisionais do Japão (Tóquio), Guiana Francesa (Caiena) e Turquia (Istambul), para brasileiros privados de liberdade no exterior. Nesse caso, os responsáveis nos Consulados-Gerais deverão fazer a inscrição dos brasileiros submetidos a penas privativas de liberdade, por meio do site, também entre 25 de junho e 9 de julho.

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As inscrições para o Exame Nacional Desempenho de Estudantes (Enade) deste ano começam no dia 2 de julho. O edital foi publicado hoje (25) no Diário Oficial da União. Os coordenadores de cursos deverão fazer as inscrições dos estudantes ingressantes regulares e dos concluintes regulares entre 2 de julho e 12 de agosto. Os estudantes concluintes regulares deverão também fazer o próprio cadastro, entre os dias 14 de agosto e 21 de novembro.

O candidato, previamente inscrito pela instituição de ensino superior, deverá criar login e senha para ter acesso ao Sistema Enade. Para fazer o cadastro é necessário informar o CPF, um número de telefone com DDD e um endereço de e-mail válido.

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O exame será aplicado em todo o Brasil, em 25 de novembro, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão vinculado ao Ministério da Educação e vai avaliar 27 áreas do conhecimento.

A prova é voltada para estudantes concluintes de cursos de graduação. O exame é obrigatório e a situação de regularidade do estudante no exame deve constar em seu histórico escolar. Os estudantes ingressantes terão que ser inscritos, mas serão dispensados, não precisarão fazer a prova.

De acordo com o Inep, a prova terá dez questões do componente de formação geral, comum a todos os estudantes, sendo duas discursivas e oito de múltipla escolha; e 30 questões nos componentes específicos de cada área, sendo três discursivas e 27 de múltipla escolha.

Enade

O Enade é o principal componente para o cálculo dos indicadores de qualidade dos cursos e das instituições de ensino superior. Os estudantes são obrigados a fazer o Enade para receber o diploma, mas não há desempenho obrigatório.

A cada ano, o exame avalia um grupo diferente de cursos superiores. A avaliação se repete a cada três anos.

Veja as áreas que serão avaliadas em 2018:

Grau de Bacharel

Administração

Administração Pública

Ciências Contábeis

Ciências Econômicas

Comunicação Social - Jornalismo

Comunicação Social - Publicidade e Propaganda

Design

Direito

Psicologia

Relações Internacionais

Secretariado Executivo

Serviço Social

Teologia

Turismo

Grau de Tecnólogo

Tecnologia em Comércio Exterior

Tecnologia em Design de Interiores

Tecnologia em Design de Moda

Tecnologia em Design Gráfico

Tecnologia em Gastronomia

Tecnologia em Gestão Comercial

Tecnologia em Gestão da Qualidade

Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos

Tecnologia em Gestão Financeira

Tecnologia em Gestão Pública

Tecnologia em Logística

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