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Nesta quinta-feira (4), o Ministério da Educação (MEC) divulgou um aporte financeiro direcionado ao ensino médio. A medida ocorre no âmbito dos Programas Dinheiro Direto na Escola (PDDE) e de Fomento à Implantação das Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral (EMTI), prevendo a liberação de R$ 600 milhões.

Por meio do EMTI, será realizada uma pesquisa que mostrará os impactos da implementação do Novo Ensino Médio nas escolas brasileiras. Cerca de 300 unidades de ensino deverão contar com R$ 200 milhões para a execução do levantamento. “As avaliações serão realizadas no âmbito de qualidade de aprendizado, rendimento escolar e redução de desigualdades entre alunos, entre outras variáveis. Para a execução da pesquisa, o MEC vai disponibilizar R$ 200 milhões, a serem pagos, ainda em 2018, às escolas que vão adotar o tempo integral em 2019. A verba será distribuída a cada instituição de acordo com a quantidade de alunos matriculados”, detalhou o MEC.

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Ainda segundo o Ministério, até 5 mil escolas deverão receber R$ 400 milhões oriundos do PDDE. O montante deve fomentar a implantação do Novo Ensino Médio até 2020. “A primeira parcela deste montante será paga ainda em 2018. O dinheiro deverá ser utilizado, preferencialmente, para adequação da infraestrutura, aquisição de equipamentos – como laboratórios e kits pedagógicos –, implementação de projetos pedagógicos e formação de professores. Além disso, a verba também poderá ser destinada à aquisição de material permanente e de consumo, na avaliação de aprendizagem e no desenvolvimento de atividades educacionais”, informou o Ministério da Educação. 

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Quanto vale fazer o bem? Em 2014, jovens se reuniram com um propósito: arrecadar material escolar e doar às crianças da comunidade Cruzeirinho, no Baixo Acará, interior do Pará, para combater a evasão escolar. Com o nome “Futuro brilhante”, o projeto atende as crianças que, por dificuldades financeiras dos pais, não estavam conseguindo ter acesso a cadernos, lápis, canetas e por isso estavam abandonando as escolas.

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“A gente continuou fazendo isso em 2014, 2015, 2016, 2017 e vamos fazer também em dezembro deste ano”, disse Diego Martins (29), assessor da 4ª Vara da Infância e Juventude de Belém, idealizador do projeto. Diego conta que após a identificação dessa necessidade, e a partir da doação dos materiais, a escola passou de 20 alunos que concluíram o ano letivo em 2014, para 55 alunos que concluíram em 2017. “O requisito para recebimento do material escolar é ter cursado todo o ano letivo na escola municipal da comunidade Cruzeirinho”, disse Diego.

Segundo o assessor, a mobilização das pessoas que apoiam o projeto foi tão grande que a arrecadação deste ano superou. Com isso, o grupo ajudou outras escolas, como a Escola Estadual Professora Esther Bandeira Gomes, no bairro da Sacramenta, em Belém. “A gente conseguiu superar a meta de arrecadação dos cadernos e foi possível atender a outras escolas. Hoje fizemos o atendimento de 100 alunos na escola Ester Bandeira”, afirmou Diego.

Para os apoiadores, ajudar o projeto não tem preço. “O sentimento é maravilhoso. Poder ajudar essas crianças e ver os olhinhos delas brilhando de felicidade. Vi muitos desses olhos hoje, muitos sorrisos e abraços que não têm preço. Coisas simples que vou carregar comigo pelo resto da minha vida e continuar ajudando mais e mais para receber um abraço, um sorriso e um 'obrigado, tio'. Isso não tem preço. Sinto-me feliz em ter ajudado essas crianças”, destacou Diego Melo (31), analista de sistemas, apoiador do projeto.

Até para quem já trabalha com ações sociais, participar do projeto é mudar a perspectiva de vida. “A gente pensava que elas iriam preferir um brinquedo, mas esse é o melhor presente que o projeto poderia oferecer, incentivo à educação, sem fazê-las se sentirem vítimas, porque o projeto leva esperança e incentivo emocional também. Ver o quanto essas crianças são tocadas, ao ganharem esse kit de material escolar, muda a nossa perspectiva de vida”, disse Monique Loma (31), assistente social da Marinha, que faz parte do projeto desde 2015.

Os organizadores do projeto ainda estão recebendo doações de cadernos com capa dura, grande, com 96 folhas. Para ajudar  basta entrar em contato pelo telefone (91) 98212-6067 ou nas redes sociais pelo perfil @direitosemformalismo.

 Por Rosiane Rodrigues.

 

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A UNINASSAU inicia nesta segunda-feira (17) a Mostra Campus, evento que tem o objetivo de apresentar a estudantes de escolas públicas e particulares as principais características de cursos de nível superior. O encontro, realizado na unidade Boa Viagem do centro universitário, Zona Sul do Recife, espera receber um público superior a 7 mil pessoas, que terão a oportunidade de conhecer em detalhes mais de 40 cursos ofertados pela instituição do Grupo Ser Educacional.

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Além de palestra de boas vindas, os estudantes passeiam por vários estandes onde universitários da UNINASSAU expõem algumas atividades desenvolvidas em seus respectivos cursos. O público também pode participar da Pesquisa de Orientação Profissional, que traz um panorama que deve identificar qual formação se encaixa melhor nas características dos estudantes. Nutrição, enfermagem, medicina, direito e muitas outras áreas do conhecimento são apresentadas no evento que tem entrada gratuita para as escolas previamente inscritas. As visitas são realizadas até a sexta-feira (21), das 8h às 18h.

Letícia Luzinete, 18 anos, aluna da Escola Estadual Alfredo Freire, do bairro do Arruda, Zona Norte do Recife, é uma dos participantes da Mostra Campus. Ela e os amigos do terceiro ano do ensino médio visitaram o oitavo andar da unidade, onde tiveram contato com o curso de ciências da computação. Os jovens experimentaram óculos de realidade virtual para entrar, literalmente, no universo dos games, bem como conheceram pontos importantes da inteligência artificial.

"A área de jogos me empolgou muito, principalmente porque gosto muito de tecnologia. Essa vivência do mundo virtual ajuda bastante, porque faz você entrar no jogo", disse a estudante.

Nas dependências do Campus Boa Viagem da UNINASSAU, os estudantes passeiam pelos andares onde se deparam com os espaços que representam os cursos. Em cada canto há um momento de aprendizado e orientação profissional, principalmente para os jovens que estão no ensino médio e bem próximos de chegar à universidade. 

De acordo com a coordenadora do curso de enfermagem da UNINASSAU, Terezinha Lima, o evento é uma oportunidade para o estudante entender as experiências dos cursos de graduação. Durante a Mostra, os visitantes puderam acompanhar simulações de socorro a vítimas de acidente de motocicletas. As maquiagens que representam ferimentos, por exemplo, foram feitas por alunos do curso de Estética e Cosmética.

]“O evento mostra a importância da vivência do aluno em relação a ter experiências de como cada curso se comporta, dentro de um hospital, UPA, dentro de suas especificidades. A gente simula uma fratura em um membro inferior, de um acidente de motocicleta, em que os alunos vão fazer toda a movimentação de primeiros socorros”, destacou a coordenadora do curso de enfermagem.

O vice-reitor da UNINASSAU, Antônio Neto, conversou com o LeiaJá e deu mais detalhes sobre a Mostra Campus. Confira:

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Com informações de Katarina Bandeira 

De janeiro a junho deste ano, 3.997 escolas e creches da rede pública foram atacadas por criminosos no estado de São Paulo. Em 2017, o prejuízo com roubos e furtos atingiu 8.394 instituições de ensino, o equivalente a cerca de 22 ataques por dia. Os dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.

Muitas dessas escolas e creches ficaram sem funcionar por vários dias até que fossem recuperados os itens perdidos. Nem mesmo as grades, câmeras de segurança e cercas de arame impediram a ação dos criminosos.

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Nesta semana uma escola de São José do Rio Preto, no interior do estado, foi invadida e tiveram suas salas de aula completamente reviradas. Em Ribeirão Preto, outra cidade do interior paulista, os bandidos destruíram o laboratório, as salas de aula e a copa. Foram gastos R$ 70 mil na reforma. Já no município de Rio Claro, uma escola foi alvo de criminosos sete vezes, quatro somente neste ano.

Em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, as câmeras de segurança registraram a ação dos bandidos que levaram a televisão de uma creche que atende 146 crianças. E em outra creche, desta vez em Osasco, também na região metropolitana, uma TV comprada com o dinheiro arrecado na festa junina também foi roubada.

O diretor do Instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional, Ernesto Faria, afirmou que o vandalismo deixa crianças sem aula, além de gerar prejuízos para a educação pública que já é afetada pela ausência de recursos.

“Tem que ter segurança pública e o apoio do governo de modo geral, porque senão a escola só vai ser um pedacinho de um todo, principalmente em regiões mais periféricas que a gente sabe que são mais violentas”, explicou.

A atriz de Hollywood Natalie Portman qualificou como "guerra civil" os ataques a tiros em escolas dos Estados Unidos, nesta terça-feira (4), comparando o tormento psicológico que eles causam à ameaça de ataques terroristas em Israel.

A atriz vencedora do Oscar fez a comparação antes da estreia de seu novo filme sobre uma diva pop traumatizada, "Vox Lux", que começa com um massacre no estilo Columbine.

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"Tenho me interessado pelas questões em torno da psicologia do que a violência faz com os indivíduos e com a psicologia de massa há algum tempo, vindo de um lugar onde as pessoas vêm sofrendo violência por tanto tempo", disse a estrela israelense.

"Infelizmente, é um fenômeno que agora experimentamos regularmente nos Estados Unidos com os ataques a tiros nas escolas".

"Como (o diretor) Brady (Corbet) colocou, é um tipo de guerra civil e terror que temos nos EUA", disse a repórteres.

Os regulares assassinatos em massa estavam tendo um "impacto psicológico em cada criança indo para a escola todos os dias e em cada pai deixando seus filhos lá", acrescentou. "Pequenos atos de violência podem causar um tormento generalizado".

Portman, de 37 anos, interpreta uma cantora que fica gravemente ferida em um banho de sangue em sua escola, mas constrói uma carreira pop depois que canta em um memorial para seus colegas de classe.

O diretor do filme, Corbet, que era colegial no Colorado na época da matança de Columbine, confessou que o massacre o "marcou psicologicamente".

"Eu morava lá quando aconteceu. Foi perto da minha casa", disse.

Corbet, que é mais conhecido pela sua carreira de ator, estava editando sua premiada estreia na direção, "A infância de um líder", em Paris quando a cidade foi atingida por uma onda de ataques terroristas em 2015.

"Eu tinha um bebê de cinco meses naquele momento, e eu e minha esposa ficamos abalados com isso. Um restaurante que foi alvejado era um lugar que íamos algumas vezes por semana", disse.

Corbet descreveu sua história como uma "ruminação poética do que todos nós passamos. (...) Vivemos em uma era de ansiedade. Estamos tendo mais noites sem dormir do que nunca".

"Quando eu penso sobre o que definirá o início do século XXI, especialmente como um americano, é Columbine, 11 de setembro e a ameaça terrorista global que permeou todos os lugares onde eu vivi. Queria olhar para o que todos nós passamos nos últimos 20 anos", disse à revista Screen.

O diretor - um dos 21 que concorrem ao prêmio Leão de Ouro em Veneza, que será entregue no sábado - disse que levou um ano só para montar a trilha sonora do filme antes de começar a filmar.

"Vox Lux" é o segundo grande filme baseado na música pop a favorecer a ascensão de uma cantora em Veneza. Na semana passada, Lady Gaga recebeu boas críticas por sua estreia como protagonista em um remake de "Nasce uma estrela".

A meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) estabelecida para 2017 foi cumprida apenas nos anos iniciais do ensino fundamental, etapa que vai do 1º ao 5º ano. A etapa alcançou 5,8 (em uma escala que vai de 0 a 10), quando a meta estipulada era de 5,5.

No ensino médio, etapa mais crítica, o índice avançou 0,1 ponto, após ficar estagnado por três divulgações seguidas, chegando a 3,8. A meta para 2017 era 4,7.

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Nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, a meta foi descumprida pela primeira vez em 2013 e não atingiu mais o esperado. Em 2017, com Ideb 4,7, o país não alcançou os 5 pontos esperados.

“Apesar do crescimento observado, o país está distante da meta projetada”, avalia o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Ideb.

Divulgado nesta segunda-feira (3) pelo Ministério da Educação (MEC), o Ideb é o principal indicador de qualidade da educação brasileira. O índice avalia o ensino fundamental e médio no país, com base em dados sobre aprovação nas escolas e desempenho dos estudantes no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O resultado do Saeb foi divulgado na semana passada pelo MEC.

Desde a criação do indicador, em 2007, foram estabelecidas diferentes metas (nacional, estadual, municipal e por escola) que devem ser atingidas a cada dois anos, quando o Ideb é calculado. O índice vai de 0 a 10. A meta para o Brasil é alcançar a média 6 até 2021, patamar educacional correspondente ao de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

 Nos Estados

O ensino médio é a etapa mais crítica, com a meta descumprida em todos os estados. Além de não terem alcançado o índice esperado, cinco estados tiveram redução no valor do Ideb entre 2015 e 2017: Amazonas, Roraima, Amapá, Bahia e Rio de Janeiro. O estado com melhor Ideb, o Espírito Santo, obteve 4,4 pontos, não atingindo a meta de 5,1 para o estado.

 Nos anos finais do ensino fundamental, sete estados alcançaram ou superaram a meta proposta para 2017: Rondônia, Amazonas, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Mato Grosso e Goiás. A situação melhorou em relação a 2015, quando cinco estados alcançaram a meta. No ano passado, Alagoas e Rondônia somaram-se à lista. Minas Gerais foi o único Estado que teve queda do Ideb na etapa de ensino em 2017.

 Já nos anos iniciais do ensino fundamental, apenas os estados do Amapá, Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul não alcançaram as metas para 2017. Oito unidades federativas alcançaram Ideb igual ou maior que 6: Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Ceará, Paraná, Santa Catarina, Goiás e Distrito Federal. Na etapa, a maior diferença positiva em relação à meta ocorreu no Ceará que, com um Ideb 6,2, superou a meta 4,8 para o estado em 1,4 ponto.

 Na análise do Inep, os números mostram avanços importantes, sobretudo nos anos iniciais do ensino fundamental, mas também, algumas preocupações que precisarão ser discutidas no âmbito das escolas.

 A autarquia ressalta que será necessário “indispensável apoio e colaboração dos níveis mais elevados de gestão nos municípios, nos estados e no Ministério da Educação, para que o desempenho dos estudantes brasileiros possa seguir uma trajetória de melhoria”.

Em comemoração ao Dia do Voluntariado, o presidente Michel Temer e o ministro da Educação, Rossieli Soares, homologaram, na manhã desta terça (28), as diretrizes que permitem que as horas de trabalho voluntário dos alunos de escolas e universidades possam ser computadas como carga horária. De acordo com o Governo Federal, o objetivo da medida é estimular esse tipo de atuação. 

 As atividades voluntárias poderão ser incluídas na carga horária mínima do currículo ou serem contadas como horas a mais, sendo a política uma opção de cada instituição de ensino. Apenas na educação básica, as horas de voluntariado, caso sejam adotadas, deverão ser obrigatoriamente contabilizadas como acessórias e complementares ao conteúdo mínimo obrigatório. “O que estamos trazendo é a importância de termos agora a possibilidade, de acordo com as próprias instituições educacionais da educação básica e superior, de trazer o voluntariado para dentro dos seus currículos, se desejado pela instituição e, logicamente, pelo próprio voluntário”, comentou Rossieli Soares.

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O ministro elogiou o trabalho do Conselho Nacional de Educação (CNE) em prol da homologação da resolução. “Mais do que trazer os educandos brasileiros para o voluntariado, é o que o voluntariado pode fazer pela educação, pela transformação da educação do Brasil”, explicou Rossieli Soares.

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, acrescentou ainda que a resolução busca promover a utilização dos espaços escolares e universitários para ações voluntárias. “Esta valorização se dará, inclusive, dentro dos currículos acadêmicos, tendo como princípios orientadores, o desenvolvimento integral dos educandos e a articulação com as comunidades locais e o entorno escolar”, concluiu. 

O Ministério Público do Estado de Roraima  entrou com uma ação civil contra o governo do estado e a Secretaria Estadual de Educação pedindo a regularização da distribuição de merenda escolar para os alunos do ensino fundamental das escolas estaduais de Boa Vista e Cantá.

 "A falha no fornecimento de merenda é algo grave e requer medidas urgentes por parte do governo, uma vez que a alimentação escolar adequada é indispensável ao processo de aprendizagem dos alunos”, declarou a promotora de Defesa da Educação, Érika Michetti.

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Por meio de nota, o MPRR informou ter tomado conhecimento do caso a partir de uma denúncia formalizada na Promotoria de Justiça de Defesa da Educação. Constava na reclamação que gestores das escolas estariam usando recursos pessoais para complementar a merenda oferecida aos estudantes.

O MPRR constatou, após inspeção no Departamento de Apoio ao Educando (DAE), que no local havia “uma pequena variedade de produtos e todos em quantidade insuficiente para suprir a demanda de um único dia, acaso viessem a ser distribuídos corretamente a todas as escolas”.

“Além da falta de fornecimento da merenda escolar, os alunos vêm consumindo alimentos que, certamente, fogem aos padrões ideais conferidos pelos profissionais habilitados. Essa omissão do Poder Público poderá ocasionar sérios prejuízos aos estudantes”, argumentou, por meio de nota, a promotora.

A ação foi protocolada no último dia 24 de agosto na Vara da Infância e da Juventude. Caso a Justiça acolha o pedido do MPRR, o estado poderá ser obrigado a fornecer, imediatamente e de forma regular, a merenda a todos os alunos do ensino fundamental da rede estadual de ensino, sob pena de multa diária no valor de R$ 1.000 por escola.

 

As disputas do futsal nos Jogos Escolares de Pernambuco chegaram ao fim na última quinta-feira (23). As categorias masculinas e femininas tiveram suas finais realizadas e os campeões premiados. O destaque ficou para escolas do Recife que ficaram com três dos quatro ouros do dia.

Na categoria 15 a 17 anos feminino, o Colégio Elo (Recife) e a EREM de Itaparica (Jatobá), a equipe da capital levou a melhor por 5 x 2. Entre as meninas de 12 a 14 anos, o Sorriso de Petrolina goleou por 4x0 a equipe da Escola Governador Wilson Campos, de Paulista, na única final sem um time do Recife.

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Nas categorias masculinas, o Colégio 2001 goleou por 5x0 o Colégio Ana Nery, de Petrolina entre os meninos de 12 a 14 anos, enquanto o BJ, também do Recife, ficou com o ouro entre 15 a 17 anos após vencer a Escola Monsenhor Manoel Marques na única final totalmente recifense do futsal.

“Vimos no futsal a integração de todo o Estado. Equipes do Sertão, da Zona da Mata e da Região Metropolitana jogando de igual para igual e subindo ao pódio. O futsal tem evoluído, com a melhoria do nível técnico e revelando novos atletas, mostrando a força da base do nosso esporte. Tenho certeza que nosso futsal será muito bem representado nos Jogos Escolares da Juventude”, comentou o secretário executivo de Esportes Diego Pérez.

A fase estadual dos JEPs vai até o dia 28 de agosto, com as disputas do basquetebol feminino e do handebol masculino e, no total, conta com a presença de 2.500 participantes. Todos os alunos-atletas têm hospedagem, alimentação e transporte garantidos até o fim das disputas. Os campeões dessa fase se classificam para os Jogos Escolares da Juventude, maior competição escolar do Brasil.

Resultados

15 a 17 anos feminino:

Campeão - Colégio Elo (Recife)

Vice-campeão - EREM de Itaparica (Jatobá)

Terceiro lugar - Escola Carlos Pena Filho (Salgueiro)

12 a 14 anos feminino:

Campeão - Sorriso Colégio e Curso (Petrolina)

Vice-campeão - Escola Governador Carlos Wilson Campos (Paulista)

Terceiro lugar - Colégio Damas (Recife)

15 a 17 anos masculino:

Campeão - Colégio BJ (Recife)

Vice-campeão - Escola Monsenhor Manoel Marques (Recife)

Terceiro lugar - EMAAF (Petrolina)

12 a 14 anos masculino:

Campeão - Colégio 2001 (Recife)

Vice-campeão - Colégio Ana Nery (Petrolina)

Terceiro lugar - Escola Municipal de Paudalho (Paudalho)

Com informações da assessoria de imprensa. 

Os legisladores franceses decidiram em assembleia realizada nesta semana que os estudantes com menos de 15 anos terão que deixar seus smartphones e dispositivos inteligentes em casa ou desligados quando estiverem na escola, a partir de setembro.

As escolas secundárias francesas poderão decidir se implementam ou não a proibição. A medida inclui tablets, computadores e outros dispositivos conectados à internet também. A nova lei faz exceções para estudantes com deficiência, durante atividades extracurriculares e para uso pedagógico dos aparelhos.

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A medida foi uma promessa de campanha do presidente francês Emmanuel Macron. "Compromisso realizado", escreveu, em seu perfil. A proibição de smartphones, bem como outros tipos de dispositivos conectados à internet, aplica-se a crianças entre 3 e 15 anos de idade.

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Cerca de 116 mil alunos e 6 mil educadores das 141 escolas da rede municipal de Guarulhos, na Grande São Paulo, retornarão às aulas na próxima segunda-feira (23). O recesso, que ocorreu entre os dias seis e 20 de julho, envolveu as instituições de Educação Infantil, Ensino Fundamental e EJA (Educação para Jovens e Adultos).

De acordo com a prefeitura, na primeira semana de aula os gestores, professores e demais funcionários das escolas se reunirão para o planejamento escolar do 2º semestre, momento de reorientação das ações e práticas desenvolvidas nas unidades de ensino.

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Neste ano, as escolas da Rede Municipal elaboraram seus planejamentos pautados na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), criada pelo governo Federal para adequação dos sistemas de ensino. Agora, com a volta às aulas, as instituições darão sequência ao ano letivo com a continuidade das ações pedagógicas elencadas desde o início de 2018.

O PSOL ajuizou, no Supremo, a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 522 contra leis dos municípios de Petrolina e Garanhuns, em Pernambuco, que aprovam o plano municipal de educação e vedam políticas de ensino com informações sobre gênero.

Segundo o partido, as normas municipais - Leis 2.985/2017 e 4.432/2017, respectivamente -, invadem competência privativa da União para legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional, conforme estabelece o artigo 22, inciso XXIV, da Constituição Federal. As informações foram divulgadas no site do Supremo - Processo relacionado (ADPF 522)

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Ao vedar a adoção de políticas de ensino que façam referência à diversidade sexual, sustenta a legenda, as leis municipais pernambucanas "desrespeitam normas editadas pela União, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/1996) e o Plano Nacional de Educação (Lei 13.005/2014), de observância obrigatória por todos os entes federados".

O PSOL sustenta também que a Constituição "adotou a concepção de educação como preparação para o exercício de cidadania, respeito à diversidade e convívio em sociedade plural, com múltiplas expressões religiosas, políticas, culturais e étnicas". Assim, o banimento de determinado tema do sistema educacional pela via legislativa seria "incompatível com o direito público subjetivo ao acesso a ensino plural e democrático".

Além disso, segundo o site do Supremo, a legenda sustenta que ao sonegarem dos estudantes a discussão sobre sexualidade e diversidade de gênero, as leis locais "contribuem para perpertuar a cultura de violência, tanto psicológica quanto física, contra as mulheres e a população LGBT do País, distanciando-se do objetivo constitucional de construir uma sociedade livre, justa e solidária (artigo 3.º, inciso I)".

O relator, ministro Marco Aurélio, pediu informações aos prefeitos de Petrolina e Garanhuns e às Câmaras Municipais e, na sequência, a manifestação da Advocacia-Geral da União (AGU) e o parecer da Procuradoria-Geral da República.

"A racionalidade própria ao Direito direciona no sentido de aguardar-se o julgamento definitivo", afirmou Marco Aurélio, em decisão monocrática.

Defesas

A reportagem fez contato com as prefeituras de Petrolina e Garanhuns, mas não havia recebido respostas até a publicação desta matéria. O espaço está aberto para manifestação.

A Prefeitura de Guarulhos anunciou que a 48° edição da Olímpiada Colegial Guarulhense está prevista para acontecer em setembro. De acordo com o subsecretário de Esportes, Iltonjorge Roque, a escolha do mês é devido ao fim das provas escolares.

Na edição do ano passado, mais de 7 mil alunos de redes públicas e privadas participaram do evento, em que a escola Eniac ganhou a competição. Entre as modalidades estavam Atletismo, Basquete, Capoeira, Damas, Futebol, Futsal, Ginástica Artística, Ginástica Rítmica, Handebol, Judô, Karatê, Natação, Voleibol, Tênis, Tênis de Mesa e Xadrez.

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Valiosos mestres, responsáveis por nos guiar da nostalgia escolar aos braços da universidade. Com horas de trabalho quase que intermináveis, extraem o melhor dos livros e compartilham conosco todo o aprendizado na esperança de que sejamos grandes profissionais e integrantes de uma sociedade menos desigual e com mais educação. Na empreitada de quem teve a oportunidade de estudar desde o ensino básico ao ensino superior, eles sempre serão primordiais. Salve os professores! No entanto, os salvem também de tantos problemas.

Nesta sexta-feira (28), o LeiaJa.com publica a série de reportagens “Profissão professor: desafios dos educadores brasileiros”, que mostra em detalhes os desafios, virtudes e problemas de uma das categorias mais importantes para a formação educacional e social dos brasileiros. Mesmo tão importantes para as escolas e universidades, os docentes ainda amargam dificuldades em um país que sofre com uma educação ferida, mas que ainda é, sem rodeios, a principal ferramenta de ascensão social.

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Baixos salários que resultam em jovens cada vez mais distantes da formação docente no ensino superior. Educadores marcados por uma remuneração que, em muitos momentos, não chega nem perto do seu real valor profissional. Violência, falta de estrutura principalmente nas escolas públicas. Escassos investimentos nas universidades. É longa a lista de problemas que marcam os professores brasileiros.

Problemas esses, no entanto, que não ofuscam o brilho de muitos mestres. Seja no empreendedorismo, no esforço dobrado da docência e pesquisa, ou na missão honrosa de quem abre mão de dinheiro por uma sociedade mais justa graças à educação, professores do Brasil inteiro superam as mazelas com muito raça para levar o melhor do aprendizado aos seus alunos.

Na nossa série “Profissão professor: desafios dos educadores brasileiros”, sete reportagens multimídia abordam a rotina de docentes brasileiros e suas relações com os estudantes. Apesar de não ser valorizada como verdadeiramente merecia, a carreira docente ainda representa uma ponte firme e forte entre a escola e a tão sonhada chegada à universidade. O LeiaJa.com convida os nossos leitores a analisarem o universo profissional dos professores do Brasil e compreenderem de que forma é possível reverter um quadro ainda muito distante do ideal. Confira, a seguir, um resumo das matérias e os links que direcionam para os textos multimídia na íntegra: 

Primeira reportagem: Baixa procura por licenciaturas exige sérias medidas –Diante de um cenário repleto de problemas como baixos salários e desvalorização profissional, os cursos de licenciatura sentem, cada vez mais, a baixa procura dos estudantes brasileiros. Nas universidades, os poucos jovens que resolvem iniciar uma graduação para ser professores acabam desistindo da carreira. Especialistas chegam a cogitar que há o risco de colapso de educadores no futuro. Acompanhe os detalhes da problemática na reportagem, assim como ações que podem mudar esse panorama.

Segunda reportagem: Remuneração adequada do professor ainda é desafio diário – É praticamente unanimidade. Nos protestos dos professores realizados Brasil afora, a pauta salarial sempre tem força, guiando as reclamações da categoria e travando as negociações com os gestores nos âmbitos municipais, estudais e federais. O problema, inclusive, tem relação direta com os investimentos que o Brasil faz em educação. Investimentos esses muito aquém dos aplicados nos países desenvolvidos. Confira os detalhes na reportagem. 

Terceira reportagem: Professores por vocação – Mais que voluntários, realizadores de sonhos. As dificuldades salariais de muitos professores não encobrem a vontade de quem entende que a educação é fundamental o fim da desigualdade social no Brasil. Nesta reportagem, contamos histórias de professores que dedicam-se ao voluntariado na esperança de ver seus alunos, muitos deles pobres e à margem de uma educação igualitária, ostentando um diploma de nível superior. Um cursinho para pessoas transexuais. Um preparatório para jovens pobres. Duas inciativas que somam milhões de sonhos.  

Quarta reportagem: Professor empreendedor, entre a sala de aula e o negócio – Nesta matéria, mostramos com a visão empreendedora dos professores resultam em que a educação é a alma do negócio. Detalhamos o mercado de preparatórios para as principais universidades do Brasil, em que há docentes que, além de dedicarem suas horas de trabalho às salas de aulas, se lançam em meio às contas e funções administrativas para manterem seus empreendimentos de pé diante de um cenário cercado por concorrentes. No final de tudo, a aprovação no ensino superior vira sinônimo de lucro.

Quinta reportagem: Professores encaram desafios e cobrança no ensino superior - Além dos ambientes escolares e preparatórios para cursos superiores, o ambiente acadêmico é desafiador para os educadores brasileiros. Na universidade pública, a rotina da sala de aula divide espaço com o universo da pesquisa científica. As faculdades privadas também exigem docentes com experiência de sala, mas não abre mão das habilidades aprendidas no mercado de trabalho. Saiba mais na reportagem. 

Sexta reportagem: Aprendendo a ensinar a distância, o desafio do professor. O espaço físico de uma escola ou universidade não é mais o intocável local de aprendizado. O ensino a distância é mais que uma realidade no Brasil e, consequentemente, passou a exigir dos docentes uma nova forma de compartilhar conteúdo. A relação da tecnologia EAD com o mercado profissional dos professores você vê em detalhes nesta matéria. 

Sétima reportagem: Da escola à universidade: análises sobre o futuro docente – O que podemos esperar das novas formas de aprendizado? Como será a relação dos professores com as novas ferramentas tecnológicas? E o estudante universitário, de maneira vai encarar a graduação e o mercado de trabalho? As respostas para essas e outras perguntas integram as análises de especialistas em educação entrevistados nesta reportagem. Eles traçam as tendências que configuram o que deve ser o professor do futuro, tanto no âmbito universitário quanto no escolar.

Reforçamos o convite, caro leitor! Acompanhe a nossa série e compartilhe. Nossos professores não podem ser esquecidos. Não existe profissional sem o trabalho do professor. Boa leitura!

Expediente da série:

Reportagens: Nathan Santos; Eduarda Esteves e Marília Parente.

Edição de textos: Nathan Santos

Repórteres fotográficos: Chico Peixoto, Rafael Bandeira e Júlio Gomes. 

Edição de vídeos: Danilo Campello 

Artes e pós-produção: Raphael Sagatio 

Era véspera de uma prova importante. Para muitos jovens, contudo, bem mais do que uma grande avaliação educacional, o exame representava a ponte mais firme no caminho entre a escola e a universidade. Todos sonhavam com as notas que os credenciariam ao ensino superior, porém, tão grande quanto os sonhos era a concorrência. Requisitado desde o ensino fundamental para ajudar os amigos de classe com os “assuntos difíceis”, Celso Lucas Gomes da Silva carregou, até o ensino médio, o costume de compartilhar o que sabia com os amigos que apresentavam dúvidas. E nos dias que antecediam a tal prova - o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) -, o garoto não deixou de lado os companheiros de sala: prontificou-se a estudar junto com eles, afinal, ensinar era o seu dom, mérito que ostenta com orgulho.

Biologia e química eram as especialidades de Celso. Porém, suas notas nas demais disciplinas também os honraram como um estudante dedicado, apaixonado pelos livros e admirador dos seus mestres. Os professores os inspiravam. Eram, para Celso, motivos de orgulho. Ele preservou o que gostava de fazer, de forma espontânea, movido pela educação. Dias antes do Enem, em 2016, não hesitou em ensinar a um colega. “Um amigo tinha dificuldades em química, praticamente não teve a base da disciplina e queria cursar a graduação de bioquímica. Ou seja, Natureza tinha um peso grande. Por isso, revisei durante um mês todo o conteúdo com ele. Quando ele foi fazer o Enem, conseguiu acertar mais questões do que eu. Fiquei muito feliz, me marcou bastante, essa história me deu a certeza de que eu deveria ensinar”, relembra Celso com largo sorriso.

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A relação de Celso com a educação reservou novos capítulos para o jovem. E nas suas veias, corre o sangue de uma educadora. Professora, a mãe do rapaz era a responsável por uma sala de aula inclusiva, em uma escola da rede municipal de ensino de Olinda, na Região Metropolitana do Recife. Quando sua mãe enfrentou um problema de saúde, o jovem recebeu a missão de continuar as aulas e conhecer de perto a rotina de alunos diagnosticados com autismo, dislexia e Síndrome de Down. Durante seis meses, o aprendizado foi mútuo; Celso compreendeu o poder inclusivo da educação e reforçou seu desejo de compartilhar conhecimento. Ele sabia que deveria tornar-se professor. “Percebi que dar aulas não era algo irritante, sabe? Os alunos me perguntavam e eu tinha prazer em repetir até eles compreenderem. Enquanto eu dava aula, me sentia incrível. Me sentia um agente modificador que estava contribuindo para as pessoas”, descreve Celso.   

Momento importante, muitas vezes que determina o futuro profissional dos jovens brasileiros, o fim do ensino médio para Celso foi marcado por um embate. Apesar do dom de ensinar e do amor pelo trabalho de professor, comentários negativos a respeito da carreira docente, oriundos em várias ocasiões de parentes próximos, criaram barreiras para ele escolher de vez a licenciatura como formação. “Ouvia: ‘tão estudioso para ser professor’”, recorda. As críticas, no entanto, não surtiram efeito. Inspirado por uma professora de biologia, ele resistiu, sustentou a vontade de ensinar e ser, como o próprio Celso classifica, um agente transformador da sociedade. “Tinha uma professora no ensino médio chamada Patrícia que mostrou como dar aula a partir de práticas pedagógicas inovadoras. Fazia muitos trabalhos interativos com os alunos, todo semestre ela dava os assuntos de forma lúdica. Ela provava que ensino não pode ser engessado, apenas no quadro”, conta.

Celso foi aprovado no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) em 2016. No ano seguinte, iniciou sua vida educacional no ensino superior, na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Hoje, aos 19 anos, o jovem natural de um bairro periférico da cidade de Olinda e que sempre estudou em escolas públicas, faz o terceiro período de licenciatura em biologia. Continua fortalecendo seu desejo de chegar em uma sala de aula e disseminar educação entre seus alunos, com o discurso de que a figura do professor, apesar de tantos problemas, segue sendo fundamental para a sociedade brasileira. Ao recordar da aprovação no Sisu, que teoricamente deveria ser motivo de comemoração para toda a família e amigos, Celso revela mais uma crítica que ouviu de um parente: “Se você tivesse estudado mais teria passado em um curso melhor”. “Ele (o parente) sempre soube que eu queria ser professor, mas não aceitava, justamente pelo estereótipo de que professor não ganha bem e que não é valorizado”, relata Celso.

Celso no Campus Recife da UFRPE - Foto: Rafael Bandeira/LeiaJáImagens   

“Eu sei que ser professor no Brasil é terrível quando falamos das condições horríveis de trabalho, de desvalorização, de baixos salários. O Brasil ainda precariza muito o professor como profissional, enquanto em outros países é um trabalho muito mais valorizado. Até existem professores que não indicam aos seus próprios alunos de ensino médio a carreira de licenciatura, por causa de todos esses problemas. Mas, quando eu fui acompanhando as fases escolares, vi que gostava muito de ensinar, de ajudar os amigos. Sempre tive vontade de ajudar a sociedade, de fazer o bem para todo mundo, desde o fundamental até o ensino médio. E sempre reparei que professor tinha muito disso, de ajudar os estudantes”, finaliza o jovem Celso.

Agora, nos corredores da universidade, o jovem pernambucano busca retribuir toda inspiração que o fez escolher a docência. Celso faz do ensino superior uma valiosa oportunidade de enriquecer sua formação educacional e principalmente de fortalecer seu desejo de compartilhar saberes, não de maneira autoritária, mas disposto a receber de seus futuros alunos conhecimentos e vivências sociais. Para Celso, hoje a relação entre professor e aluno é uma troca. Segundo ele, não há mais espaço para que o docente seja o único dono da verdade. Celso diz, contudo, que apesar dessa troca, a figura do professor ainda precisa ser a de um mestre que contribuirá para todo o cidadão que almeja chegar à universidade e tornar-se um profissional qualificado. Por isso, o jovem repete, incansavelmente, que a educação carece de valorização, tanto do poder público quanto da própria população.

Celso é exceção. O desejo de tornar-se professor é cada vez mais escasso entre os jovens brasileiros. Diante de um cenário desmotivador, em que baixos salários, cargas excessivas de trabalho, violência nas salas de aula e falta de investimentos públicos assola a educação brasileira, poucos jovens almejam ingressar na carreira docente. Um recorte do Ministério da Educação (MEC) aponta que apenas 2% dos estudantes que saem do ensino médio escolhem a docência. 

Outro levantamento também expressa como a carreira de professor sofre com desistências. De acordo com um estudo do Movimento Todos pela Educação, que teve como base dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a cada 100 jovens que ingressam em licenciaturas ou cursos de pedagogia, somente 51 concluem as graduações. Além disso, o levantamento identificou que entre esses alunos que terminam os cursos, apenas 27 demonstram interesse em seguir na profissão de educador.

Nada promissores, os números sobre os cursos de licenciatura preocupam especialistas em educação e escancaram a necessidade de investimentos na carreira docente por parte do poder público. Enquanto não houver valorização da profissão, principalmente no quesito salarial, o quadro tenderá a ser crítico. Nos últimos anos, os índices decadentes reiteram que estudantes brasileiros estão evitando a formação docente na hora de se inscrever para as seleções de universidades públicas e privadas. De acordo com uma preocupante pesquisa do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), entre 2010 e 2016, a quantidade de alunos que entraram em cursos de licenciatura caiu 10%. O levantamento ainda aponta que só 39,5% dos formados em licenciatura continuaram trabalhando na área.  

Ainda sobre a queda na procura por licenciaturas, o MEC detalhou, a pedido do LeiaJa.com, os números das últimas edições de inscrições em formações de professor por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Assim como em outros levantamentos, o resultado não é positivo. Segundo balanço do Ministério da Educação, entre as edições 2015 e 2018 do Sisu, houve uma queda de quase 27% no quantitativo de inscritos em licenciaturas.

Como pesquisas apontam, começar um curso superior para ser professor não implica que o universitário continuará na graduação até o fim. Em outro levantamento a partir de um estudo do Inep realizado em 2015, o Movimento Todos pela Educação concluiu que nas licenciaturas, entre os que concluem as formações, um grande percentual de formados desiste da docência mesmo com o diploma na mão. Em biologia, química e física, por exemplo, os percentuais de desistência são 49,9%, 54,5% e 60%, respectivamente.

Apesar das dores da formação e dos empecilhos do mercado de trabalho docente, Berg Figueiredo, 30 anos, persistiu. Natural de Olinda, ele escolheu a carreira de professor, mas sente os efeitos de uma profissão que para render uma remuneração digna, exige uma carga horária extenuante. Berg prestou vestibular em 2006 e, no ano seguinte, entrou na universidade. “Rolou a química com a química”, brinca.

Já são dez anos na carreira de professor. Berg relembra que dos 40 alunos que ingressaram na sua turma de licenciatura, na UFRPE, apenas quatro concluíram a graduação. “Muitos desistiram principalmente por acharem que a profissão não traria dinheiro e muito menos valorização. Trocaram de curso! O próprio povo brasileiro ainda tem essa imagem ruim do professor, porque ainda existem inúmeros problemas que afetam a profissão”, conta. “E das pessoas que se formaram, além de mim, praticamente ninguém seguiu na profissão”, complementa. 

De acordo com Berg, as experiências em sala de aula ainda no período da graduação o fizeram continuar na carreira. Durante seis meses, participou de um projeto pré-vestibular e ajudou dezenas de alunos na preparação rumo à aprovação para o ensino superior. “Foi um contato marcante. Seis alunos foram aprovados para o ensino superior e percebi que tive minha contribuição na realização desse sonho. Revivi o momento da minha aprovação no vestibular, que é um sentimento mágico”, recorda o professor de química.

Durante os mais de dez anos como professor, Berg se dividiu em dar aulas em escolas privadas, pré-vestibulares e no próprio curso preparatório em que é sócio. “A motivação para continuar vem do meu amor pela educação. Amo estar em uma sala de aula. Quando um professor entra em uma turma, ele se depara com sonhos, histórias de vidas e uma meta em comum: chegar à universidade. Hoje, considero que o professor é um formador de opinião e principalmente é um realizador de sonhos”, descreve Berg. Ele trabalha em todos os turnos de segunda até sexta-feira, em, pelo menos, quatro cidades da Região Metropolitana do Recife e em municípios do interior de Pernambuco. Nos finais de semana, ainda se dedica a aulas-extras, eventos pedagógicos, entre outras atividades. “Não é fácil. A gente cansa. Não me sinto frustrado como professor, mas ainda falta muita coisa para valorizarmos a profissão. Falta respeito ao nosso trabalho”, desabafa o professor de química. 

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Diogo Xavier, 29 anos, também seguiu a profissão. Morador de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, o docente da área de letras tem cerca dez anos como educador e reconhece os problemas enfrentados na carreira. Na sua rotina, longas jornadas de trabalho, mas há também a certeza de que a educação é uma ferramenta transformadora. De acordo com Xavier, ajudar seus mais de 600 alunos de ensino médio a chegar à universidade faz com que ele supere todos os empecilhos da profissão.

“Hoje a gente fica muito feliz quando há o reconhecimento do aluno. Certo dia um ex-estudante me parou e agradeceu pelas aulas que teve. Hoje esse aluno comemora a aprovação”, comenta o professor de letras. Sobre os desafios e problemas da profissão, Diogo detalha, no áudio a seguir, sua opinião:

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Na visão dos especialistas, um cenário que pede socorro

Para o diretor executivo do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior, Rodrigo Capelato, a baixa procura pela profissão de professor entre os jovens brasileiros se justifica além da questão salarial. Capelato não é nada otimista diante das pesquisas sobre a educação e traça um panorama que, na prática, não deve apresentar melhoras em um curto prazo.

“O grande problema é que a profissão é extremamente desvalorizada na sociedade atual, não só por uma questão salarial, mas além disso, somado a esse salário baixo, você tem uma precariedade muito forte nas condições de trabalho. Uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostrou que o Brasil está no topo do ranking da violência nas escolas”, argumenta o diretor executivo.

“Segundo a pesquisa da OCDE, 12,5% dos nossos professores disseram que foram agredidos ou intimidados pelo menos uma vez por semana na sala de aula, enquanto que a média internacional foi de 3,4%. A mesma pesquisa colocou que um em cada dez professores no Brasil acredita que a profissão é valorizada, ao mesmo tempo em que a média internacional é de três em cada dez professores. O levantamento foi feito com mais de 100 mil professores e diretores escolares”, acrescenta Capelato.

O diretor executivo do Semesp também explica a baixa procura pelas licenciaturas e a desvalorização da docência a partir da falta de condições adequadas de trabalho. “Você tem uma quantidade insuficiente de professores. Uma situação complicadíssima, porque é preciso que o próprio professor reponha as aulas ou porque os alunos estão totalmente dispersos. Faltam inspetores, auxiliares e apoio para esses professores. Os espaços físicos estão sucateados nas escolas públicas e ainda há insegurança grande no entorno das escolas. O docente acaba sendo o centro de todos esses problemas”, diz o diretor.

Segundo Rodrigo Capelato, a falta de investimentos adequados na educação brasileira também é um sério problema. Reforçando um cenário futuro nada promissor para os professores, o diretor também critica veemente a descontinuidade dos projetos educacionais. “Na pesquisa ‘Um novo olhar sobre a educação’, da OCDE, o investimento por aluno da educação básica no Brasil é de 3.800 dólares por ano, enquanto que a média dos 35 países que participaram do estudo foi de 10.500 dólares por aluno. Você não vê uma política de longo prazo para a educação pública, visando 30, 50 anos. Tive a oportunidade de visitar a Coreia do Sul e lá eles pensam um planejamento anos a frente. Isso nada mais é do que uma política de estado, que não importa quem está governando. É importante entendermos que o governo quando começa a investir em educação não vai colher os frutos nesse mesmo governo”, opina Capelato.

Ainda de acordo com diretor do Semesp, outra questão preocupante é a própria formação dos professores. “Hoje, o processo de educação está vivendo uma inovação muito forte, seja na sua concepção ou nas suas metodologias de ensino. No caso do Brasil, não há essa percepção na formação dos professores, a gente continua com os mesmos currículos, as mesmas formações de décadas atrás. Os programas de formação de professores também estão muito defasados”, acredita o diretor.

Em sua projeção, Rodrigo Capelato prevê um contexto extremamente preocupante. “Infelizmente, os dados não são animadores. As sondagens que a gente tem feito recentemente são de queda na procura por licenciaturas nas universidades públicas e privadas em 2017 e 2018. A impressão que tenho é que só vai mudar quando a gente entrar em um colapso, quando não teremos mais professor de física, matemática, história... Só assim a profissão vai começar a ter uma valorização, porque vai custar caro você contratar professor. Não vejo, a curto prazo, nenhuma mudança nesse cenário”, finaliza.

       

A gerente de projetos do Movimento Todos Pela Educação, Caroline Tavares, também acredita que em um determinando momento haverá falta de professores. Ela ressalta que esse colapso deverá acontecer com disciplinas específicas da área de Natureza, como química, física e biologia. “Já existem estudos que dizem que em dez anos vamos sentir essa falta”, comenta. Sobre a ideia de que a carreira docente é desvalorizada, Caroline acredita que uma cultura social, instaurada no Brasil, explica essa percepção, mesmo existindo exemplos de professores com bons salários, como os educadores donos de cursos preparatórios.

“Tem um problema cultural, que a gente precisa enfrentar quando pensamos em valorização profissional do professor. Ele ainda é visto como coitadinho, que ganha salários ruins. Em alguns casos isso ainda é verdade. Há um senso comum que ser professor você vai se dedicar a uma carreira onde você vai ser mal valorizado, mal remunerado e com péssimas condições de trabalho”, explica a gerente.

Caroline argumenta, contudo, que o Brasil tem um número significativo de professores. “Existem muitos professores no Brasil, é muito fácil você conhecer alguém na sua família que seja professor. Durante muitos anos, essa pessoa foi mal remunerada e, além disso, as condições de trabalho nas escolas ainda não são as melhores. Essa imagem é que propaga nacionalmente. Professor deveria estar recebendo bem mais do que ele recebe”, pontua. “Nos últimos estudos, o Brasil investe menos em educação na comparação com os países que são considerados referência em educação”, acrescenta, ao justificar a desvalorização da categoria.

No ano passado, Caroline iniciou um projeto no Todos Pela Educação que busca despertar nos jovens brasileiros o desejo de seguir a carreira de professor. Um dos pontos principais é fomentar a valorização da profissão e reunir estudantes altamente qualificados, tais como os que apresentam desempenhos elevados no Enem. Entre os pilares do projeto estão atratividade, ações de valorização e justamente a busca por jovens capacitados. “Queremos que os professores sejam bem mais capacitados. É preciso mexer na carreia, oferecer melhores salários e melhores condições de trabalho. O jovem brasileiro precisa entender que o ser professor requer enfrentar desafios. É, de fato, uma profissão muito desafiadora, porque você é o responsável pelo aprendizado e pelo futuro das gerações”, reforça a gerente.

De acordo com a doutora em educação e coordenadora da Pró-Reitoria para Assuntos Acadêmicos (Proacad) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Eleta Freire, a desvalorização dos professores no Brasil é clara. Uma das críticas dela refere-se à problemática da ausência de formação continuada, seja ainda no período da graduação em licenciatura ou após essa etapa. A doutora alerta a necessidade urgente dos docentes investirem em qualificação contínua, algo que pode fomentar melhores salários e melhores condições de ensino. 

“Acho que a gente pode fazer uma análise ampliada. A própria profissão docente precisa ser mais valorizada. Não só com formação inicial, mas formação continuada. Precisaria de um salário que não te obrigasse trabalhar dois, três horários. Temos professores da educação básica que para garantir uma renda que propicie uma vida não tão precária, ele vai ter que trabalhar manhã, tarde e noite. É uma carga de trabalho muito grande e na relação carga versus salário, não é das condições mais atrativas”, analisa a doutora em educação.

Eleta Freire indica ações que podem ajudar a valorizar a carreira de professor - Foto: Chico Peixoto/LeiaJáImagens

Para ela, existe um aspecto fundamental que precisa ser carregado por todos os professores: a identidade docente. Segundo a doutora, essa característica não é tida apenas como um dom; é também um fator que se adquire durante a graduação e formação continuada, desembocando no que se entende por profissionalismo docente. “A identidade docente ajuda muito. Se constrói no processo de formação inicial e continuada. Para além dos bancos da escola, está no olhar sobre a docência. Formação em termos de investimento em mim. É uma profissionalidade que se constrói no exercício da profissão, que vai construindo o gosto pela docência”, opina Eleta.

A doutora salienta ainda que as formações superiores para professor precisam de uma reformulação. Assim como as características sociais mudaram ao longo do tempo, a maneira como se ensina nas escolas também precisa acompanhar a forma como os novos costumes sociais se intensificam. “A formação precisa ser dinâmica. A sociedade não parou há um século, as mudanças são rápidas, as crianças de hoje não são as crianças de anos atrás. Se como docente eu não for me atualizando, se como formação os cursos não vão se atualizando, a tendência é que o curso forme para uma sociedade que não existe mais. Eles precisam estar se reinventando a todo tempo”, alerta. No áudio a seguir, a doutora em educação ainda traz uma reflexão sobre o histórico das licenciaturas:

Para Eleta, hoje os professores enfrentam sérios desafios, mas ela acredita que os principais são as barreiras que dificultam a formação continuada e as mudanças sociais que impactam a rotina dos estudantes. “Como desafio é a própria dinâmica social que a gente vive hoje. O estudante de hoje não é o estudante de 20 anos atrás. Ele pensava muito antes de enfrentar o professor. Ele tem elementos negativos quando há violência física e verbal, e isso tem desestimulado muito gente. Muitos professores ficam sem ação e de mãos atadas. Mas tem um enfrentamento que eu acho que é bom, porque há 60 anos o aluno era totalmente dependente do que o professor transmitia. Hoje tem um professor que não pode se imaginar como alguém que sabe tudo. Ele não pode imaginar o aluno como alguém que não sabe nada. O estudante está na sala e ao mesmo tempo está conectado com o mundo”, argumenta. 

“A formação tem que ser uma constante, continuada e para sempre. É um desafio, porque se você pensar um professor que precisa trabalhar três horários, em que momento ele pesquisa, planeja, ele estuda? É o que acontece com a maioria. Que professor pode trabalhar um horário só? É uma minoria”, finaliza a doutora em educação.

O discurso da representação e o argumento governamental 

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo, não economiza críticas contra a maneira como o professor é tratado no país. Para o representante da categoria, um conjunto de fatores explica o pouco interesse dos jovens brasileiros pela profissão e os problemas que prejudicam as condições de trabalho dos educadores. 

“São diversas ações que motivam essa falta de busca pela profissão. A violência no espaço escolar, o desrespeito com a carreira do professor. Nós trabalhamos com alguns indicadores de valorização profissional e todos estão afetados e prejudicam a procura da juventude. Falta política de formação continuada e o Estado deixa a cada profissional a responsabilidade, não investe em qualificações. As condições de trabalho também se tornam um problema extremamente sério, tem escola que você chega e não consegue ter um ambiente do trabalho”, frisa Araújo, além de reforçar o problema da questão salarial como um fator desmotivador entre os jovens.

De acordo com o presidente da CNTE, a administração das escolas públicas também afeta os profissionais da educação. Ele argumenta que muitos gestores são escolhidos por motivação política e não conhecimento na área pedagógica. “A gestão que se diz democrática nos afeta. Você tem uma lei que diz que tem uma gestão democrática e uma participação social na gestão das escolas, e o que você tem são gestores por indicação política. Ninguém quer passar por uma situação dessa, além de salários baixos, ainda passa por situações humilhantes”, opina o presidente. O representante da categoria ainda expõe sua visão social sobre a desvalorização do professor. “É uma questão social muito forte, vinculada com a concentração de renda brutal que existe no Brasil, de terra e dos meios de comunicação. Essa parcela rica não tem interesse na distribuição de renda no país. São gargalos que desprestigiam uma profissão tão importante, já que a educação não é valorizada e isso, consequentemente, afeta o professor”.

O presidente da CNTE acredita, contudo, que a população também precisa agir em prol dos educadores. “É preciso mobilização social. Todo mundo tem a clareza de que a educação é essencial. Este ano é de eleição, a gente precisa ouvir as propostas. Falta ter vergonha na cara de quem é eleito para prometer e cumprir. A educação de qualidade é um direito que está sendo negado à população. A mobilização é essencial para a gente ter acesso à educação e valorização dos trabalhadores de educação”, crava.

O LeiaJa.com procurou uma fonte do Ministério da Educação que pudesse responder acerca dos principais problemas que afetam os professores brasileiros. O órgão, por meio da sua assessoria de imprensa, preferiu não se posicionar. Por outro lado, a pasta indicou apenas a possibilidade de apuração junto à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que se resumiu em abordar os programas governamentais de formação docente. Confira a nota que detalha esses programas:

Com a finalidade de contribuir para o aperfeiçoamento da formação de professores nos cursos de licenciatura, a Capes lançou em março do corrente exercício os editais do Programa de Residência Pedagógica e do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid). Tais programas têm como premissas básicas o entendimento de que a formação de professores nos cursos de licenciatura deve assegurar aos seus egressos, habilidades e competências que lhes permitam realizar um ensino de qualidade nas escolas de educação básica. Sabe-se que essas habilidades e competências estão relacionadas, entre outros aspectos, ao conhecimento do conteúdo e de práticas pedagógicas em sala de aula e à preparação psicológica para atuação e abordagem das diferentes situações pedagógicas e relações do cotidiano escolar.

No entanto, observa-se que o distanciamento do discente de licenciatura, e até mesmo de seus formadores, do ambiente escolar afeta a qualidade da formação de professores no País. Essa é uma realidade que precisa ser mudada com urgência. O Programa de Residência Pedagógica e o Pibid são ações da Política Nacional de Formação de Formação de Professores para induzir e acelerar tal mudança.

O Programa de Residência Pedagógica tem por objetivo induzir o aperfeiçoamento do estágio curricular supervisionado nos cursos de licenciatura, por meio de imersão do licenciando que esteja na segunda metade do curso, numa escola de educação básica. A imersão deve contemplar, entre outras ações, regência de sala aula e intervenção pedagógica, acompanhada por um professor da escola com experiência na área de ensino do licenciando e orientação do docente da IES.

O Pibid, por sua vez, busca promover a iniciação do licenciando no ambiente escolar na primeira metade do curso, visando estimular, já no início do seu percurso formativo, a observação e a reflexão sobre a prática profissional docente no cotidiano das escolas públicas de educação básica e no contexto em que elas estão inseridas. No Pibid, os licenciandos também serão acompanhados por um professor da escola e por um docente da IES.

Ambos programas serão desenvolvidos em regime de colaboração com as redes de ensino. Assim, as IES devem organizar seus projetos institucionais em estreita articulação com a proposta pedagógica das redes de ensino que sediarão os subprojetos.

As IES serão selecionadas por meio de edital, que tem entre seus objetivos, ampliar o número de discentes de licenciatura atendidos; aprimorar os mecanismos de indução, incluindo critérios com vista à institucionalização das iniciativas de melhoria da formação prática dos licenciandos, valorização de seus formadores, a interiorização da oferta de bolsas; e, uma articulação mais efetiva com as redes de ensino.

Ainda no âmbito da Política Nacional de Formação de Professores, o Edital de articulação de ofertas do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) é uma das ações do Ministério da Educação para oferecer aos professores que atuam fora de suas áreas de formação, conforme Índice de Formação Docente (Censo da Educação Básica 2017), oportunidade de obterem a formação adequada, e consequentemente, melhorar sua ação docente.

O Sistema UAB completou, em 2016, 10 anos de existência. O programa, instituído pelo Decreto n.º 5.800, de 8 de junho de 2006, visa à expansão e à interiorização da oferta de cursos e programas de educação superior no país por meio da modalidade EaD (uso de tecnologias de comunicação e Informação no processo de ensino-aprendizagem) com intuito de democratizar o acesso a população com difícil acesso a este nível de ensino (Art. 1º). Tal expansão se dá articulados a dois objetivos estratégicos para o estado brasileiro:  minimizar o déficit de docentes, ampliando o quantitativo de profissionais docentes com formação em nível superior e ampliar a política de formação em nível de pós-graduação de docente que atuam na rede básica de ensino, oportunizando principalmente para municípios e estados que carecem de ações que ofereçam cursos de pós-graduação aos professores de sua rede de ensino.

As vagas que serão ofertadas nos programas – com início previsto para agosto deste ano - Residência Pedagógica, Pibid e UAD são apresentadas a seguir:

Pibid: 45 mil vagas

Residência Pedagógica: 45 mil vagas

UAB: 250 mil vagas

No caso dos programas Pibid e Residência Pedagógica o quantitativo de vagas corresponde ao número de bolsas que serão ofertadas aos licenciandos. Somando-se os dois editais, alcança-se o montante de 90 mil bolsas, número superior ao que era ofertado pelo Pibid implementado com o Edital 2013.

Três décadas de sala de aula

O professor André Luiz Vitorino de Souza, 49, vibra diante dos estudantes. Reitera o discurso em tom de conselho de que uma aula é como um prato de comida para quem sofre de fome. É uma maneira que ele encontrou de ilustrar para seus alunos a importância que o trabalho de um educador tem. No currículo, André coleciona passagens pelos principais colégios privados de Pernambuco, além de integrar o corpo docente das escolas estaduais.

André ama a sala de aula. Revela que o coração acelera a cada oportunidade de lecionar a biologia diante do alunato dos dez colégios onde ele trabalha. Segundo o educador, a vontade de se tornar professor se deu pela necessidade do Brasil melhorar a educação nacional, que para André é desvalorizada e desprezada pelos governantes. “Qual é a do país da gente? É não ter uma grande educação, porque se a gente tiver uma educação de qualidade, vamos mudar de categoria, iríamos sair de um país de terceiro mundo e brigaríamos com os países que tem saúde, educação de qualidade”, sustenta o docente, destacando que o problema é ainda mais sério nas escolas públicas.

De acordo com o professor, mesmo com todas as dificuldades que afetam a profissão, ele continua a carreira pelo propósito de oferecer aos estudantes uma oportunidade de ascensão social e profissional por meio da educação. André também frisa a importância de proporcionar aos alunos a chance de chegar ao ensino superior. “A universidade abre as portas e nos traz uma nova forma de pensar o mundo. Chegar à faculdade é o sonho da maioria dos jovens e o professor é um elo para a realização desse sonho”, comenta. 

O saudosismo de André ao se referir à profissão de professor não esconde, porém, sua indignação pela forma como a carreira docente é tratada no Brasil. Ele revela que sua maior frustração é a maneira como a figura do professor é vista no país; André arrisca, inclusive, que a profissão pode acabar. “Eu diria que é uma profissão em extinção. Você vê que os cursos de licenciatura a cada semestre têm menos procura, por causa da falta de reconhecimento financeiro. O professor forma todas as outras profissões e, entre elas, somos os que ganhamos menos. A única mágoa que eu tenho é que ganho menos do que eu merecia ganhar. Mas como amo muito o que faço e tenho muito tempo de estrada, acabo amenizando essa questão financeira, mas para um professor que está começando, a situação é difícil e atrapalha a continuação na carreira”, desabafa André Luiz.

“O que me motiva muito é colocar o aluno na universidade. É uma sensação indescritível, você vê um menino ou uma menina que saiu do zero chegando no ensino superior. É como se a gente, professor, estivesse passando no vestibular também. Quando chegamos na universidade, as portas se abrem, não só as do mercado de trabalho, mas também as das relações interpessoais, vamos conhecendo mais gente diferente da gente”, complementa o professor.

Ainda sobre a profissão, o professor de biologia ressalta um aspecto importante. De acordo com ele, na maioria das escolas onde trabalhou, ele teve uma relação respeitável com os alunos. Por outro lado, André confessa que alguns episódios são difíceis de enfrentar. “É difícil porque a gente tem que saber falar com o aluno, não podemos constranger o estudante, mas a aula tem que seguir mesmo quando ele está trabalhando, por exemplo. Noto hoje que o aluno está muito detentor de um poder de agredir a relação. Ou você tem muito tato, ou vai perder o controle. Graças a Deus não passei por situações muito graves, mas tenho conhecimento de colegas que passaram por sérios episódios”, conta. 

André encara 80 aulas por semana, entre escolas e cursos pré-vestibulares. Segundo ele, mesmo com o tempo apertado – contexto comum ao de muitos professores -, é fundamental investir em formação continuada. “Sou muito disciplinado e consegui fazer várias qualificações”. Desafios da profissão à parte, o professor ainda assim acredita que essa é a única carreira que ele pode seguir. “Não me vejo fazendo outra coisa. Não posso ser outra coisa, sou o professor André Luiz, de biologia. É a questão da vocação que sustento até hoje. Mesmo diante de tantos problemas, ainda sonho em ver minha profissão valorizada pelo país. Através de nós, docentes, a sociedade alcança seus anseios profissionais. Enquanto eu tiver saúde, serei professor”, conclui.

  

O Governo do Estado de Pernambuco divulgou a abertura da seleção para intercâmbio internacional para estudantes de ensino médio de escolas da rede pública estadual de ensino. 

De acordo com a portaria publicada no Diário Oficial do Estado deste sábado (16), serão oferecidas 64 vagas, das quais 63 são destinadas a língua espanhola e uma a língua alemã. Além disso, foram criadas também bolsas-intercâmbio. 

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Intercâmbio na Alemanha

Os estudantes interessados no intercâmbio para a Alemanha devem se inscrever na próxima terça (19) e quarta-feira (20), das 8h às 17h enviando um e-mail com o assunto “inscrição novo edital Alemanha 2018” para o endereço programaganheomundointercambio@educacao.pe.gov.br

A relação dos alunos selecionados para fazer a seleção será divulgada até a próxima quinta-feira (21) e a prova será aplicada no dia 29 de junho, das 9h às 12h. O resultado final será divulgado até o dia 11 de julho no site da Secretaria de Educação.

Países de língua espanhola

Quem quiser concorrer às vagas para países de língua espanhola deve se inscrever da próxima quarta-feira (20) até o dia 26 de junho, também por e-mail com o assunto “inscrição novo edital espanhol 2018” para o endereço ganheomundointercambio@educacao.pe.gov.br, ou até o dia 27 de junho através do site da Secretaria Estadual de Educação, onde será divulgada a lista de estudantes aptos a fazer a seleção no dia 3 de julho. 

A prova de seleção será aplicada no dia 18 de julho, das 9h às 12h, e a lista final de aprovados será divulgada até às 23h59 do dia 6 de agosto, também no site da secretaria. Outros detalhes como o local das provas, tópicos a estudar e documentos que precisam ser enviados para a inscrição por e-mail serão divulgados no edital completo. 

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Em decorrência das dificuldades de abastecimento e locomoção causada pelo bloqueio de vias durante a greve dos caminhoneiros, várias instituições de ensino públicas e privadas cancelaram os expedientes e aulas em Pernambuco nesta segunda-feira (28). 

Escolas

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Na Região Metropolitana do Recife, as prefeituras de Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Paulista e São Lourenço da Mata suspenderam as aulas das escolas da rede municipal. A Prefeitura do Recife e a Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco mantém o expediente de todas as escolas.

O LeiaJá procurou o Sindicato dos Professores de Pernambuco (Sinpro-PE) em busca de informações sobre o funcionamento das escolas privadas, mas não obteve resposta.

Universidades 

A Universidade de Pernambuco (UPE) cancelou as aulas de todos os turnos em todos os 15 campi distribuídos em todo o estado, mantendo o funcionamento do Complexo Hospitalar da UPE, composto pelo Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), do Pronto-Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco (Procape) e do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam). Não foi informado o horário em que a instituição se pronunciará sobre o expediente de terça-feira (29). 

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) suspendeu as aulas nesta segunda (28) nos campi de Recife, Vitória e Caruaru para todos os turnos. O Hospital das Clínicas está com o funcionamento mantido e às 14h será decidida a situação para a próxima terça-feira (28). 

A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) suspendeu o expediente administrativo e as aulas para esta segunda-feira (28) e emitirá um comunicado sobre a situação de terça-feira (29) às 16h. 

O Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) também suspendeu as atividades em todos os campi do estado, sem no entanto anunciar a que horário definiria o expediente de terça-feira. 

A Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) cancelou o expediente desta segunda para todos os turnos e deverá emitir comunicado pela tarde para informar sobre a situação para a terça-feira (28). 

A UNINASSAU suspendeu as aulas dos turnos da manhã e da tarde, não havendo ainda decisão a respeito das aulas do turno da noite nem da próxima terça. A instituição deverá emitir um comunicado sobre a questão na tarde desta segunda (28). 

A UniFBV, no Recife, cancelou as aulas de todos os turnos enquanto a Unifavip, em Caruaru, suspendeu as atividades da manhã e da tarde. Já a Faculdade Pernambucana de Saúde informou que as aulas da manhã e da tarde estão suspensas. As atividades dos estudantes no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP) estão mantidas, sem prejuízo aos estudantes que não conseguirem chegar. 

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A Secretaria de Educação do Estado (SEE) lançou, na última segunda-feira (7), o projeto “Andanças – Mostra de Cinema em Gênero e Diversidade”. O evento promove sessões de cinema e oficinas sobre as temáticas em escolas de todas as regiões do Estado. Ao total, 25 escolas serão contempladas até o dia 12 de junho.

De acordo com a SEE, o objetivo é fortalecer as discussões de gênero e diversidade na educação básica, e divulgar e valorizar o cenário do audiovisual do Estado.

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O conteúdo das oficinas será desenvolvido pelos próprios cineastas/produtores locais, sob o intermédio pela Gerência de Educação Inclusiva e Direitos Humanos (GEIDH) da SEE. A mostra ainda receberá representantes de movimentos sociais LGBT e pesquisadores.

A ação ainda proporcionará o desenvolvimento de um material pedagógico eletrônico, previsto para ser lançado em dezembro deste ano, no site da SEE. Nele será exposto a confecção dos produtos como desenhos, cordéis, frases, poemas e colagens desenvolvidos pelos alunos após as exibições e oficinas.

O projeto faz parte da campanha “10 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra a População LGBT”, do Governo de Pernambuco em parceria com movimentos sociais e prefeituras.


Roteiro - Confira as escolas que receberam/receberão a mostra:


07/05 - Escola Rotary do Alto do Pascoal (Recife)


08/05 - Escola Professora Elisete Lopes de Lima Pires (Caruaru)


09/05 – Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Professor Fernando Mota (Recife)


10/05 - EREM Dom Vital (Recife)


11/05 - CASE Santa Luzia (Recife)


14/5 - EREM Professora Jandira de Andrade Lima (Limoeiro)


15/5 - Escola Maria Cecília Barbosa Leal (Surubim)


16/5 – Escola Técnica Estadual José Joaquim da Silva Filho (Vitória de Santo Antão)


Escola Estadual Professora Amélia Coelho (Vitória de Santo Antão)


17/5 – EREM Guedes Alcoforado (Olinda)


18/5 – Escola Padre Osmar Novaes (Paulista)


21/5 – EREM Devaldo Borges (Gravatá)


22/5- EREM Professor Denival José Rodrigues de Melo (Itaquitinga)


23/5 – EREM de Bezerros (Bezerros)


24/5 – EREM Nicanor Souto Maior (Caruaru)


25/5- EREM Professor Agamenon Magalhães (São Lourenço)


28/5 – EREM Augusto Gondim (Goiana)


Escola João Alfredo (Goiana)


29/5 – EREM Dr. Jaime Monteiro (Gameleira)


04/6 – EREM Gov. Miguel Arraes De Alencar (Granito)


05/6 – EREM Professor Urbano Gomes de Sá (Salgueiro)


06/6 – EREM Professora Ione de Góes Barros (Afogados da Ingazeira)


07/6 - EREM Carlos Rios (Arcoverde)


08/6 - EREM Senador Vitorino Freire (Arcoverde)


11/6 – EREM Professor Jerônimo Gueiros (Garanhuns)


SERVIÇO

Andanças – Mostra de Cinema em Gênero e Diversidade

De 7 de maio a 12 de junho em 25 escolas públicas estaduais de Pernambuco

Mais informações: (81) 3183-9293

O presidente Michel Temer (MDB) sancionou na segunda-feira (14) uma lei de combate ao bullying nas escolas. O texto altera um trecho da Lei 9.394, de 1996 e inclui a responsabilidade das escolas em promover medidas de combate ao bullying, além de pensar em ações de promoção da cultura de paz.

A lei original, instituída no governo Fernando Henrique Cardoso, estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. O artigo 12 trata da incumbência dos estabelecimentos de ensino.

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“Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de:

IX - promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática (bullying), no âmbito das escolas;

X - estabelecer ações destinadas a promover a cultura de paz nas escolas”, diz a lei atualizada.

Além das atitudes típicas de bullying, a matéria busca combater outros tipos de violência como agressão verbal, discriminação, práticas de furto e roubo, ameaças e agressão física. O projeto de alteração da lei saiu do Senado dia 17 de abril para sanção presidencial.

Lei Antibullying

A lei sancionada na última segunda-feira (14) amplia as obrigações das escolas previstas na lei que criou o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying), sancionada em 2015 pela então presidente Dilma Rousseff.

Esta lei, que entrou em vigor em 2015, prevê que, além de clubes e agremiações recreativas, as escolas desenvolvam medidas de conscientização, prevenção e combate ao bullying.

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“E agora é só felicidade. O menino invisível não existe mais.” Assim termina a história de Lucas Queiróz. O menino relata o bullying que sofreu na escola por usar uma bolsa de colostomia. O texto faz parte de seu livro, escrito a partir do incentivo de um dos projetos da Escola de Ensino Fundamental Clodomir de Lima Begot, em Ananindeua, município de Belém.

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A escolinha fica no fim de uma rua deserta, tem quatro salas e um único corredor. Os 205 alunos são apaixonados pela sala de leitura de onde emprestam livros às sextas-feiras e os levam para casa para ler com os pais. 

Clodomir de Lima Begot é uma das poucas escolas de Ananindeua que incentivam massivamente a leitura desde o Ensino Funtamental. Às quartas, quintas e sextas-feiras, as professoras responsáveis pela sala de leitura entram em sala de aula para contar histórias para os alunos. “Eu leio, conto histórias, faço um momento de roda de histórias, tanto que eu sou querida na escola por causa disso. Eu entro na sala com as literaturas e eles já sabem que eu vou fazer uma roda, que eu vou contar histórias e eles gostam”, conta a professora Vera Raiol. 

Vera é uma das idealizadoras dos projetos de leitura e escrita que a escola realiza há dois anos. Ela conta que incentiva as crianças a se inspirarem em literaturas infanto-juvenis para produzir seus textos. A professora leva um bauzinho literário com os livros que mais interessam aos alunos para dentro das salas. Eles sentam em roda e ela lê. “Então eu leio, conquisto, porque primeiro tem que ter essa fase de encantamento”, conta. 

Um dos projetos é o Amolendas, criado em 2016, que deu origem ao livro “Lendas Ananins – Sob Novos Olhares”, lançado em Brasília e apresentado na Feira da Cultura da escola, onde foram distribuídos alguns exemplares. No livro, as crianças recontam lendas de Ananindeua a partir da interpretação e imaginação delas. As histórias acabaram virando peça teatral. 

Em 2017, foi lançado o Projeto Novos Autores. Vinte e seis crianças entre 8 e 12 anos escreveram 27 histórias por meio de textos e desenhos. Inspirados nos livros da sala de leitura, os alunos narraram histórias de princesas, fantasmas, bullying, amizade e sonhos realizados. Os livros serão utilizados como material paradidático na escola. 

“Quando você dá um papel pra uma criança onde ela só risca, ela fala, ela vai te contar uma história através de rabisco. Quando ela te conta a história, todo aquele rabisco pra ela tem um significado. Muita das vezes você diz ‘mas como que uma criança vai produzir algo?’. Ela produz da forma dela, da visão dela”, explica a diretora da escola, Jacirema Silva, que acredita que a criança deve ter contato com a leitura e escrita desde a Educação Infantil.

Sorte de poucos - Maria do Socorro Tavares é formada em Pedagogia há 30 anos pela Ficom(Faculdades Integradas do Colégio Moderno) e especialista em Gestão Escolar pela Universidade Estadual do Pará (Uepa). Aposentada há quatro anos, ela trabalhou como professora, coordenadora e diretora durante os 30 anos de profissão em escolas estaduais e municipais de Breves, Melgaço, Porto de Moz, Belterra, Jacareacanga, Trairão, Ipixuna do Pará e Santa Cruz do Arari, nos interiores do Pará.  “Eu, professora durante 30 anos, observei que até hoje nós estamos engatinhando no trabalho em relação a melhorar tanto a leitura quanto a escrita dos nossos alunos. O que nós vemos são crianças que não conseguem ler. Quando eu digo ler, é ler e entender”, diz a professora. 

 De acordo com a educadora, a realidade no interior do Pará é desestimulante tanto para as crianças como para os professores da rede pública. As condições tanto do ambiente interno quanto do ambiente externo da escola e a falta de material para o prosseguimento de projetos acabam comprometendo o desenvolvimento das crianças. “Nossas crianças têm falta de vontade e nós temos uma escola que não dá essas oportunidades para criança, em termos de incentivá-las e de ajudá-las. Quando nós temos escolas que trabalham dessa forma, infelizmente, os projetos ficam por um tempo e depois se perdem, na questão da falta de estrutura, da falta de material”, diz. 

“O professor começa a cansar. Eu mesmo dei muitos murros em ponta de faca. É você batalhar. Você consegue levar um trabalho à frente e vai faltando a estrutura para que esse projeto permaneça firme. O professor se sente cansado porque a ele também faltam incentivos”, explica a professora.

Maria do Socorro passou por várias escolas em que não havia bibliotecas ou sala de leitura. Era comum esses espaços serem improvisadas embaixo de árvores e salas de barro com chão de terra batida com poucos livros. Quando questionada sobre os espaços de leitura, ela responde rindo: “Essa questão de bibliotecas, de espaço de leitura, eu posso dizer com bastante propriedade, porque eu andei por muitos municípios do Pará e eu conheci diversos espaços que não chegavam nem perto de se dizer que era uma biblioteca. Bibliotecas mesmo eu encontrei poucas, pouquíssimas. O que eu achava era uma sala com um acervo velho. Salas em que tinham só as carteiras, que o piso nem existia, era barro ou espaços mesmo embaixo das árvores, como os antigos filósofos faziam. O que eu mais achava era esse embaixo das árvores”.

“Muitas vezes a gente vê nas redes sociais as escolas fazendo ações para angariar fundos e muitas vezes os professores tiram dinheiro do próprio bolso, como eu em muitos momentos comprei pincel para quadro, comprei material para que eu pudesse levar projetos à frente. Muitas vezes brigando com a Secretaria de Educação, quando fui diretora, tentando mostrar a importância dos projetos de leitura e escrita”, conta Maria do Socorro sobre os esforços que os professores fazem para um manter um projeto em uma escola de rede pública. 

Segundo a professora aposentada, os trabalhos desenvolvidos pelas Secretaria de Educação tanto em nível municipal como estadual são muito bons para incentivarem os alunos à leitura. Mas com a falta de comunicação e divulgação do projeto as escolas não conseguem se organizar para participar. “Na verdade, as escolas públicas têm projetos maravilhosos que muitas vezes não são divulgados por falta de comunicação. Às vezes chega com atraso, chega em cima da hora, falta uma semana, faltam dois dias e acaba não dando tempo para escola se organizar.”

Mesmo diante dessa realidade, existem pessoas que contribuem para o desenvolvimento de instituições que priorizam a educação por meio da leitura. O Projeto Livro Solidário faz doações de livros para escolas públicas, centros comunitários, ONGs e iniciativas particulares com o objetivo de suprir as necessidades de leitura das comunidades de Belém e região metropolitana. Livros de poesia, contos, crônicas e romances são doados por meios de campanhas de órgãos públicos. 

O Livro Solidário já implantou salas de leitura em escolas dos municípios de Ananindeua e Benevides e no bairro do Bengui e distrito de Mosqueiro, em Belém. O projeto acredita na esperança de promover a cidadania e o desenvolvimento social. “Acreditamos nessa iniciativa porque, cada vez que doamos livros, vemos a felicidade de pessoas que lutam por uma educação melhor”, afirmam os coordenadores.

Por Belisa Maria Amaral, Irlaine Nóbrega e Jamyla Magno.

 

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