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O PSOL ajuizou, no Supremo, a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 522 contra leis dos municípios de Petrolina e Garanhuns, em Pernambuco, que aprovam o plano municipal de educação e vedam políticas de ensino com informações sobre gênero.

Segundo o partido, as normas municipais - Leis 2.985/2017 e 4.432/2017, respectivamente -, invadem competência privativa da União para legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional, conforme estabelece o artigo 22, inciso XXIV, da Constituição Federal. As informações foram divulgadas no site do Supremo - Processo relacionado (ADPF 522)

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Ao vedar a adoção de políticas de ensino que façam referência à diversidade sexual, sustenta a legenda, as leis municipais pernambucanas "desrespeitam normas editadas pela União, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/1996) e o Plano Nacional de Educação (Lei 13.005/2014), de observância obrigatória por todos os entes federados".

O PSOL sustenta também que a Constituição "adotou a concepção de educação como preparação para o exercício de cidadania, respeito à diversidade e convívio em sociedade plural, com múltiplas expressões religiosas, políticas, culturais e étnicas". Assim, o banimento de determinado tema do sistema educacional pela via legislativa seria "incompatível com o direito público subjetivo ao acesso a ensino plural e democrático".

Além disso, segundo o site do Supremo, a legenda sustenta que ao sonegarem dos estudantes a discussão sobre sexualidade e diversidade de gênero, as leis locais "contribuem para perpertuar a cultura de violência, tanto psicológica quanto física, contra as mulheres e a população LGBT do País, distanciando-se do objetivo constitucional de construir uma sociedade livre, justa e solidária (artigo 3.º, inciso I)".

O relator, ministro Marco Aurélio, pediu informações aos prefeitos de Petrolina e Garanhuns e às Câmaras Municipais e, na sequência, a manifestação da Advocacia-Geral da União (AGU) e o parecer da Procuradoria-Geral da República.

"A racionalidade própria ao Direito direciona no sentido de aguardar-se o julgamento definitivo", afirmou Marco Aurélio, em decisão monocrática.

Defesas

A reportagem fez contato com as prefeituras de Petrolina e Garanhuns, mas não havia recebido respostas até a publicação desta matéria. O espaço está aberto para manifestação.

A Prefeitura de Guarulhos anunciou que a 48° edição da Olímpiada Colegial Guarulhense está prevista para acontecer em setembro. De acordo com o subsecretário de Esportes, Iltonjorge Roque, a escolha do mês é devido ao fim das provas escolares.

Na edição do ano passado, mais de 7 mil alunos de redes públicas e privadas participaram do evento, em que a escola Eniac ganhou a competição. Entre as modalidades estavam Atletismo, Basquete, Capoeira, Damas, Futebol, Futsal, Ginástica Artística, Ginástica Rítmica, Handebol, Judô, Karatê, Natação, Voleibol, Tênis, Tênis de Mesa e Xadrez.

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Era véspera de uma prova importante. Para muitos jovens, contudo, bem mais do que uma grande avaliação educacional, o exame representava a ponte mais firme no caminho entre a escola e a universidade. Todos sonhavam com as notas que os credenciariam ao ensino superior, porém, tão grande quanto os sonhos era a concorrência. Requisitado desde o ensino fundamental para ajudar os amigos de classe com os “assuntos difíceis”, Celso Lucas Gomes da Silva carregou, até o ensino médio, o costume de compartilhar o que sabia com os amigos que apresentavam dúvidas. E nos dias que antecediam a tal prova - o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) -, o garoto não deixou de lado os companheiros de sala: prontificou-se a estudar junto com eles, afinal, ensinar era o seu dom, mérito que ostenta com orgulho.

Biologia e química eram as especialidades de Celso. Porém, suas notas nas demais disciplinas também os honraram como um estudante dedicado, apaixonado pelos livros e admirador dos seus mestres. Os professores os inspiravam. Eram, para Celso, motivos de orgulho. Ele preservou o que gostava de fazer, de forma espontânea, movido pela educação. Dias antes do Enem, em 2016, não hesitou em ensinar a um colega. “Um amigo tinha dificuldades em química, praticamente não teve a base da disciplina e queria cursar a graduação de bioquímica. Ou seja, Natureza tinha um peso grande. Por isso, revisei durante um mês todo o conteúdo com ele. Quando ele foi fazer o Enem, conseguiu acertar mais questões do que eu. Fiquei muito feliz, me marcou bastante, essa história me deu a certeza de que eu deveria ensinar”, relembra Celso com largo sorriso.

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A relação de Celso com a educação reservou novos capítulos para o jovem. E nas suas veias, corre o sangue de uma educadora. Professora, a mãe do rapaz era a responsável por uma sala de aula inclusiva, em uma escola da rede municipal de ensino de Olinda, na Região Metropolitana do Recife. Quando sua mãe enfrentou um problema de saúde, o jovem recebeu a missão de continuar as aulas e conhecer de perto a rotina de alunos diagnosticados com autismo, dislexia e Síndrome de Down. Durante seis meses, o aprendizado foi mútuo; Celso compreendeu o poder inclusivo da educação e reforçou seu desejo de compartilhar conhecimento. Ele sabia que deveria tornar-se professor. “Percebi que dar aulas não era algo irritante, sabe? Os alunos me perguntavam e eu tinha prazer em repetir até eles compreenderem. Enquanto eu dava aula, me sentia incrível. Me sentia um agente modificador que estava contribuindo para as pessoas”, descreve Celso.   

Momento importante, muitas vezes que determina o futuro profissional dos jovens brasileiros, o fim do ensino médio para Celso foi marcado por um embate. Apesar do dom de ensinar e do amor pelo trabalho de professor, comentários negativos a respeito da carreira docente, oriundos em várias ocasiões de parentes próximos, criaram barreiras para ele escolher de vez a licenciatura como formação. “Ouvia: ‘tão estudioso para ser professor’”, recorda. As críticas, no entanto, não surtiram efeito. Inspirado por uma professora de biologia, ele resistiu, sustentou a vontade de ensinar e ser, como o próprio Celso classifica, um agente transformador da sociedade. “Tinha uma professora no ensino médio chamada Patrícia que mostrou como dar aula a partir de práticas pedagógicas inovadoras. Fazia muitos trabalhos interativos com os alunos, todo semestre ela dava os assuntos de forma lúdica. Ela provava que ensino não pode ser engessado, apenas no quadro”, conta.

Celso foi aprovado no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) em 2016. No ano seguinte, iniciou sua vida educacional no ensino superior, na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Hoje, aos 19 anos, o jovem natural de um bairro periférico da cidade de Olinda e que sempre estudou em escolas públicas, faz o terceiro período de licenciatura em biologia. Continua fortalecendo seu desejo de chegar em uma sala de aula e disseminar educação entre seus alunos, com o discurso de que a figura do professor, apesar de tantos problemas, segue sendo fundamental para a sociedade brasileira. Ao recordar da aprovação no Sisu, que teoricamente deveria ser motivo de comemoração para toda a família e amigos, Celso revela mais uma crítica que ouviu de um parente: “Se você tivesse estudado mais teria passado em um curso melhor”. “Ele (o parente) sempre soube que eu queria ser professor, mas não aceitava, justamente pelo estereótipo de que professor não ganha bem e que não é valorizado”, relata Celso.

Celso no Campus Recife da UFRPE - Foto: Rafael Bandeira/LeiaJáImagens   

“Eu sei que ser professor no Brasil é terrível quando falamos das condições horríveis de trabalho, de desvalorização, de baixos salários. O Brasil ainda precariza muito o professor como profissional, enquanto em outros países é um trabalho muito mais valorizado. Até existem professores que não indicam aos seus próprios alunos de ensino médio a carreira de licenciatura, por causa de todos esses problemas. Mas, quando eu fui acompanhando as fases escolares, vi que gostava muito de ensinar, de ajudar os amigos. Sempre tive vontade de ajudar a sociedade, de fazer o bem para todo mundo, desde o fundamental até o ensino médio. E sempre reparei que professor tinha muito disso, de ajudar os estudantes”, finaliza o jovem Celso.

Agora, nos corredores da universidade, o jovem pernambucano busca retribuir toda inspiração que o fez escolher a docência. Celso faz do ensino superior uma valiosa oportunidade de enriquecer sua formação educacional e principalmente de fortalecer seu desejo de compartilhar saberes, não de maneira autoritária, mas disposto a receber de seus futuros alunos conhecimentos e vivências sociais. Para Celso, hoje a relação entre professor e aluno é uma troca. Segundo ele, não há mais espaço para que o docente seja o único dono da verdade. Celso diz, contudo, que apesar dessa troca, a figura do professor ainda precisa ser a de um mestre que contribuirá para todo o cidadão que almeja chegar à universidade e tornar-se um profissional qualificado. Por isso, o jovem repete, incansavelmente, que a educação carece de valorização, tanto do poder público quanto da própria população.

Celso é exceção. O desejo de tornar-se professor é cada vez mais escasso entre os jovens brasileiros. Diante de um cenário desmotivador, em que baixos salários, cargas excessivas de trabalho, violência nas salas de aula e falta de investimentos públicos assola a educação brasileira, poucos jovens almejam ingressar na carreira docente. Um recorte do Ministério da Educação (MEC) aponta que apenas 2% dos estudantes que saem do ensino médio escolhem a docência. 

Outro levantamento também expressa como a carreira de professor sofre com desistências. De acordo com um estudo do Movimento Todos pela Educação, que teve como base dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a cada 100 jovens que ingressam em licenciaturas ou cursos de pedagogia, somente 51 concluem as graduações. Além disso, o levantamento identificou que entre esses alunos que terminam os cursos, apenas 27 demonstram interesse em seguir na profissão de educador.

Nada promissores, os números sobre os cursos de licenciatura preocupam especialistas em educação e escancaram a necessidade de investimentos na carreira docente por parte do poder público. Enquanto não houver valorização da profissão, principalmente no quesito salarial, o quadro tenderá a ser crítico. Nos últimos anos, os índices decadentes reiteram que estudantes brasileiros estão evitando a formação docente na hora de se inscrever para as seleções de universidades públicas e privadas. De acordo com uma preocupante pesquisa do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), entre 2010 e 2016, a quantidade de alunos que entraram em cursos de licenciatura caiu 10%. O levantamento ainda aponta que só 39,5% dos formados em licenciatura continuaram trabalhando na área.  

Ainda sobre a queda na procura por licenciaturas, o MEC detalhou, a pedido do LeiaJa.com, os números das últimas edições de inscrições em formações de professor por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Assim como em outros levantamentos, o resultado não é positivo. Segundo balanço do Ministério da Educação, entre as edições 2015 e 2018 do Sisu, houve uma queda de quase 27% no quantitativo de inscritos em licenciaturas.

Como pesquisas apontam, começar um curso superior para ser professor não implica que o universitário continuará na graduação até o fim. Em outro levantamento a partir de um estudo do Inep realizado em 2015, o Movimento Todos pela Educação concluiu que nas licenciaturas, entre os que concluem as formações, um grande percentual de formados desiste da docência mesmo com o diploma na mão. Em biologia, química e física, por exemplo, os percentuais de desistência são 49,9%, 54,5% e 60%, respectivamente.

Apesar das dores da formação e dos empecilhos do mercado de trabalho docente, Berg Figueiredo, 30 anos, persistiu. Natural de Olinda, ele escolheu a carreira de professor, mas sente os efeitos de uma profissão que para render uma remuneração digna, exige uma carga horária extenuante. Berg prestou vestibular em 2006 e, no ano seguinte, entrou na universidade. “Rolou a química com a química”, brinca.

Já são dez anos na carreira de professor. Berg relembra que dos 40 alunos que ingressaram na sua turma de licenciatura, na UFRPE, apenas quatro concluíram a graduação. “Muitos desistiram principalmente por acharem que a profissão não traria dinheiro e muito menos valorização. Trocaram de curso! O próprio povo brasileiro ainda tem essa imagem ruim do professor, porque ainda existem inúmeros problemas que afetam a profissão”, conta. “E das pessoas que se formaram, além de mim, praticamente ninguém seguiu na profissão”, complementa. 

De acordo com Berg, as experiências em sala de aula ainda no período da graduação o fizeram continuar na carreira. Durante seis meses, participou de um projeto pré-vestibular e ajudou dezenas de alunos na preparação rumo à aprovação para o ensino superior. “Foi um contato marcante. Seis alunos foram aprovados para o ensino superior e percebi que tive minha contribuição na realização desse sonho. Revivi o momento da minha aprovação no vestibular, que é um sentimento mágico”, recorda o professor de química.

Durante os mais de dez anos como professor, Berg se dividiu em dar aulas em escolas privadas, pré-vestibulares e no próprio curso preparatório em que é sócio. “A motivação para continuar vem do meu amor pela educação. Amo estar em uma sala de aula. Quando um professor entra em uma turma, ele se depara com sonhos, histórias de vidas e uma meta em comum: chegar à universidade. Hoje, considero que o professor é um formador de opinião e principalmente é um realizador de sonhos”, descreve Berg. Ele trabalha em todos os turnos de segunda até sexta-feira, em, pelo menos, quatro cidades da Região Metropolitana do Recife e em municípios do interior de Pernambuco. Nos finais de semana, ainda se dedica a aulas-extras, eventos pedagógicos, entre outras atividades. “Não é fácil. A gente cansa. Não me sinto frustrado como professor, mas ainda falta muita coisa para valorizarmos a profissão. Falta respeito ao nosso trabalho”, desabafa o professor de química. 

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Diogo Xavier, 29 anos, também seguiu a profissão. Morador de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, o docente da área de letras tem cerca dez anos como educador e reconhece os problemas enfrentados na carreira. Na sua rotina, longas jornadas de trabalho, mas há também a certeza de que a educação é uma ferramenta transformadora. De acordo com Xavier, ajudar seus mais de 600 alunos de ensino médio a chegar à universidade faz com que ele supere todos os empecilhos da profissão.

“Hoje a gente fica muito feliz quando há o reconhecimento do aluno. Certo dia um ex-estudante me parou e agradeceu pelas aulas que teve. Hoje esse aluno comemora a aprovação”, comenta o professor de letras. Sobre os desafios e problemas da profissão, Diogo detalha, no áudio a seguir, sua opinião:

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Na visão dos especialistas, um cenário que pede socorro

Para o diretor executivo do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior, Rodrigo Capelato, a baixa procura pela profissão de professor entre os jovens brasileiros se justifica além da questão salarial. Capelato não é nada otimista diante das pesquisas sobre a educação e traça um panorama que, na prática, não deve apresentar melhoras em um curto prazo.

“O grande problema é que a profissão é extremamente desvalorizada na sociedade atual, não só por uma questão salarial, mas além disso, somado a esse salário baixo, você tem uma precariedade muito forte nas condições de trabalho. Uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostrou que o Brasil está no topo do ranking da violência nas escolas”, argumenta o diretor executivo.

“Segundo a pesquisa da OCDE, 12,5% dos nossos professores disseram que foram agredidos ou intimidados pelo menos uma vez por semana na sala de aula, enquanto que a média internacional foi de 3,4%. A mesma pesquisa colocou que um em cada dez professores no Brasil acredita que a profissão é valorizada, ao mesmo tempo em que a média internacional é de três em cada dez professores. O levantamento foi feito com mais de 100 mil professores e diretores escolares”, acrescenta Capelato.

O diretor executivo do Semesp também explica a baixa procura pelas licenciaturas e a desvalorização da docência a partir da falta de condições adequadas de trabalho. “Você tem uma quantidade insuficiente de professores. Uma situação complicadíssima, porque é preciso que o próprio professor reponha as aulas ou porque os alunos estão totalmente dispersos. Faltam inspetores, auxiliares e apoio para esses professores. Os espaços físicos estão sucateados nas escolas públicas e ainda há insegurança grande no entorno das escolas. O docente acaba sendo o centro de todos esses problemas”, diz o diretor.

Segundo Rodrigo Capelato, a falta de investimentos adequados na educação brasileira também é um sério problema. Reforçando um cenário futuro nada promissor para os professores, o diretor também critica veemente a descontinuidade dos projetos educacionais. “Na pesquisa ‘Um novo olhar sobre a educação’, da OCDE, o investimento por aluno da educação básica no Brasil é de 3.800 dólares por ano, enquanto que a média dos 35 países que participaram do estudo foi de 10.500 dólares por aluno. Você não vê uma política de longo prazo para a educação pública, visando 30, 50 anos. Tive a oportunidade de visitar a Coreia do Sul e lá eles pensam um planejamento anos a frente. Isso nada mais é do que uma política de estado, que não importa quem está governando. É importante entendermos que o governo quando começa a investir em educação não vai colher os frutos nesse mesmo governo”, opina Capelato.

Ainda de acordo com diretor do Semesp, outra questão preocupante é a própria formação dos professores. “Hoje, o processo de educação está vivendo uma inovação muito forte, seja na sua concepção ou nas suas metodologias de ensino. No caso do Brasil, não há essa percepção na formação dos professores, a gente continua com os mesmos currículos, as mesmas formações de décadas atrás. Os programas de formação de professores também estão muito defasados”, acredita o diretor.

Em sua projeção, Rodrigo Capelato prevê um contexto extremamente preocupante. “Infelizmente, os dados não são animadores. As sondagens que a gente tem feito recentemente são de queda na procura por licenciaturas nas universidades públicas e privadas em 2017 e 2018. A impressão que tenho é que só vai mudar quando a gente entrar em um colapso, quando não teremos mais professor de física, matemática, história... Só assim a profissão vai começar a ter uma valorização, porque vai custar caro você contratar professor. Não vejo, a curto prazo, nenhuma mudança nesse cenário”, finaliza.

       

A gerente de projetos do Movimento Todos Pela Educação, Caroline Tavares, também acredita que em um determinando momento haverá falta de professores. Ela ressalta que esse colapso deverá acontecer com disciplinas específicas da área de Natureza, como química, física e biologia. “Já existem estudos que dizem que em dez anos vamos sentir essa falta”, comenta. Sobre a ideia de que a carreira docente é desvalorizada, Caroline acredita que uma cultura social, instaurada no Brasil, explica essa percepção, mesmo existindo exemplos de professores com bons salários, como os educadores donos de cursos preparatórios.

“Tem um problema cultural, que a gente precisa enfrentar quando pensamos em valorização profissional do professor. Ele ainda é visto como coitadinho, que ganha salários ruins. Em alguns casos isso ainda é verdade. Há um senso comum que ser professor você vai se dedicar a uma carreira onde você vai ser mal valorizado, mal remunerado e com péssimas condições de trabalho”, explica a gerente.

Caroline argumenta, contudo, que o Brasil tem um número significativo de professores. “Existem muitos professores no Brasil, é muito fácil você conhecer alguém na sua família que seja professor. Durante muitos anos, essa pessoa foi mal remunerada e, além disso, as condições de trabalho nas escolas ainda não são as melhores. Essa imagem é que propaga nacionalmente. Professor deveria estar recebendo bem mais do que ele recebe”, pontua. “Nos últimos estudos, o Brasil investe menos em educação na comparação com os países que são considerados referência em educação”, acrescenta, ao justificar a desvalorização da categoria.

No ano passado, Caroline iniciou um projeto no Todos Pela Educação que busca despertar nos jovens brasileiros o desejo de seguir a carreira de professor. Um dos pontos principais é fomentar a valorização da profissão e reunir estudantes altamente qualificados, tais como os que apresentam desempenhos elevados no Enem. Entre os pilares do projeto estão atratividade, ações de valorização e justamente a busca por jovens capacitados. “Queremos que os professores sejam bem mais capacitados. É preciso mexer na carreia, oferecer melhores salários e melhores condições de trabalho. O jovem brasileiro precisa entender que o ser professor requer enfrentar desafios. É, de fato, uma profissão muito desafiadora, porque você é o responsável pelo aprendizado e pelo futuro das gerações”, reforça a gerente.

De acordo com a doutora em educação e coordenadora da Pró-Reitoria para Assuntos Acadêmicos (Proacad) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Eleta Freire, a desvalorização dos professores no Brasil é clara. Uma das críticas dela refere-se à problemática da ausência de formação continuada, seja ainda no período da graduação em licenciatura ou após essa etapa. A doutora alerta a necessidade urgente dos docentes investirem em qualificação contínua, algo que pode fomentar melhores salários e melhores condições de ensino. 

“Acho que a gente pode fazer uma análise ampliada. A própria profissão docente precisa ser mais valorizada. Não só com formação inicial, mas formação continuada. Precisaria de um salário que não te obrigasse trabalhar dois, três horários. Temos professores da educação básica que para garantir uma renda que propicie uma vida não tão precária, ele vai ter que trabalhar manhã, tarde e noite. É uma carga de trabalho muito grande e na relação carga versus salário, não é das condições mais atrativas”, analisa a doutora em educação.

Eleta Freire indica ações que podem ajudar a valorizar a carreira de professor - Foto: Chico Peixoto/LeiaJáImagens

Para ela, existe um aspecto fundamental que precisa ser carregado por todos os professores: a identidade docente. Segundo a doutora, essa característica não é tida apenas como um dom; é também um fator que se adquire durante a graduação e formação continuada, desembocando no que se entende por profissionalismo docente. “A identidade docente ajuda muito. Se constrói no processo de formação inicial e continuada. Para além dos bancos da escola, está no olhar sobre a docência. Formação em termos de investimento em mim. É uma profissionalidade que se constrói no exercício da profissão, que vai construindo o gosto pela docência”, opina Eleta.

A doutora salienta ainda que as formações superiores para professor precisam de uma reformulação. Assim como as características sociais mudaram ao longo do tempo, a maneira como se ensina nas escolas também precisa acompanhar a forma como os novos costumes sociais se intensificam. “A formação precisa ser dinâmica. A sociedade não parou há um século, as mudanças são rápidas, as crianças de hoje não são as crianças de anos atrás. Se como docente eu não for me atualizando, se como formação os cursos não vão se atualizando, a tendência é que o curso forme para uma sociedade que não existe mais. Eles precisam estar se reinventando a todo tempo”, alerta. No áudio a seguir, a doutora em educação ainda traz uma reflexão sobre o histórico das licenciaturas:

Para Eleta, hoje os professores enfrentam sérios desafios, mas ela acredita que os principais são as barreiras que dificultam a formação continuada e as mudanças sociais que impactam a rotina dos estudantes. “Como desafio é a própria dinâmica social que a gente vive hoje. O estudante de hoje não é o estudante de 20 anos atrás. Ele pensava muito antes de enfrentar o professor. Ele tem elementos negativos quando há violência física e verbal, e isso tem desestimulado muito gente. Muitos professores ficam sem ação e de mãos atadas. Mas tem um enfrentamento que eu acho que é bom, porque há 60 anos o aluno era totalmente dependente do que o professor transmitia. Hoje tem um professor que não pode se imaginar como alguém que sabe tudo. Ele não pode imaginar o aluno como alguém que não sabe nada. O estudante está na sala e ao mesmo tempo está conectado com o mundo”, argumenta. 

“A formação tem que ser uma constante, continuada e para sempre. É um desafio, porque se você pensar um professor que precisa trabalhar três horários, em que momento ele pesquisa, planeja, ele estuda? É o que acontece com a maioria. Que professor pode trabalhar um horário só? É uma minoria”, finaliza a doutora em educação.

O discurso da representação e o argumento governamental 

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo, não economiza críticas contra a maneira como o professor é tratado no país. Para o representante da categoria, um conjunto de fatores explica o pouco interesse dos jovens brasileiros pela profissão e os problemas que prejudicam as condições de trabalho dos educadores. 

“São diversas ações que motivam essa falta de busca pela profissão. A violência no espaço escolar, o desrespeito com a carreira do professor. Nós trabalhamos com alguns indicadores de valorização profissional e todos estão afetados e prejudicam a procura da juventude. Falta política de formação continuada e o Estado deixa a cada profissional a responsabilidade, não investe em qualificações. As condições de trabalho também se tornam um problema extremamente sério, tem escola que você chega e não consegue ter um ambiente do trabalho”, frisa Araújo, além de reforçar o problema da questão salarial como um fator desmotivador entre os jovens.

De acordo com o presidente da CNTE, a administração das escolas públicas também afeta os profissionais da educação. Ele argumenta que muitos gestores são escolhidos por motivação política e não conhecimento na área pedagógica. “A gestão que se diz democrática nos afeta. Você tem uma lei que diz que tem uma gestão democrática e uma participação social na gestão das escolas, e o que você tem são gestores por indicação política. Ninguém quer passar por uma situação dessa, além de salários baixos, ainda passa por situações humilhantes”, opina o presidente. O representante da categoria ainda expõe sua visão social sobre a desvalorização do professor. “É uma questão social muito forte, vinculada com a concentração de renda brutal que existe no Brasil, de terra e dos meios de comunicação. Essa parcela rica não tem interesse na distribuição de renda no país. São gargalos que desprestigiam uma profissão tão importante, já que a educação não é valorizada e isso, consequentemente, afeta o professor”.

O presidente da CNTE acredita, contudo, que a população também precisa agir em prol dos educadores. “É preciso mobilização social. Todo mundo tem a clareza de que a educação é essencial. Este ano é de eleição, a gente precisa ouvir as propostas. Falta ter vergonha na cara de quem é eleito para prometer e cumprir. A educação de qualidade é um direito que está sendo negado à população. A mobilização é essencial para a gente ter acesso à educação e valorização dos trabalhadores de educação”, crava.

O LeiaJa.com procurou uma fonte do Ministério da Educação que pudesse responder acerca dos principais problemas que afetam os professores brasileiros. O órgão, por meio da sua assessoria de imprensa, preferiu não se posicionar. Por outro lado, a pasta indicou apenas a possibilidade de apuração junto à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que se resumiu em abordar os programas governamentais de formação docente. Confira a nota que detalha esses programas:

Com a finalidade de contribuir para o aperfeiçoamento da formação de professores nos cursos de licenciatura, a Capes lançou em março do corrente exercício os editais do Programa de Residência Pedagógica e do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid). Tais programas têm como premissas básicas o entendimento de que a formação de professores nos cursos de licenciatura deve assegurar aos seus egressos, habilidades e competências que lhes permitam realizar um ensino de qualidade nas escolas de educação básica. Sabe-se que essas habilidades e competências estão relacionadas, entre outros aspectos, ao conhecimento do conteúdo e de práticas pedagógicas em sala de aula e à preparação psicológica para atuação e abordagem das diferentes situações pedagógicas e relações do cotidiano escolar.

No entanto, observa-se que o distanciamento do discente de licenciatura, e até mesmo de seus formadores, do ambiente escolar afeta a qualidade da formação de professores no País. Essa é uma realidade que precisa ser mudada com urgência. O Programa de Residência Pedagógica e o Pibid são ações da Política Nacional de Formação de Formação de Professores para induzir e acelerar tal mudança.

O Programa de Residência Pedagógica tem por objetivo induzir o aperfeiçoamento do estágio curricular supervisionado nos cursos de licenciatura, por meio de imersão do licenciando que esteja na segunda metade do curso, numa escola de educação básica. A imersão deve contemplar, entre outras ações, regência de sala aula e intervenção pedagógica, acompanhada por um professor da escola com experiência na área de ensino do licenciando e orientação do docente da IES.

O Pibid, por sua vez, busca promover a iniciação do licenciando no ambiente escolar na primeira metade do curso, visando estimular, já no início do seu percurso formativo, a observação e a reflexão sobre a prática profissional docente no cotidiano das escolas públicas de educação básica e no contexto em que elas estão inseridas. No Pibid, os licenciandos também serão acompanhados por um professor da escola e por um docente da IES.

Ambos programas serão desenvolvidos em regime de colaboração com as redes de ensino. Assim, as IES devem organizar seus projetos institucionais em estreita articulação com a proposta pedagógica das redes de ensino que sediarão os subprojetos.

As IES serão selecionadas por meio de edital, que tem entre seus objetivos, ampliar o número de discentes de licenciatura atendidos; aprimorar os mecanismos de indução, incluindo critérios com vista à institucionalização das iniciativas de melhoria da formação prática dos licenciandos, valorização de seus formadores, a interiorização da oferta de bolsas; e, uma articulação mais efetiva com as redes de ensino.

Ainda no âmbito da Política Nacional de Formação de Professores, o Edital de articulação de ofertas do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) é uma das ações do Ministério da Educação para oferecer aos professores que atuam fora de suas áreas de formação, conforme Índice de Formação Docente (Censo da Educação Básica 2017), oportunidade de obterem a formação adequada, e consequentemente, melhorar sua ação docente.

O Sistema UAB completou, em 2016, 10 anos de existência. O programa, instituído pelo Decreto n.º 5.800, de 8 de junho de 2006, visa à expansão e à interiorização da oferta de cursos e programas de educação superior no país por meio da modalidade EaD (uso de tecnologias de comunicação e Informação no processo de ensino-aprendizagem) com intuito de democratizar o acesso a população com difícil acesso a este nível de ensino (Art. 1º). Tal expansão se dá articulados a dois objetivos estratégicos para o estado brasileiro:  minimizar o déficit de docentes, ampliando o quantitativo de profissionais docentes com formação em nível superior e ampliar a política de formação em nível de pós-graduação de docente que atuam na rede básica de ensino, oportunizando principalmente para municípios e estados que carecem de ações que ofereçam cursos de pós-graduação aos professores de sua rede de ensino.

As vagas que serão ofertadas nos programas – com início previsto para agosto deste ano - Residência Pedagógica, Pibid e UAD são apresentadas a seguir:

Pibid: 45 mil vagas

Residência Pedagógica: 45 mil vagas

UAB: 250 mil vagas

No caso dos programas Pibid e Residência Pedagógica o quantitativo de vagas corresponde ao número de bolsas que serão ofertadas aos licenciandos. Somando-se os dois editais, alcança-se o montante de 90 mil bolsas, número superior ao que era ofertado pelo Pibid implementado com o Edital 2013.

Três décadas de sala de aula

O professor André Luiz Vitorino de Souza, 49, vibra diante dos estudantes. Reitera o discurso em tom de conselho de que uma aula é como um prato de comida para quem sofre de fome. É uma maneira que ele encontrou de ilustrar para seus alunos a importância que o trabalho de um educador tem. No currículo, André coleciona passagens pelos principais colégios privados de Pernambuco, além de integrar o corpo docente das escolas estaduais.

André ama a sala de aula. Revela que o coração acelera a cada oportunidade de lecionar a biologia diante do alunato dos dez colégios onde ele trabalha. Segundo o educador, a vontade de se tornar professor se deu pela necessidade do Brasil melhorar a educação nacional, que para André é desvalorizada e desprezada pelos governantes. “Qual é a do país da gente? É não ter uma grande educação, porque se a gente tiver uma educação de qualidade, vamos mudar de categoria, iríamos sair de um país de terceiro mundo e brigaríamos com os países que tem saúde, educação de qualidade”, sustenta o docente, destacando que o problema é ainda mais sério nas escolas públicas.

De acordo com o professor, mesmo com todas as dificuldades que afetam a profissão, ele continua a carreira pelo propósito de oferecer aos estudantes uma oportunidade de ascensão social e profissional por meio da educação. André também frisa a importância de proporcionar aos alunos a chance de chegar ao ensino superior. “A universidade abre as portas e nos traz uma nova forma de pensar o mundo. Chegar à faculdade é o sonho da maioria dos jovens e o professor é um elo para a realização desse sonho”, comenta. 

O saudosismo de André ao se referir à profissão de professor não esconde, porém, sua indignação pela forma como a carreira docente é tratada no Brasil. Ele revela que sua maior frustração é a maneira como a figura do professor é vista no país; André arrisca, inclusive, que a profissão pode acabar. “Eu diria que é uma profissão em extinção. Você vê que os cursos de licenciatura a cada semestre têm menos procura, por causa da falta de reconhecimento financeiro. O professor forma todas as outras profissões e, entre elas, somos os que ganhamos menos. A única mágoa que eu tenho é que ganho menos do que eu merecia ganhar. Mas como amo muito o que faço e tenho muito tempo de estrada, acabo amenizando essa questão financeira, mas para um professor que está começando, a situação é difícil e atrapalha a continuação na carreira”, desabafa André Luiz.

“O que me motiva muito é colocar o aluno na universidade. É uma sensação indescritível, você vê um menino ou uma menina que saiu do zero chegando no ensino superior. É como se a gente, professor, estivesse passando no vestibular também. Quando chegamos na universidade, as portas se abrem, não só as do mercado de trabalho, mas também as das relações interpessoais, vamos conhecendo mais gente diferente da gente”, complementa o professor.

Ainda sobre a profissão, o professor de biologia ressalta um aspecto importante. De acordo com ele, na maioria das escolas onde trabalhou, ele teve uma relação respeitável com os alunos. Por outro lado, André confessa que alguns episódios são difíceis de enfrentar. “É difícil porque a gente tem que saber falar com o aluno, não podemos constranger o estudante, mas a aula tem que seguir mesmo quando ele está trabalhando, por exemplo. Noto hoje que o aluno está muito detentor de um poder de agredir a relação. Ou você tem muito tato, ou vai perder o controle. Graças a Deus não passei por situações muito graves, mas tenho conhecimento de colegas que passaram por sérios episódios”, conta. 

André encara 80 aulas por semana, entre escolas e cursos pré-vestibulares. Segundo ele, mesmo com o tempo apertado – contexto comum ao de muitos professores -, é fundamental investir em formação continuada. “Sou muito disciplinado e consegui fazer várias qualificações”. Desafios da profissão à parte, o professor ainda assim acredita que essa é a única carreira que ele pode seguir. “Não me vejo fazendo outra coisa. Não posso ser outra coisa, sou o professor André Luiz, de biologia. É a questão da vocação que sustento até hoje. Mesmo diante de tantos problemas, ainda sonho em ver minha profissão valorizada pelo país. Através de nós, docentes, a sociedade alcança seus anseios profissionais. Enquanto eu tiver saúde, serei professor”, conclui.

  

Valiosos mestres, responsáveis por nos guiar da nostalgia escolar aos braços da universidade. Com horas de trabalho quase que intermináveis, extraem o melhor dos livros e compartilham conosco todo o aprendizado na esperança de que sejamos grandes profissionais e integrantes de uma sociedade menos desigual e com mais educação. Na empreitada de quem teve a oportunidade de estudar desde o ensino básico ao ensino superior, eles sempre serão primordiais. Salve os professores! No entanto, os salvem também de tantos problemas.

Nesta sexta-feira (28), o LeiaJa.com publica a série de reportagens “Profissão professor: desafios dos educadores brasileiros”, que mostra em detalhes os desafios, virtudes e problemas de uma das categorias mais importantes para a formação educacional e social dos brasileiros. Mesmo tão importantes para as escolas e universidades, os docentes ainda amargam dificuldades em um país que sofre com uma educação ferida, mas que ainda é, sem rodeios, a principal ferramenta de ascensão social.

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Baixos salários que resultam em jovens cada vez mais distantes da formação docente no ensino superior. Educadores marcados por uma remuneração que, em muitos momentos, não chega nem perto do seu real valor profissional. Violência, falta de estrutura principalmente nas escolas públicas. Escassos investimentos nas universidades. É longa a lista de problemas que marcam os professores brasileiros.

Problemas esses, no entanto, que não ofuscam o brilho de muitos mestres. Seja no empreendedorismo, no esforço dobrado da docência e pesquisa, ou na missão honrosa de quem abre mão de dinheiro por uma sociedade mais justa graças à educação, professores do Brasil inteiro superam as mazelas com muito raça para levar o melhor do aprendizado aos seus alunos.

Na nossa série “Profissão professor: desafios dos educadores brasileiros”, sete reportagens multimídia abordam a rotina de docentes brasileiros e suas relações com os estudantes. Apesar de não ser valorizada como verdadeiramente merecia, a carreira docente ainda representa uma ponte firme e forte entre a escola e a tão sonhada chegada à universidade. O LeiaJa.com convida os nossos leitores a analisarem o universo profissional dos professores do Brasil e compreenderem de que forma é possível reverter um quadro ainda muito distante do ideal. Confira, a seguir, um resumo das matérias e os links que direcionam para os textos multimídia na íntegra: 

Primeira reportagem: Baixa procura por licenciaturas exige sérias medidas –Diante de um cenário repleto de problemas como baixos salários e desvalorização profissional, os cursos de licenciatura sentem, cada vez mais, a baixa procura dos estudantes brasileiros. Nas universidades, os poucos jovens que resolvem iniciar uma graduação para ser professores acabam desistindo da carreira. Especialistas chegam a cogitar que há o risco de colapso de educadores no futuro. Acompanhe os detalhes da problemática na reportagem, assim como ações que podem mudar esse panorama.

Segunda reportagem: Remuneração adequada do professor ainda é desafio diário – É praticamente unanimidade. Nos protestos dos professores realizados Brasil afora, a pauta salarial sempre tem força, guiando as reclamações da categoria e travando as negociações com os gestores nos âmbitos municipais, estudais e federais. O problema, inclusive, tem relação direta com os investimentos que o Brasil faz em educação. Investimentos esses muito aquém dos aplicados nos países desenvolvidos. Confira os detalhes na reportagem. 

Terceira reportagem: Professores por vocação – Mais que voluntários, realizadores de sonhos. As dificuldades salariais de muitos professores não encobrem a vontade de quem entende que a educação é fundamental o fim da desigualdade social no Brasil. Nesta reportagem, contamos histórias de professores que dedicam-se ao voluntariado na esperança de ver seus alunos, muitos deles pobres e à margem de uma educação igualitária, ostentando um diploma de nível superior. Um cursinho para pessoas transexuais. Um preparatório para jovens pobres. Duas inciativas que somam milhões de sonhos.  

Quarta reportagem: Professor empreendedor, entre a sala de aula e o negócio – Nesta matéria, mostramos com a visão empreendedora dos professores resultam em que a educação é a alma do negócio. Detalhamos o mercado de preparatórios para as principais universidades do Brasil, em que há docentes que, além de dedicarem suas horas de trabalho às salas de aulas, se lançam em meio às contas e funções administrativas para manterem seus empreendimentos de pé diante de um cenário cercado por concorrentes. No final de tudo, a aprovação no ensino superior vira sinônimo de lucro.

Quinta reportagem: Professores encaram desafios e cobrança no ensino superior - Além dos ambientes escolares e preparatórios para cursos superiores, o ambiente acadêmico é desafiador para os educadores brasileiros. Na universidade pública, a rotina da sala de aula divide espaço com o universo da pesquisa científica. As faculdades privadas também exigem docentes com experiência de sala, mas não abre mão das habilidades aprendidas no mercado de trabalho. Saiba mais na reportagem. 

Sexta reportagem: Aprendendo a ensinar a distância, o desafio do professor. O espaço físico de uma escola ou universidade não é mais o intocável local de aprendizado. O ensino a distância é mais que uma realidade no Brasil e, consequentemente, passou a exigir dos docentes uma nova forma de compartilhar conteúdo. A relação da tecnologia EAD com o mercado profissional dos professores você vê em detalhes nesta matéria. 

Sétima reportagem: Da escola à universidade: análises sobre o futuro docente – O que podemos esperar das novas formas de aprendizado? Como será a relação dos professores com as novas ferramentas tecnológicas? E o estudante universitário, de maneira vai encarar a graduação e o mercado de trabalho? As respostas para essas e outras perguntas integram as análises de especialistas em educação entrevistados nesta reportagem. Eles traçam as tendências que configuram o que deve ser o professor do futuro, tanto no âmbito universitário quanto no escolar.

Reforçamos o convite, caro leitor! Acompanhe a nossa série e compartilhe. Nossos professores não podem ser esquecidos. Não existe profissional sem o trabalho do professor. Boa leitura!

Expediente da série:

Reportagens: Nathan Santos; Eduarda Esteves e Marília Parente.

Edição de textos: Nathan Santos

Repórteres fotográficos: Chico Peixoto, Rafael Bandeira e Júlio Gomes. 

Edição de vídeos: Danilo Campello 

Artes e pós-produção: Raphael Sagatio 

O Governo do Estado de Pernambuco divulgou a abertura da seleção para intercâmbio internacional para estudantes de ensino médio de escolas da rede pública estadual de ensino. 

De acordo com a portaria publicada no Diário Oficial do Estado deste sábado (16), serão oferecidas 64 vagas, das quais 63 são destinadas a língua espanhola e uma a língua alemã. Além disso, foram criadas também bolsas-intercâmbio. 

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Intercâmbio na Alemanha

Os estudantes interessados no intercâmbio para a Alemanha devem se inscrever na próxima terça (19) e quarta-feira (20), das 8h às 17h enviando um e-mail com o assunto “inscrição novo edital Alemanha 2018” para o endereço programaganheomundointercambio@educacao.pe.gov.br

A relação dos alunos selecionados para fazer a seleção será divulgada até a próxima quinta-feira (21) e a prova será aplicada no dia 29 de junho, das 9h às 12h. O resultado final será divulgado até o dia 11 de julho no site da Secretaria de Educação.

Países de língua espanhola

Quem quiser concorrer às vagas para países de língua espanhola deve se inscrever da próxima quarta-feira (20) até o dia 26 de junho, também por e-mail com o assunto “inscrição novo edital espanhol 2018” para o endereço ganheomundointercambio@educacao.pe.gov.br, ou até o dia 27 de junho através do site da Secretaria Estadual de Educação, onde será divulgada a lista de estudantes aptos a fazer a seleção no dia 3 de julho. 

A prova de seleção será aplicada no dia 18 de julho, das 9h às 12h, e a lista final de aprovados será divulgada até às 23h59 do dia 6 de agosto, também no site da secretaria. Outros detalhes como o local das provas, tópicos a estudar e documentos que precisam ser enviados para a inscrição por e-mail serão divulgados no edital completo. 

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Em decorrência das dificuldades de abastecimento e locomoção causada pelo bloqueio de vias durante a greve dos caminhoneiros, várias instituições de ensino públicas e privadas cancelaram os expedientes e aulas em Pernambuco nesta segunda-feira (28). 

Escolas

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Na Região Metropolitana do Recife, as prefeituras de Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Paulista e São Lourenço da Mata suspenderam as aulas das escolas da rede municipal. A Prefeitura do Recife e a Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco mantém o expediente de todas as escolas.

O LeiaJá procurou o Sindicato dos Professores de Pernambuco (Sinpro-PE) em busca de informações sobre o funcionamento das escolas privadas, mas não obteve resposta.

Universidades 

A Universidade de Pernambuco (UPE) cancelou as aulas de todos os turnos em todos os 15 campi distribuídos em todo o estado, mantendo o funcionamento do Complexo Hospitalar da UPE, composto pelo Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), do Pronto-Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco (Procape) e do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam). Não foi informado o horário em que a instituição se pronunciará sobre o expediente de terça-feira (29). 

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) suspendeu as aulas nesta segunda (28) nos campi de Recife, Vitória e Caruaru para todos os turnos. O Hospital das Clínicas está com o funcionamento mantido e às 14h será decidida a situação para a próxima terça-feira (28). 

A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) suspendeu o expediente administrativo e as aulas para esta segunda-feira (28) e emitirá um comunicado sobre a situação de terça-feira (29) às 16h. 

O Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) também suspendeu as atividades em todos os campi do estado, sem no entanto anunciar a que horário definiria o expediente de terça-feira. 

A Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) cancelou o expediente desta segunda para todos os turnos e deverá emitir comunicado pela tarde para informar sobre a situação para a terça-feira (28). 

A UNINASSAU suspendeu as aulas dos turnos da manhã e da tarde, não havendo ainda decisão a respeito das aulas do turno da noite nem da próxima terça. A instituição deverá emitir um comunicado sobre a questão na tarde desta segunda (28). 

A UniFBV, no Recife, cancelou as aulas de todos os turnos enquanto a Unifavip, em Caruaru, suspendeu as atividades da manhã e da tarde. Já a Faculdade Pernambucana de Saúde informou que as aulas da manhã e da tarde estão suspensas. As atividades dos estudantes no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP) estão mantidas, sem prejuízo aos estudantes que não conseguirem chegar. 

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A Secretaria de Educação do Estado (SEE) lançou, na última segunda-feira (7), o projeto “Andanças – Mostra de Cinema em Gênero e Diversidade”. O evento promove sessões de cinema e oficinas sobre as temáticas em escolas de todas as regiões do Estado. Ao total, 25 escolas serão contempladas até o dia 12 de junho.

De acordo com a SEE, o objetivo é fortalecer as discussões de gênero e diversidade na educação básica, e divulgar e valorizar o cenário do audiovisual do Estado.

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O conteúdo das oficinas será desenvolvido pelos próprios cineastas/produtores locais, sob o intermédio pela Gerência de Educação Inclusiva e Direitos Humanos (GEIDH) da SEE. A mostra ainda receberá representantes de movimentos sociais LGBT e pesquisadores.

A ação ainda proporcionará o desenvolvimento de um material pedagógico eletrônico, previsto para ser lançado em dezembro deste ano, no site da SEE. Nele será exposto a confecção dos produtos como desenhos, cordéis, frases, poemas e colagens desenvolvidos pelos alunos após as exibições e oficinas.

O projeto faz parte da campanha “10 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra a População LGBT”, do Governo de Pernambuco em parceria com movimentos sociais e prefeituras.


Roteiro - Confira as escolas que receberam/receberão a mostra:


07/05 - Escola Rotary do Alto do Pascoal (Recife)


08/05 - Escola Professora Elisete Lopes de Lima Pires (Caruaru)


09/05 – Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Professor Fernando Mota (Recife)


10/05 - EREM Dom Vital (Recife)


11/05 - CASE Santa Luzia (Recife)


14/5 - EREM Professora Jandira de Andrade Lima (Limoeiro)


15/5 - Escola Maria Cecília Barbosa Leal (Surubim)


16/5 – Escola Técnica Estadual José Joaquim da Silva Filho (Vitória de Santo Antão)


Escola Estadual Professora Amélia Coelho (Vitória de Santo Antão)


17/5 – EREM Guedes Alcoforado (Olinda)


18/5 – Escola Padre Osmar Novaes (Paulista)


21/5 – EREM Devaldo Borges (Gravatá)


22/5- EREM Professor Denival José Rodrigues de Melo (Itaquitinga)


23/5 – EREM de Bezerros (Bezerros)


24/5 – EREM Nicanor Souto Maior (Caruaru)


25/5- EREM Professor Agamenon Magalhães (São Lourenço)


28/5 – EREM Augusto Gondim (Goiana)


Escola João Alfredo (Goiana)


29/5 – EREM Dr. Jaime Monteiro (Gameleira)


04/6 – EREM Gov. Miguel Arraes De Alencar (Granito)


05/6 – EREM Professor Urbano Gomes de Sá (Salgueiro)


06/6 – EREM Professora Ione de Góes Barros (Afogados da Ingazeira)


07/6 - EREM Carlos Rios (Arcoverde)


08/6 - EREM Senador Vitorino Freire (Arcoverde)


11/6 – EREM Professor Jerônimo Gueiros (Garanhuns)


SERVIÇO

Andanças – Mostra de Cinema em Gênero e Diversidade

De 7 de maio a 12 de junho em 25 escolas públicas estaduais de Pernambuco

Mais informações: (81) 3183-9293

O presidente Michel Temer (MDB) sancionou na segunda-feira (14) uma lei de combate ao bullying nas escolas. O texto altera um trecho da Lei 9.394, de 1996 e inclui a responsabilidade das escolas em promover medidas de combate ao bullying, além de pensar em ações de promoção da cultura de paz.

A lei original, instituída no governo Fernando Henrique Cardoso, estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. O artigo 12 trata da incumbência dos estabelecimentos de ensino.

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“Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de:

IX - promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática (bullying), no âmbito das escolas;

X - estabelecer ações destinadas a promover a cultura de paz nas escolas”, diz a lei atualizada.

Além das atitudes típicas de bullying, a matéria busca combater outros tipos de violência como agressão verbal, discriminação, práticas de furto e roubo, ameaças e agressão física. O projeto de alteração da lei saiu do Senado dia 17 de abril para sanção presidencial.

Lei Antibullying

A lei sancionada na última segunda-feira (14) amplia as obrigações das escolas previstas na lei que criou o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying), sancionada em 2015 pela então presidente Dilma Rousseff.

Esta lei, que entrou em vigor em 2015, prevê que, além de clubes e agremiações recreativas, as escolas desenvolvam medidas de conscientização, prevenção e combate ao bullying.

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“E agora é só felicidade. O menino invisível não existe mais.” Assim termina a história de Lucas Queiróz. O menino relata o bullying que sofreu na escola por usar uma bolsa de colostomia. O texto faz parte de seu livro, escrito a partir do incentivo de um dos projetos da Escola de Ensino Fundamental Clodomir de Lima Begot, em Ananindeua, município de Belém.

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A escolinha fica no fim de uma rua deserta, tem quatro salas e um único corredor. Os 205 alunos são apaixonados pela sala de leitura de onde emprestam livros às sextas-feiras e os levam para casa para ler com os pais. 

Clodomir de Lima Begot é uma das poucas escolas de Ananindeua que incentivam massivamente a leitura desde o Ensino Funtamental. Às quartas, quintas e sextas-feiras, as professoras responsáveis pela sala de leitura entram em sala de aula para contar histórias para os alunos. “Eu leio, conto histórias, faço um momento de roda de histórias, tanto que eu sou querida na escola por causa disso. Eu entro na sala com as literaturas e eles já sabem que eu vou fazer uma roda, que eu vou contar histórias e eles gostam”, conta a professora Vera Raiol. 

Vera é uma das idealizadoras dos projetos de leitura e escrita que a escola realiza há dois anos. Ela conta que incentiva as crianças a se inspirarem em literaturas infanto-juvenis para produzir seus textos. A professora leva um bauzinho literário com os livros que mais interessam aos alunos para dentro das salas. Eles sentam em roda e ela lê. “Então eu leio, conquisto, porque primeiro tem que ter essa fase de encantamento”, conta. 

Um dos projetos é o Amolendas, criado em 2016, que deu origem ao livro “Lendas Ananins – Sob Novos Olhares”, lançado em Brasília e apresentado na Feira da Cultura da escola, onde foram distribuídos alguns exemplares. No livro, as crianças recontam lendas de Ananindeua a partir da interpretação e imaginação delas. As histórias acabaram virando peça teatral. 

Em 2017, foi lançado o Projeto Novos Autores. Vinte e seis crianças entre 8 e 12 anos escreveram 27 histórias por meio de textos e desenhos. Inspirados nos livros da sala de leitura, os alunos narraram histórias de princesas, fantasmas, bullying, amizade e sonhos realizados. Os livros serão utilizados como material paradidático na escola. 

“Quando você dá um papel pra uma criança onde ela só risca, ela fala, ela vai te contar uma história através de rabisco. Quando ela te conta a história, todo aquele rabisco pra ela tem um significado. Muita das vezes você diz ‘mas como que uma criança vai produzir algo?’. Ela produz da forma dela, da visão dela”, explica a diretora da escola, Jacirema Silva, que acredita que a criança deve ter contato com a leitura e escrita desde a Educação Infantil.

Sorte de poucos - Maria do Socorro Tavares é formada em Pedagogia há 30 anos pela Ficom(Faculdades Integradas do Colégio Moderno) e especialista em Gestão Escolar pela Universidade Estadual do Pará (Uepa). Aposentada há quatro anos, ela trabalhou como professora, coordenadora e diretora durante os 30 anos de profissão em escolas estaduais e municipais de Breves, Melgaço, Porto de Moz, Belterra, Jacareacanga, Trairão, Ipixuna do Pará e Santa Cruz do Arari, nos interiores do Pará.  “Eu, professora durante 30 anos, observei que até hoje nós estamos engatinhando no trabalho em relação a melhorar tanto a leitura quanto a escrita dos nossos alunos. O que nós vemos são crianças que não conseguem ler. Quando eu digo ler, é ler e entender”, diz a professora. 

 De acordo com a educadora, a realidade no interior do Pará é desestimulante tanto para as crianças como para os professores da rede pública. As condições tanto do ambiente interno quanto do ambiente externo da escola e a falta de material para o prosseguimento de projetos acabam comprometendo o desenvolvimento das crianças. “Nossas crianças têm falta de vontade e nós temos uma escola que não dá essas oportunidades para criança, em termos de incentivá-las e de ajudá-las. Quando nós temos escolas que trabalham dessa forma, infelizmente, os projetos ficam por um tempo e depois se perdem, na questão da falta de estrutura, da falta de material”, diz. 

“O professor começa a cansar. Eu mesmo dei muitos murros em ponta de faca. É você batalhar. Você consegue levar um trabalho à frente e vai faltando a estrutura para que esse projeto permaneça firme. O professor se sente cansado porque a ele também faltam incentivos”, explica a professora.

Maria do Socorro passou por várias escolas em que não havia bibliotecas ou sala de leitura. Era comum esses espaços serem improvisadas embaixo de árvores e salas de barro com chão de terra batida com poucos livros. Quando questionada sobre os espaços de leitura, ela responde rindo: “Essa questão de bibliotecas, de espaço de leitura, eu posso dizer com bastante propriedade, porque eu andei por muitos municípios do Pará e eu conheci diversos espaços que não chegavam nem perto de se dizer que era uma biblioteca. Bibliotecas mesmo eu encontrei poucas, pouquíssimas. O que eu achava era uma sala com um acervo velho. Salas em que tinham só as carteiras, que o piso nem existia, era barro ou espaços mesmo embaixo das árvores, como os antigos filósofos faziam. O que eu mais achava era esse embaixo das árvores”.

“Muitas vezes a gente vê nas redes sociais as escolas fazendo ações para angariar fundos e muitas vezes os professores tiram dinheiro do próprio bolso, como eu em muitos momentos comprei pincel para quadro, comprei material para que eu pudesse levar projetos à frente. Muitas vezes brigando com a Secretaria de Educação, quando fui diretora, tentando mostrar a importância dos projetos de leitura e escrita”, conta Maria do Socorro sobre os esforços que os professores fazem para um manter um projeto em uma escola de rede pública. 

Segundo a professora aposentada, os trabalhos desenvolvidos pelas Secretaria de Educação tanto em nível municipal como estadual são muito bons para incentivarem os alunos à leitura. Mas com a falta de comunicação e divulgação do projeto as escolas não conseguem se organizar para participar. “Na verdade, as escolas públicas têm projetos maravilhosos que muitas vezes não são divulgados por falta de comunicação. Às vezes chega com atraso, chega em cima da hora, falta uma semana, faltam dois dias e acaba não dando tempo para escola se organizar.”

Mesmo diante dessa realidade, existem pessoas que contribuem para o desenvolvimento de instituições que priorizam a educação por meio da leitura. O Projeto Livro Solidário faz doações de livros para escolas públicas, centros comunitários, ONGs e iniciativas particulares com o objetivo de suprir as necessidades de leitura das comunidades de Belém e região metropolitana. Livros de poesia, contos, crônicas e romances são doados por meios de campanhas de órgãos públicos. 

O Livro Solidário já implantou salas de leitura em escolas dos municípios de Ananindeua e Benevides e no bairro do Bengui e distrito de Mosqueiro, em Belém. O projeto acredita na esperança de promover a cidadania e o desenvolvimento social. “Acreditamos nessa iniciativa porque, cada vez que doamos livros, vemos a felicidade de pessoas que lutam por uma educação melhor”, afirmam os coordenadores.

Por Belisa Maria Amaral, Irlaine Nóbrega e Jamyla Magno.

 

A Secretaria Estadual de Educação do Governo de Pernambuco lançou uma plataforma digital para auxiliar os professores no registro de informações sobre as aulas e os estudantes através de dispositivos móveis, como tablets e celulares que operam com os sistemas operacionais Android e IOS. 

O aplicativo do Sistema de Informações da Educação de Pernambuco, “SIEPE - Diário de Classe”, permite que o registro de dados como as notas, frequência escolar, apontamentos e consultas a conteúdos curriculares, mesmo sem uma conexão direta com a internet.

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A utilização offline é possível pois o sistema permite a inserção de conteúdo offline que é sincronizado quando o dispositivo se conecta à rede. A versão do sistema que já era utilizada anteriormente pelos professores tinha as mesmas funções, mas só podia ser utilizada em computadores e com acesso à internet. 

De acordo com o secretário Executivo de Gestão da Rede, João Charamba, o aplicativo torna o trabalho dos professores mais rápido e atrativo, além de reduzir os custos com a impressão de cadernetas.

Atualmente, cerca de 19 mil professores em escolas de toda a rede estadual de ensino já utilizam o aplicativo e, de acordo com o secretário, “a tendência é aumentar esse quantitativo de escolas que adotam o sistema, porque tanto a versão desktop quanto o aplicativo representam um ganho pedagógico”, explicou ele.

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Entre muitos outros aspectos importantes da cidade, o centro do Recife abrigou por muito tempo uma efervescência e tradição muito fortes no que diz respeito a abrigar grandes instituições de ensino.

Grandes colégios como por exemplo o São José, Salesiano, Ginásio Pernambucano, Vera Cruz, Agnes e Damas ainda continuam ativos e funcionando tanto nos bairros do Recife, Santo Antônio, São José, Boa Vista e suas adjacências. 

No entanto, o descaso e o abandono do centro da cidade como local de encontros, convivência, moradia, expressões culturais e de estudos fez com que, com o passar do tempo, grandes instituições de ensino mudassem de endereço ou até mesmo deixassem de existir.  

O Colégio Marista da Avenida Conde da Boa Vista, o Nossa Senhora do Carmo, Colégio Contato, Colégio Nóbrega e o antigo Liceu de Artes e Ofícios, que foram responsáveis por formar muitos recifenses e pessoas que vinham de outros lugares, colégios que participaram da formação de grandes personalidades da história do Estado (e até mesmo do país), sofreram com esse processo de remodelagem do cenário da cidade e da relação entre os moradores do Recife com os bairros do centro e da periferia.

Os motivos dessa decadência do centro da cidade como um local que abrigava grandes colégios que tinham estruturas enormes e eram referências de educação na região são os mais diversos possíveis e começaram a se desenhar há quase um século. 

Formação do centro do Recife como pólo educativo

De acordo com o professor-doutor de História do Brasil e História das Religiões na Universidade de Pernambuco (UPE), Carlos André Silva de Moura, que durante a sua graduação em história pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) chegou a fazer estágio na antiga sede do Liceu de Artes e Ofícios, problemas com o custo de manutenção, novas configurações urbanas, redução do número de alunos, dificuldades de mobilidade, altas mensalidades, erros de administração, e dificuldades de adaptação aos novos moldes de ensino e acesso aos cursos de nível superior, entre outras razões,levaram à transferência ou fechamento de muitos desses colégios da região central do Recife que tiveram no passado seus tempos áureos.

Carlos explica que o centro do Recife nos séculos XIX e XX já tinha uma forte tradição comercial, mas também abrigava grande parte da população da cidade, configurando-se em uma região de bairros residenciais, uma vez que áreas como as zonas sul e oeste eram extremamente distantes devido às realidades de deslocamento mais lento dessa época. Era comum, segundo ele, encontrar casas com dois ou três andares que abrigavam, ao mesmo tempo, pontos de venda de produtos ou serviços e a moradia dos comerciantes que ali trabalhavam e suas famílias. 

Ensino e religião

Além disso, grande parte destas escolas tradicionais eram (e a maioria das que sobreviveram ainda são) ligadas a grupos e congregações religiosas, católicas ou protestantes e, via de regra, as instituições religiosas também ficavam concentradas na área mais central da cidade, em locais estrategicamente escolhidos para ficar perto da maioria dos fies. 

Carlos André explica ainda que a ligação entre ensino e religião foi parte de um processo muito maior de crescimento das igrejas, que tinham todo um projeto não só educativo mas também sociocultural que buscava aumentar o número de fieis e obter mais poder de influência depois que o Brasil deixou de ter religião oficial, em uma tentativa de estar, de alguma maneira, perto do poder político e influenciando na formação humana e cidadã de indivíduos que deveriam seguir toda uma filosofia e código de moral católica. 

Esse objetivo foi levado adiante por meio da implementação do culto a Nossa Senhora de Fátima fora de Portugal. Uma das razões dessa busca, segundo o historiador, foi a expulsão de padres Jesuítas de Portugal depois de uma lei proibir práticas católicas no país, fazendo com que os religiosos buscassem o exílio.

Nesse contexto, vários colégios começam a surgir como parte desse projeto sociocultural religioso levado a cabo por várias congregações diferentes. O Colégio Manoel da Nóbrega, mais conhecido como Colégio Nóbrega, é um ótimo exemplo desse contexto: foi fundado por Jesuítas em 1917 no bairro da Boa Vista quando o Palácio da Soledade, que era residência do bispo, foi cedido para a abrigar o colégio, juntamente com o terreno ao lado desse prédio para construir uma estrutura educacional maior e também o primeiro santuário dedicado a Nossa Senhora de Fátima fora de Portugal. Seguindo uma lógica semelhante, outras ordens também fundam colégios como o Salesiano, Marista, Nossa Senhora do Carmo, Damas e São José. 

O grande número de alunos, o prestígio trazido por se configurarem em referências de qualidade de ensino e nomes de estudantes que conseguiram carreiras e vidas públicas de sucesso e notoriedade após saírem dos seus colégios fez com que todas essas grandes instituições localizadas nos bairros centrais do Recife tivessem uma grande tradição de ensino e resistissem por um longo período de tempo, deixando marcas na paisagem da capital de Pernambuco, na memória e na afetividade dos moradores, alunos, professores e ex-alunos.

Reformulação Urbana

Essa prosperidade, no entanto, começou a mudar quando algumas mudanças no perfil de habitação e fluxos de mobilidade urbana se alteraram por força de algumas decisões políticas que mudaram “a cara” do Bairro do Recife, de São José, Santo Antônio e da Boa Vista. 

O historiador Carlos André Silva de Moura conta que a reforma no Porto do Recife, levada a cabo nas décadas de 10 e 20 do século passado, juntamente com os projetos de “higienização” do centro, que tinham por objetivo retirar habitações precárias e a população mais pobre do centro da cidade realizados pelo governador Agamenon Magalhães durante o período do Estado Novo (década de 1930) fizeram com que muitas pessoas que residiam na área central da cidade tivessem que se mudar para áreas mais distantes. 

Paralelamente, a abertura de grandes avenidas na década de 1950 e a chegada de mais escolas em bairros que ficavam em regiões periféricas fez com que muitos estudantes que tinham dificuldades de sair de onde moravam e chegar até o centro para estudar fossem matriculados em escolas que ficavam mais perto de suas casas, reduzindo o contingente de alunos de instituições localizadas na área central. 

Crescimento do Ensino Público

Dificuldades financeiras advindas de crises econômicas que o Brasil enfrentou no século passado e novas políticas de ensino gratuito e laico, juntamente a novas formas de acesso à educação superior pública também foram fatores que causaram um grande impacto aos colégios que sumiram do centro da cidade. 

O surgimento do sistema de cotas para estudantes de escolas públicas em universidades federais e estaduais, a ampliação do ensino em período integral nas Escolas de Referência em Ensino Médio, o surgimento de colégios de aplicação ligados a universidades públicas e a multiplicação de Institutos Federais que aliam o ensino médio a uma formação técnica fizeram com que o ensino público se tornasse, gradativamente, uma opção atrativa para as famílias de muitos estudantes que não podiam arcar com as altas mensalidades dos grandes colégios do centro do Recife. 

Dificuldades de Adaptação

Carlos André explicou também que várias instituições de ensino tradicionais continuaram a pensar a gestão baseada em um período em que não havia um grande índice de inadimplência, onde os meios de acesso ao ensino superior eram diferentes e o desejo dos pais e estudantes começava a deixar de ser ligado à filosofia social e religiosa da escola e fica muito mais atento à qualidade do ensino.

Dessa maneira, vários dos colégios que permaneceram na área central tiveram que lidar com um número de alunos que diminuía e custos de manutenção estrutural que se mantinham no mesmo patamar ou se elevavam.

Muitas dessas escolas tradicionais, segundo o professor, tiveram dificuldades de adaptar suas estruturas físicas grandiosas, a administração financeira e o perfil de ensino praticado no passado à nova realidade urbana e social do Recife. 

Assim, a falência, venda a grupos empresariais ou mudança de endereço para lugares de mais fácil acesso via transporte público foram problemas que atingiram grande parte dos colégios de grande tradição dos bairros centrais do Recife. Veja, a seguir, alguns exemplos:

Lyceu de Artes e Officios

O Liceu de Artes e Ofícios, que oferecia educação profissional privada e depois também instituiu o ensino básico, passou para o controle do Estado de Pernambuco. Com o tempo a sua antiga sede, um prédio neoclássico localizado junto à Praça da República, não comportava mais o número de alunos a que a instituição atendia sem que recebesse a manutenção adequada de que precisava. 

Por ter uma parceria com a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), que enviava estudantes de graduação de diversas áreas para estagiar no Liceu, a instituição foi temporariamente transferida para as instalações do antigo Colégio Nóbrega, que pertencia à Unicap, na época do fechamento do mesmo, criando-se então o Liceu Nóbrega, localizado entre a rua Oliveira Lima e a Rua do Príncipe.  

De acordo com o professor de História e pesquisador Carlos André, ainda existe uma pretensão de que o Liceu retorne para o seu antigo endereço. No entanto, o prédio está muito danificado pela falta de manutenção e pelos anos de abandono, não existindo também nenhum projeto de restauração do edifício em andamento no momento. 

Colégio Nóbrega

O antigo Colégio Nóbrega foi fundado por padres da Ordem dos Jesuítas no ano de 1917, começando a funcionar no Palácio da Boa Vista, um prédio histórico que era utilizado como residência do bispo. 

Além de ceder o palácio para abrigar as turmas de anos do ensino primário, a igreja também ofereceu um terreno de 17 mil metros quadrados que hoje tem cinco edificações ao longo de um quarteirão inteiro, ligado à Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), que segue sendo a administradora da estrutura física do antigo colégio, abrigando atualmente o Liceu Nóbrega em uma união do Liceu de Artes e Ofícios com o espaço do Nóbrega. 

Com uma estrutura grandiosa, um alunado altamente numeroso que incluía personalidades ilustres, um ensino que era reconhecido por sua qualidade e uma preocupação com a formação humana e religiosa dos estudantes, o colégio Nóbrega abrigava o primeiro santuário dedicado a Nossa Senhora de Fátima fora de Portugal, que ainda funciona no mesmo local. 

Em um documentário produzido por uma ex-aluna do colégio, o reitor da Unicap afirmou que o fechamento do colégio foi inevitável e veio após uma luta de 15 anos para salvar o Nóbrega. De acordo com ele, a ordem religiosa fez esforços dentro e fora do Brasil pelo colégio, mas “O Nóbrega mostrou que não tinha capacidade, não tinha força para ser o colégio que ficou na memória das pessoas. Por mais triste que tenha sido a notícia, ela tem um lado de realidade que não é só uma história do Colégio Nóbrega, é a história de muitas instituições do Recife que não conseguem, por mais que elas tenham valor, se readaptar aos novos desafios”, disse ele referindo-se a dificuldades financeiras e perda de alunos devido a dificuldades de mobilidade urbana e criação de novos colégios em bairros mais afastados do centro da cidade. 

O colégio é lembrado até hoje com muito carinho e saudade por seus muitos ex-alunos que ficaram entristecidos tanto com o fechamento de sua antiga escola, que foi um choque, quanto com o descaso com a estrutura que um dia abrigou a instituição de ensino e se encontrava literalmente em ruínas, correndo risco de desabamento. Os problemas estruturais eram de uma gravidade tamanha que muitos ex-alunos queriam acionar o Ministério Público contra a universidade, uma vez que a estrutura do Nóbrega é tombada como patrimônio histórico. 

A comunidade escolar do Nóbrega continuou unida em torno do objetivo de lutar pela preservação do legado do colégio que os formou, no qual amizades que duram toda a vida e até histórias de amor que resultaram em casamento tiveram início, onde boas lembranças foram cultivadas e havia um sentimento quase familiar entre alunos, professores e funcionários. 

Um exemplo de ex-aluno que segue ligado ao colégio mesmo 38 anos depois de ter saído do colégio é Luís Eduardo Travassos, de 54 anos, que estudou no Nóbrega de 1964 a 1980 e hoje, além de trabalhar no Tribunal de Justiça de Pernambuco, é diretor da criação de um memorial ao Colégio Nóbrega, idealizado pela Associação dos Amigos de Fátima (Amifat), instituição ligada ao santuário e que tem em seu organograma a criação de um memorial ao antigo colégio. 

No ano de 2017, Luís também esteve à frente da articulação para a celebração dos aniversários de cem anos do colégio e também da aparição de Nossa Senhora de Fátima, que coincide com a fundação do Nóbrega. 

Além disso, Luís organizou várias confraternizações de ex-alunos e está à frente da montagem e lançamento de um livro que resgata parte das memórias dos estudantes do antigo Nóbrega. Entre os motivos para seguir atuante, à frente das articulações pela preservação do Nóbrega e de sua memória, Luís aponta a importância que a instituição teve não apenas para a sua vida, mas também para o Recife e para Pernambuco como um todo através da formação de figuras públicas que tiveram e ainda têm importância política e histórica. 

VÍDEO - importância do colégio

O sentimento de tristeza com o fechamento deriva de um amor, um carinho, de uma afetividade muito forte dos ex-alunos e ex-funcionários com o antigo colégio. 

Todo esse afeto fazia e faz, até hoje, com que os estudantes não consigam se afastar e se desligar do espaço do colégio e das lembranças que ele abrigou. Amizades com décadas de duração, romances, brincadeiras, acolhimento e um sentimento familiar marcaram a vida destas pessoas que estão dispostas a não deixar que essas lembranças se percam no tempo ou sejam esquecidas. 

VÍDEO Afetividade dos ex-alunos

Esse mesmo afeto que faz com que os ex-alunos não se desconectem do colégio os movimenta e motiva a manter a força de articulação, sempre planejando novas ações que os mantenham unidos e atuantes para garantir tanto a preservação do local onde o colégio ficava através da reforma estrutural e também do restauro interno, para lutar pelo resgate de antigos materiais da instituição e para dar um uso, um destino ao espaço do Nóbrega, onde deverá ficar o memorial. 

Essa força dos antigos estudantes foi de fundamental importância para que fossem o colégio recebesse a atenção que merecia diante da sua importância sociocultural durante os 89 anos em que esteve aberto e funcionando. 

Vídeo  Articulação pela memória

Para o futuro, o desejo de Luís Eduardo e também de outros ex-alunos é que o memorial seja concluído, continuar fazendo reuniões e fundar uma associação de ex-alunos do colégio. Para ele, “a construção desse memorial é a consolidação de toda a nossa luta nesses 12 anos”. 

Colégio Marista

O Colégio Marista que ficava no coração do centro do Recife, na Avenida Conde da Boa Vista, também era uma instituição de ensino católica, com uma estrutura física imensa e um grande número de alunos que ajudava a movimentar a região central desde o ano de 1924 até 2002, após 78 anos de uma história tradicional, sendo reconhecido como um colégio que era referência em qualidade de ensino. 

Os motivos do fechamento seguem a mesma linha das demais instituições de ensino tradicionais que não conseguiram resistir no centro do Recife. No entanto, há um agravante no caso do antigo Colégio Marista no que diz respeito a preservação da memória do que o colégio foi nos seus tempos áureos e da importância que ele teve para a cidade: com o fechamento, o prédio do colégio foi comprado pelo grupo varejista Atacado dos Presentes, que instalou uma unidade da empresa no local onde antes havia uma capela, piscina, quadra de esportes e salas de aulas. Além disso, o acesso da frente para a avenida foi fechado com tapumes e uma corrente de ferro que são guardadas por seguranças contratados pela loja. 

Para quem estudou no colégio e tinha carinho pelos bons momentos ali vividos, pelas amizades construídas e pelas boas lembranças que ficam depois dos tempos de escola, ver o colégio fechado, a estrutura descaracterizada e uma megaloja no lugar que fez parte da sua formação é motivo de tristeza e pesar. 

O empresário Roderick Jordão, de 38 anos, foi aluno do antigo Marista durante o ensino médio entre os anos de 1996 e 1998. Essa fase da vida, de acordo com ele, foi muito legal e repleta de novidades que o colégio proporcionou, tanto nas aulas quanto fazendo amigos e em momentos legais vividos intensamente “aprontando” e “dando trabalho” no colégio. Esse carinho, as lembranças felizes e algumas das amizades da época, de acordo com Roderick, sobreviveram ao tempo como o colégio, infelizmente, não conseguiu.

VÍDEO - LEMBRANÇAS

O dia-a-dia dos aredores do colégio e a maneira como os estudantes e a sua presença no centro, o deslocamento até o colégio impactava na região e movimentava a avenida, que ficava repleta de alunos todos os dias. 

Roderick ainda se recorda e mostra onde ficava cada parte do colégio, lembrando momentos e partes da rotina que aconteciam em cada parte daquele território, incluindo as partes que, após a venda para o Atacado Dos Presentes, foram demolidas. 

VÍDEO- ONDE FICAVA CADA PARTE DO COLÉGIO

A notícia do fechamento foi chegando aos poucos a cada ex-alunos através de um grupo que todos eles mantinham na internet, através do Orkut, rede social mais popular da época. As reações foram as mais diversas, mas o sentimento de tristeza foi geral, havendo inclusive pessoas que choraram ao saber que o colégio seria fechado e transformado em loja. 

Para Roderick, foi uma surpresa triste, que parecia inimaginável diante do tamanho e do número de alunos de um colégio como aquele, que tinha salas lotadas com seis turmas só no primeiro ano do Ensino Médio. 

Roderick não morava no Recife quando recebeu a notícia sobre o fechamento do Marista, mas tem a triste lembrança de que chegou a ir ver o momento da demolição do colégio após a venda para o grupo de varejo. 

VÍDEO- SENTIMENTO COM O FECHAMENTO

Ginásio Pernambucano: Tradição e Resistência

Uma das razões apontadas pelo historiador e professor Carlos André Silva de Moura para que muitas escolas tradicionais não tenham conseguido seguir em funcionamento foi o alto custo das mensalidades que eram cobradas para poder manter as grandes estruturas físicas dessas instituições, abrindo espaço para que muitos estudantes troquem essas instituições por escolas públicas que também apresentam um ensino de boa qualidade a um custo mais baixo. No mesmo contexto, as dificuldades de se adaptar às novas lógicas de acesso ao ensino superior tornou difícil a permanência de antigos colégios.

Nesse sentido, o Ginásio Pernambucano, colégio de 192 anos que tem sua principal sede localizada na Rua da Aurora, bairro da Boa Vista, se torna um bom exemplo de colégio tradicional que se ampliou ainda mantendo-se no centro da cidade. 

A gratuidade e o ensino de referência em tempo integral, aliados à tradição da instituição que ajudou a formar personalidades como Clarice Lispector, Assis Chateaubriand e Ariano Suassuna. 

O ex-governador do Estado, Joaquim Francisco, foi aluno do Ginásio Pernambucano entre os anos de 1962 e ficou até 1964, entre seus 14 e 16 anos de idade, cursando do primeiro ao terceiro ano clássico (que equivaleria a um ensino médio focado em temas de ciências humanas e sociais). De lá, ele saiu para a Faculdade de Direito do Recife, que também é uma instituição de ensino de grande peso e tradição, localizada na área central da cidade. 

Joaquim conta que durante o tempo em que estudou no Ginásio, teve ótimas lembranças de suas aulas, de seus professores e de seus colegas. Entre algumas características do colégio, ele destacou o perfil dos professores, que eram catedráticos que tinham muitas obras publicadas e também ensinavam em universidades, uma rigidez no ensino, efervescência cultural, e no respeito ao patrimônio público. “Era um colégio republicano que formava homens públicos”, disse ele. 


O ex-governador também destacou um sentimento de satisfação e orgulho por estudar no ginásio, uma vez que havia uma espécie de vestibular para admissão ao colégio que era considerado um dos melhores colégios de todo o país, junto com o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. "Sempre fui um bom aluno que tinha gosto de tirar 10, eu 'gosto fo folhoso', estudo muito", contou ele.

O Ginásio Pernambucano significou, para ele, um espaço muito importante para a sua formação humana, social e pública. Minha primeira visita depois de me tornar governador, no dia da minha posse, foi ao Ginásio, por ter sido o colégio que me deu a base sólida que eu adquiri em Latim Português, Francês, Geografia, em História o professor Amaro Quintas (pai de Fátima Quintas, da Academia Pernambucana de Letras) que foi um historiador extraordinário, o ginásio era uma catedral de conhecimento”, disse ele. 

 

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Pela primeira vez, a Justiça foi favorável à verificação do cumprimento da Lei 10.639/2003, que incluiu no currículo oficial da rede de ensino e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira. Em decisão unânime, a Quarta Câmara Cível do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro deu provimento ao recurso impetrado pelo Instituo de Pesquisa e Estudos Afro-brasileiros (Ipeafro) e ao Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara).

O caso específico se refere ao município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e engloba escolas das redes municipal, estadual e particular. No pedido, os autores pleitearam “juntada dos currículos, grades curriculares e conteúdos das escolas requeridas e orientações das autoridades apontadas no polo passivo, para que, em perícia judicial, seja aferido o cumprimento ou descumprimento da lei 10.639/03”. Também são citadas a lei 11.645/2008, que inclui a obrigatoriedade do ensino da história indígena, e a lei 12.288/2010, que institui o Estatuto da Igualdade Racial.

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Na decisão, relatada pelo desembargador Antônio Iloízio Barros Bastos, é ressaltado que não há provas quanto ao cumprimento da lei em nenhuma escola. “Até mesmo o acesso ao inquérito resta prejudicado, pois, em que pese a atuação diligente do ilustre Promotor de Justiça signatário do parecer de fls. 546, olvidou-se de mencionar o número do inquérito civil. Dessa forma, a ausência de documentos inviabiliza o direito dos autores de fiscalizar a aplicação da norma, o que evidencia a presença do interesse de agir”.

A decisão aponta também que há apenas alegação por parte dos apelados do cumprimento da referida lei. “Diferente do que afirma o Estado do Rio de Janeiro, de rigor não existe prova, mas sim, quando muito, mera alegação de cumprimento da lei, que não retira dos autores o interesse de agir. Nessa toada, não há falar em inexistência de resultado útil na reforma da sentença, pois persiste o interesse dos autores, no âmbito da legitimação disjuntiva, em tirar suas próprias conclusões a respeito da efetiva observância da lei modo a atender aos interesses coletivos”.

Batalha judicial

O advogado do Iara Humberto Adami explicou que já faz mais de uma década que o movimento negro pede na Justiça que a lei 10.639/2003 seja cumprida. “Eu tinha feito, em 2005, representações ao Ministério Público Federal com 15 entidades do movimento negro. Essas denúncias foram espalhadas pelo Brasil, umas 5 mil ações multiplicadas pelos municípios. Daí abriram-se inquéritos civis públicos, com cada promotor ou procurador fazendo o inquérito e intimando as secretarias de educação e as diretoras de escola para saber porque não estava cumprindo a lei. Isso serviu como motivador para as pessoas conhecerem o problema”.

Adami lembrou que na época que integrou os quadros da extinta Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), foram enviados 1.200 ofícios cobrando as universidades públicas e privadas para oferecer formação sobre cultura e história afro-brasileiras. Porém, segundo ele, a maioria dos processos foi arquivado, muitos sem chegar a ser analisados.

“Nessa decisão de [Duque de] Caxias, o promotor arquivou a denúncia do inquérito civil público, dizendo que estava em funcionamento. Mas não estava, como ainda não está em lugar nenhum. Alguns promotores disseram isso, promotores que não gostavam do tema, promotores evangélicos, que achavam que tudo que se fala em cultura da África é religiosa, aí vão lá e arquivam o inquérito dizendo que a lei está funcionando. Ou por falta de conhecimento, ou por comodidade. Outra promotora, em Itaperuna, arquivou dez inquéritos civis públicos dizendo que a lei era ilegal, inconstitucional e desnecessária”.

Ele disse que 15 anos após a aprovação da lei, os avanços que ocorreram na implementação foram por iniciativas próprias e isoladas de profissionais. “Quando a gente começou as denúncias, tinha quatro nãos: não tem professor, não tem livro, não tem dinheiro e não tem currículo. Hoje, depois desse tempo todo, as professoras de história da África vêm construindo isso, mas não pode dizer que está numa situação confortável. Em muitos lugares que você vai, e eu tenho andado pelo Brasil inteiro, vejo professoras fantásticas de história da África, mas isso não pode ser visto como política pública, sempre depende do esforço pontual e individual. E sem contar com orçamento público”.

Agora, com essa decisão favorável, Adami espera que a Justiça siga o modelo em outras ações e pede união do movimento negro para fazer a inspeção nas escolas. “Não tem ninguém fiscalizando nada. A escola faz uma capoeira no 13 de maio e um samba no 20 de novembro e diz que está fazendo e tudo bem. Ninguém verifica. O movimento negro vem denunciando há um tempão o descumprimento da lei. Tem coisas boas que estão sendo feitas, mas como iniciativas individuais. Como política não se verifica isso”.

Ainda cabe recurso da decisão de permitir a verificação da aplicação da lei 10.639/2003 no município de Duque de Caxias. A prefeitura informou que, para cumprir a lei, tem promovido capacitações para os docentes por meio da Secretaria Municipal de Educação, "além de grupos de estudos nas unidades escolares para subsidiar discussões com os professores e alunos sobre a temática, de forma ampla e transversal para toda a Rede Municipal de Ensino".

A partir da próxima quinta-feira (5), seis escolas da rede municipal de ensino de Olinda contarão com o apoio de cães treinados para oferecer apoio terapêutico a estudantes com deficiência de todos os tipos, transtornos, dificuldades de comportamento e também depressão. Os cães voluntários e seus donos irão quinzenalmente ajudar professores especialistas em educação especial a desenvolver atividades com os alunos nas salas multifuncionais de apoio especial.

Além das 100 crianças que estudam nas instituições beneficiadas, estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) que tenham aula nos turnos matutino e vespertino também podem ser beneficiados. O projeto Bolinha de Pelo nasceu quando Max, que é um dos cães de Cássia Leôncio, mudou de comportamento após sua dona enfrentar um problema de saúde. A servidora da Secretaria de Educação de Olinda conta que, depois da ajuda de seu cachorro, quis ajudar outras pessoas.

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“Em 2015 tive necrose na cabeça do fêmur e coloquei uma prótese. Max começou a ter um tratamento diferente comigo, me tratava com mais carinho, era mais presente, participava da fisioterapia. Decidi escrever o projeto para ajudar pessoas com deficiência”, disse Cássia, que fundou e coordena o Bolinha de Pelo. O projeto tem esse nome em homenagem a Max, que parecia uma bolinha de pelo quando era filhote, de acordo com a sua tutora.

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Ampliação

O projeto começou há cerca de um ano e meio, com o próprio Max, na escola Caique Norma Coelho, no bairro de Peixinhos. Com a chegada de Mel (que é irmã de Max), Aurora, Justin, Raio de Sol e Luna, todos cães adultos da raça Golden Retriever treinados para prestar apoio às crianças, o projeto pôde ser ampliado e atenderá a seis instituições de ensino (Claudino Leal, Izaulina de Castro, Coronel José Domingos, Lions Dirceu Veloso e Promenor).

Cássia explica que todo o processo é feito de forma lúdica, de modo a proporcionar um momento que seja tranquilo e prazeroso tanto para o animal como para as pessoas envolvidas no processo. “Através do lúdico, a gente desenvolve a questão psicológica, motora, emotiva, pedagógica, tudo isso o projeto abrange. Não é apenas uma brincadeira, apesar de eles adorarem tem todo um planejamento. As crianças já começam a querer pegar, abraçar, a criança introspectiva, que sofre bullying pela deficiência, esquece tudo isso. Eles criam um elo com o cão que às vezes nós como humanos não conseguimos”, afirmou a fundadora do projeto.

Cássia também explica que não é apenas no ambiente escolar que o avanço é percebido, sendo possível beneficiar todo o núcleo familiar das crianças através do contato com os cães do Bolinha de Pelo. “a escola é beneficiada, a criança é beneficiada, os pais são beneficiados, a sociedade é beneficiada com o avanço desses estudantes”, explicou ela.

Como ajudar?

Para ser um 'bolinha de pelo', o animal e seu dono, como pré-requisito, têm que fazer parte do projeto Cães Doutores, que também é voluntário e leva cães treinados para prestar apoio terapêutico em instituições de saúde como a Associação Afeto, Hospital das Clínicas, Hospital Barão de Lucena, Associação Novo Rumo, Comunidade Rodolfo Aureliano (Craur) e o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP). 

Os coordenadores do Cães Doutores treinam e avaliam tanto os cães como seus donos-voluntários para averiguar se eles cumprem todos os critérios necessários para desempenhar o atendimento aos pacientes e, uma vez que seja um cão-doutor, o animal pode se voluntariar ao projeto Bolinha de Pelo. Questionada a respeito do custeio do projeto, Cássia respondeu que “quem vem com os cães vem por amor e recebem amor de volta. A gente se torna um ser humano melhor, olhando para o outro e vendo as possibilidades dessas pessoas que às vezes estão tão esquecidas”. 

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Três estudantes da Escola Técnica Estadual (Etec) Jaraguá, em São Paulo, desenvolveram um trabalho educativo para a comunidade através da música chamado "Visões do Rap".  

Henrique Malafaia, Matheus da Silva e Murilo de Oliveira são os autores do projeto que consiste em um plano de aula, que aborde temas como racismo, degradação do planeta, política nacional, questões contemporâneas e identidade de gênero, através do ritmo musical. “Eu não ouvia muito rap até entrar na Etec. Quando conheci o Murilo, comecei a prestar mais atenção nas letras. Passamos a ler cada vez mais sobre o assunto e a escutar mais músicas”, conta Matheus.

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Com ajuda dos docentes, foi desenvolvido um kit com material didático, documentários, músicas para debate e uma atividade de avaliação para o professor aplicar em sala. O projeto é destinado às disciplinas de sociologia, história e filosofia do Ensino Médio e história para o nono ano do Fundamental. Cabe ao professor escolher o tema e a maneira de abordar o conteúdo.

“O maior intuito do ‘Visões do Rap’ é quebrar preconceitos de todos os tipos, seja sobre estilo musical, racismo ou identidade de gênero. Vamos deixar o projeto como o nosso legado para a escola”, afirma Murilo.

A Secretaria Estadual de Educação de Pernambuco já disponibilizou, pela internet, o requerimento para estudantes transexuais e travestis que almejam usar o nome social nas escolas estaduais. De acordo com o órgão, o procedimento possibilita que os nomes sejam trocados na matrícula, cadernetas eletrônicas e fichas de frequência escolar.

Desde 2017 o procedimento é possível em Pernambuco, conforme publicação no Diário Oficial do Estado; no ano passado, 78 alunos adotaram o nome social. Segundo a Secretaria, os interessados precisam preencher um formulário e entregar à gestão das escolas onde estudam.

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Na entrada da sala de aula, a professora de matemática Linda Bragg escreveu o "pensamento do dia" em um pequeno quadro branco, uma ferramenta educativa que também pode servir como escudo à prova de balas se houver um ataque a tiros na escola.

Os quadros de fibra de polietileno, de 45cm por 50cm e pesando apenas 1,5 quilo integram desde 2013 as salas de aula do Colégio preparatório Worcester, uma instituição privada de pré-escola, ensino fundamental e médio da cidade histórica de Berlin (Maryland), 200km a leste de Washington DC.

Berlin, que tem uma população de 5.000 habitantes e fica perto de praias muito populares da costa atlântica, se autointitula "a cidade pequena com mais ondas dos Estados Unidos".

Nada diferencia os quadros do colégio Worcester de muitos usados em todo o país, a não ser pelas manivelas que tem no verso, que permitem que uma pessoa o tire para se proteger de eventuais disparos.

São fabricados por uma pequena empresa da região, a Hardwire, que se tornou líder mundial em equipamentos à prova de balas e dispositivos blindados, tanto para a Polícia quanto para o Exército americanos.

Seu diretor, George Tunis, viu uma forma de ajudar e também um nicho de mercado na área de segurança em salas de aula após o tiroteio de 2012 na escola de ensino fundamental Sandy Hook em Newtown (Connecticut), na qual um jovem matou 26 pessoas, inclusive 20 crianças de seis e sete anos de idade.

- "As vendas dispararam" -

No último grande ataque a tiros nos Estados Unidos, que deixou 17 mortos em 14 de fevereiro, Dia de São Valentim, na escola de ensino médio de Parkland (Flórida), o treinador de futebol assistente Aaron Feis foi uma das primeiras vítimas. Ele morreu tentando proteger os alunos.

"Se houvesse este escudo, teria feito a diferença", disse Tunis à AFP.

Além dos quadros protetores, a Hardwire fabrica porta-papéis e outros acessórios blindados. Também faz placas do tamanho de um caderno, que podem ser colocadas na mochila de um estudante.

A companhia equipa escolas nos estados de Maryland, Minnesota e Delaware, e também exporta seus produtos. Tunis se nega a revelar sua receita, mas diz que desde o ataque a tiros em Parkland, "as vendas dispararam".

Os preços variam de 75 dólares por uma placa blindada para mochila até US$ 1.000 por um quadro capaz de deter a munição de um fuzil de assalto.

"É o que há de mais recente em proteção pessoal", disse Tunis.

No Colégio Worcester, onde estudam 500 crianças e adolescentes, os administradores, os professores e os pais estão encantados com os quadros brancos.

"Dão grande conforto aos nossos professores", disse Barry Tull, de 72 anos, há 33 como diretor de Worcester.

Inicialmente, alguns docentes "não se sentiam cômodos" com a ideia, mas "quando treinaram para usá-los como uma peça extra de segurança, se sentiram muito de acordo", disse.

Muitos moradores de Berlin também se animaram com a existência destes quadros à prova de balas.

"É um bom começo", disse Jessica Collins, policial local de 34 anos. "Estão tomando muito boas medidas de proteção".

- Armar os professores? "Uma loucura" -

Para Gretchen Spraul, mãe de um aluno do ensino fundamental, os quadros brancos representam "um grande nível de conforto para todos os pais".

Alguns nesta cidade rural também dizem que prefeririam que os professores fossem armados, como sugeriu o presidente Donald Trump.

Tull, que se aposentará no fim do ano letivo, em junho, não é muito favorável a armar os professores. "Ao mesmo tempo, não me oponho totalmente se feito da forma correta... Não rejeito nenhuma ideia".

Bragg, ao contrário, opõe-se taxativamente. "Eu, pessoalmente, não quero disparar uma arma", disse. "Não sou uma pessoa muito grande. Peso 45 quilos, alguém poderia facilmente tomar a arma de mim. Faria mais mal do que bem". Spraul sugeriu que poderia apoiar um plano cuidadosamente pensado para armar alguns professores.

"Até onde temos que chegar?", questionou-se, pensativa, antes de acrescentar: "Nunca diga nunca". "Seria maravilhoso se os professores soubessem como se defender", disse Spraul. "Mas que não distribuam pistolas!"

Mas para Tunis, o chefe da Hardwire, levar armas às escolas seria "uma loucura". "Apenas imagine: sou um professor, atiro no agressor, erro e acerto um estudante. Em que estado mental fico? O que faço?"

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender nesta quinta-feira (23) a ideia de que professores sejam treinados para atirar como solução para os ataques em escolas.

Segundo o chefe de Estado norte-americano, as escolas "sem armas" são um "ímã" para os assassinos em massa, ou seja, "pessoas ruins". Em uma série de tuítes, o presidente considerou que munir os funcionários é uma medida que poderia ser determinante.

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"Professores e treinadores altamente treinados e adeptos às armas solucionariam instantaneamente o problema antes da chegada da Polícia. GRANDE PODER DISSUASIVO", escreveu Trump.

Além disso, durante um encontro nesta quinta-feira (22) para debater a segurança nas escolas do país, o presidente dos EUA disse que pretende estipular um bônus para professores que se submetam a treinamento para portar armas nas salas de aula, o que poderá variar entre 10, 20 e 40% de bonificação.

No entanto, o magnata virou alvo de protestos por parte de professores que rejeitaram sua proposta e apostaram em outras alternativas, lançando uma campanha na internet para promover suas ideias.

Identificado pela hashtag #ArmMeWith ("MeArmeCom", em tradução livre), o esforço dos educadores é uma resposta direta à Trump e já foi compartilhada milhares de vezes.

Alguns pedem para serem armados "com recursos e o dinheiro necessário para ajudar os estudantes com problemas mentais, e não com armas", enquanto outros sugerem que gostariam de receber "livros, materiais escolares, tempo para resolver problemas emocionais dos estudantes e ampliar os relacionamentos".

Após o tiroteio ocorrido na instituição de Parkland, na Flórida, na última quinta (15), que deixou 17 pessoas mortas, entre professores e alunos, vários adolescentes norte-americanos têm protestado nas ruas e nas redes sociais para que o presidente e os parlamentares tomem medidas que coíbam atos violentos desse tipo.

Nesta quinta, Trump também voltou a defender a Associação Nacional do Rifle (NRA), principal organização a favor do porte e venda de arma no país e grande financiadora de campanhas políticas.

A polêmica declaração acontece um dia após o republicano se mostrar favorável a um maior controle de antecedentes na venda de armas e propor a proibição dos chamados "bump stock", usado para converter rifles semiautomáticos em armas automáticas com aceleração dos disparos. 

Da Ansa

Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter cogitado a ideia de armar professores para evitar tiroteios em colégios, o xerife do condado de Broward, palco de um massacre com 17 mortos na semana passada, determinou que guardas escolares passem a usar fuzis para proteger os alunos.

A decisão chega uma semana depois do tiroteio na Marjory Stoneman Douglas High School, em Parkland, cidade da Flórida que fica no condado de Broward. "Nossos agentes qualificados e treinados carregarão fuzis em territórios escolares daqui para frente", declarou o xerife Scott Israel.

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O policial garantiu que a medida será feita de forma "segura". "Precisamos estar aptos a derrotar qualquer ameaça", acrescentou. Na última quarta-feira (21), durante um encontro com alunos de escolas atingidas por tiroteios, o presidente Trump pedira um controle mais rígido dos antecedentes de compradores de armamentos, mas também defendera armar professores.

"Vamos analisar isso com rigor. Muita gente será contra, mas muitos serão a favor", disse. A política norte-americana vem sendo cada vez mais pressionada a restringir a venda de armas por causa dos recorrentes tiroteios no país, como o de Parkland e o de Las Vegas, em outubro passado.

Nos dois casos, as armas haviam sido compradas legalmente e equipadas com um acessório que aumenta seu poder de fogo. Atualmente, todas as escolas dos Estados Unidos são "gun free zones", ou seja, áreas onde é proibido portar armas.

Da Ansa

Um projeto de lei de autoria do senador Fernando Bezerra Coelho (PSB) está dividindo opiniões. A proposta [PLS28/2018] visa que a educação domiciliar não caracteriza o crime de abandono intelectual. Em consulta aberta no Senado federal, disponível para qualquer cidadão votar, a maioria se mostra a favor. Até o final da tarde desta quinta-feira (8), 4.753 se apoiam e 241 são contra. 

O deputado federal Pastor Eurico (PHS) pediu para que a população votasse a favor do que chamou de “modalidade de ensino”. “Para que aqueles que queiram e precisem ensinar seus filhos em casa não sejam considerados criminosos”. 

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Ele também argumentou o motivo pelo qual a proposta deve ser aprovada. “Vamos aprovar essa resolução. Pois as escolas estão se tornando lugares de doutrinação esquerdista para nossos filhos. E essa é mais uma opção de local de ensino”, ressaltou. 

Nesta semana, a vereadora do Recife Aimée Carvalho também apresentou, na Câmara Municipal do Recife, uma proposta com o objetivo de proibir doutrinação política nas escolas. Caso aprovado o projeto, professores não poderão fazer propaganda política em sala de aula nem incitar alunos a participar de manifestações. 

Os estudantes amantes da astronomia têm uma ótima oportunidade de testar seus conhecimentos na 21ª Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), que já está com inscrições abertas através do site e seguem até o dia 18 de março.

Alunos de escolas públicas e privadas de todo o país podem participar. As provas acontecem no dia 18 de março, em única fase, com dez questões - sete de astronomia e três de astronáutica -, sendo exigido, em sua maioria, apenas raciocínio lógico. O conteúdo varia de acordo com o nível nos quais os alunos estão estudando.

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Os candidatos com os melhores resultados serão os representantes do Brasil nas Olimpíadas Internacionais de Astronomia (IOAA) e na Olimpíada Latino Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA). No ano passado, cerca de 800 mil estudantes participaram da Olimpíada. Em 20 anos, a OBA já teve mais de 8 milhões de participantes e foram distribuídas mais de 40 mil medalhas.

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