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Reginaldo segurando sua "cruz". (Chico Peixoto/LeiaJá Imagens)

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Oito de outubro de 1996. Um garoto desafia o perigo e salta das pedras da Praia dos Milagres, na Orla de Olinda - Região Metropolitana do Recife -, para o mar. Desacordado, após uma possível pancada na cabeça, ele engoliu muita água rápido. “Eu e mais dois caras carregamos o menino até a orla, mas teve gente que disse: ‘deixa ele aí, está morto’. Eu insisti, tome respiração boca a boca e ele arrotando no meu rosto. O danado viveu”, lembra o artesão Reginaldo Souza. O grupo conseguiu conduzir o garoto, que àquela altura já tinha sido identificado como “Mário”, ao hospital, mas nunca mais se reencontraria com ele.

“Eu quase não fui à praia naquele dia. Alguma coisa me carregou para lá. Um ano depois, para lembrar desse milagre, organizei o primeiro Dia das Crianças do Alto da Saudade”, conta Reginaldo. Fruto do acaso ou não, o evento chega à sua vigésima edição na tarde desta sexta-feira (12), com doação de brinquedos e atividades infantis, graças ao esforço de seu realizador.

O dia de Reginaldo começa cedo. Às quatro horas da manhã, ele já está na rua para “garimpar”, como gosta de falar, sua matéria prima. “Não gosto de chamar ‘catador’, porque o pessoal pensa logo que a gente é drogado. Prefiro dizer que sou garimpeiro, porque garimpeiro garimpa tudo. Muitas roupas e acessórios que uso achei no lixo, não tenho vergonha de dizer”, explica. Garrafas pet, cabos de vassoura e até resto de asfalto, nas mãos de Reginaldo, viram maracas, ganzás, balões e carrinhos. O trabalho com brinquedos artesanais surgiu como alternativa para complementar a renda familiar. “Antigamente, a luta para sobreviver era muito grande, se não fosse a maré aí embaixo para catar caranguejo, a gente não comia. Nunca tive emprego de carteira assinada, mas todo mundo tem uma criança dentro de si. Agora, vendo e exponho minha arte, a gente tem que transformar nossa dificuldade em criatividade”, coloca.

Reginaldo distribui cartas para os vizinhos e transeuntes pedindo doações para crianças carentes. (Chico Peixoto/LeiaJá Imagens)

Depois da criação do Dia das Crianças da comunidade, Reginaldo passou a conciliar o “garimpo” com uma prosaica distribuição de cartas. Em envelopes- curiosamente, específicos para transporte aéreo-, as letras ainda desajeitadas de quem retomou a quarta série em 2018, depois de décadas fora da escola, resumem os destinatários: “para meus amigos e pessoas de bom coração”. Em seu interior, uma folha ofício A4, formaliza: “Faça uma criança feliz doando um brinquedo”. “Muita gente critica, não sabe como é difícil pedir, ando para caramba. Vou encontrando amigos e conhecidos e dando as cartinhas. Quando eles não me entregam os brinquedos, dão dinheiro para eu ir comprar”, completa.

Quem garante o sucesso nas arrecadações é o prestígio do artesão na comunidade. Reginaldo causa euforia por onde passa por carregar, seja no carnaval de Olinda ou em outras celebrações importantes para o calendário da cidade, uma cruz, que sustenta a palavra “paz”, confeccionada com tampas de garrafas pet.

“Eu fiz a ‘paz’ para um evento chamado ‘Reciclando em Folia’, que não existe mais. De primeiro, eu só andava com a paz com medo, porque o homem é um predador. Se você sai com uma coisa muito forte, intimida”, coloca. Segundo o artesão, o coração vermelho feito de garrafas representa o amor que Maria teve por Jesus, enquanto a pombinha confeccionada com simplicidade, remete ao Espírito Santo. “O povo fala muito de sua cruz, mas não tem coragem de carregar. Jesus é o príncipe da ‘paz’, tenho força para carregar a minha cruz, porque ele está dentro de mim. Saio para todo canto com a ‘paz’ porque ela precisa ir a todos os lugares”, explica.

Reginaldo em uma das festas que promoveu. (Acervo pessoal)

Além de brinquedos, o Dia das Crianças de Reginaldo conta com doações de confeitos, refrigerantes e quase tudo que agrada a garotada. “Exceto armas de brinquedo, tipo revólver e espada. Com isso, nosso objetivo é o de semear a paz entre as crianças”, defende. Aos 55 anos de idade, Reginaldo demonstra preocupação com o debate político do país sobre facilitar a concessão do porte de armas. “Não devemos desmanchar o que foi construído. A gente vê o que acontece em outros países. Crianças entrando nas escolas e matando colegas, adultos devastando tudo no trabalho”, opina.

Dificuldades

Com bom humor, o artesão vence o cotidiano adverso. Quando volta do “garimpo”, Reginaldo precisa confeccionar os brinquedos em seu apertado ateliê, não à toa jocosamente apelidado por ele de “Tomara que Não Chova”. Em uma das ladeiras do Alto da Saudade, o cômodo é a único acesso para sua casa, que não possui porta para a rua. “Antigamente eu tapava, mas hoje em dia não tenho medo”, comenta.

As sessões de trabalho são organizadas entre tarefas domésticas como cozinhar e dar banho na esposa, Ceci, convalescente do segundo AVC que sofreu. “Fiquei quase sem condições de fazer a festa das crianças, mas existe luz no fim do túnel. Hoje está ruim, mas quando você acredita, amanhã fica bom”, crava. Constantemente abordado pelos pequenos, sedentos por informações do evento, Reginaldo contou com a ajuda dos amigos. “Tivemos pessoas doando material. O projeto das crianças é um direcionamento que Deus colocou na minha vida para promover a paz. A paz é tudo”, conclui.

No ateliê "Tomara que não Chova". (Chico Peixoto/LeiaJá Imagens)

Resgate dos brinquedos artesanais?

Reginaldo não é o único a acreditar nos brinquedos artesanais como forma de promover o desenvolvimento infantil. A comerciante Line Chian, do Mercado de São José, Centro do Recife, observa que alguns pais procuram artigos do gênero para presentear seus filhos. “Eles querem mostrar como se brincava na época deles e dar outras opções, que não sejam eletrônicas, aos filhos”, relata. A vendedora vizinha, Letícia Silva, discorda. “As crianças passam aqui e ficam muito interessadas, mas alguns pais não compram por medo de eles perderem o interesse se encontrarem um brinquedo mais moderno fora daqui”, acrescenta.

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Acontece no sábado (20) mais uma edição do projeto 'Rua Cultural- Olinda', ação que envolve cultura, educação, gastronomia, arte e lazer. O evento acontecerá na Praça Laura Nigro, a partir das 14h.

O projeto contará com apresentação dos grupos de capoeira BrasileirArte, Escola Viradança e do Grupo Frevança de Frevo, além da Feira de artesanato e Empreendedor, ensaios culturais e muito mais.

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Serviço

Rua Cultural

Sábado (20) | 14h

Praça Laura Nigro (Rua de São Bento, - Olinda)

(81) 998084182

A Prefeitura de Olinda inaugura nesta quarta-feira (10) um Posto da Guarda Municipal para dar apoio ao Turista. A unidade vai funcionar no térreo do elevador panorâmico, no Alto da Sé, no Sítio Histórico do Município. No espaço, que vai operar diariamente das 8h às 18h, serão oferecidos atendimentos ao público, com informações turísticas e orientações sobre as atrações da cidade.

O espaço será operado por quatro guardas municipais que têm domínio dos idiomas inglês, alemão e espanhol, facilitando a comunicação com turistas estrangeiros. Dois profissionais vão atuar por dia. A estrutura servirá, principalmente, como ponto de segurança, contando com o apoio de viaturas e da Polícia Militar.

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De acordo com a Prefeitura de Olinda, os guardas municipais passaram por treinamento com técnicos da Secretaria Municipal de Turismo para atuar no receptivo da Sé. A pasta informou, ainda, que irá capacitar os guardas para o uso de armamentos. A aquisição dos equipamentos está em processo de licitação.

Entre os dias 09 a 13 de outubro Olinda recebe a 2º Semana de Artes Batá Kossô. O evento homenageia Mestre Afonso, Maracatu Leão Coroado e os 60 anos de Dona Giva, matriarca do Batá Kossô. Durante a semana serão realizadas oficinas gratuitas de música, dança e teatro.

O evento é realizado pelo Ponto de Cultura Batá Kossô e acontece na rua do Piza, nº129, Varadouro/Santa Tereza, próximo à delegacia. Para participar das oficinas é necessário realizar as inscrições pelo link.

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Serviço

2° SABÁ – Semana de Artes Batá Kossô

Rua do Piza, 129, Varadouro – Olinda (PE)

Inscrições:  http://bit.ly/2NUZ95n

Gratuito

 Por Denise Siqueira

Os eleitores que se cadastraram para votar em trânsito, no domingo (7), terão 13 locais disponíveis em Pernambuco para exercer o direito do voto. As mesas receptoras estarão em oito cidades com mais de 100 mil eleitores, entre elas, Recife, Camaragibe, Caruaru e Cabo de Santo Agostinho. 

Podem votar votar em trânsito, os eleitores que solicitaram a habilitação para tal categoria até o dia 23 de agosto.  Os eleitores que se encontrarem fora do seu Estado vão poder escolher apenas o presidente da República. Já aqueles que estiverem em trânsito dentro do próprio Estado, porém em município diferente do seu domicílio eleitoral, poderão votar para todos os cargos eletivos.

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O voto em trânsito não é permitido em urnas instaladas em outros países. Entretanto, eleitores com título eleitoral cadastrado no exterior, e que estiverem em trânsito no território brasileiro, poderão votar na eleição para presidente da República.

Veja os locais disponíveis para voto em trânisto em Pernambuco:

- Cabo de Santo Agostinho

Grupo Escolar Cláudio Gueiros - Av. Historiador Pereira da Costa, 769

- Camaragibe

Escola Técnica Estadual Alcides do Nascimento Lins - Avenida General Newton Cavalcanti - s/n (PE 027)

- Caruaru

Espaço Cultural Tancredo Neves - Praça Cel. José de Vasconcelos, 100

- Jaboatão dos Guararapes

Faculdade dos Guararapes (antigo Colégio Geo) - Rua Comendador José Didier, 27

Terminal Integrado de Passageiros (TIP) - Av. Prof. Antônio Pereira, s/n

- Olinda

Centro de Convenções - Complexo Rodoviário de Salgadinho, S/N

Escola Sigismundo Gonçalves - Av. Sigismundo Gonçalves, 514

Faculdade de Ciências Humanas de Olinda(Facho) - Rodovia PE 15, Km 3,6 - s/n

- Paulista

Escola Técnica Estadual José de Alencar - Rua Rivadávia Miranda de Souza, 170

- Petrolina

Colégio Nossa Senhora Auxiliadora - Rua Antônio de Santana Filho, s/n

- Recife

Aeroporto Internacional dos Guararapes - Av. Mascarenhas de Morais, s/n, Praça Ministro Salgado Filho

Antiga Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco - Avenida Rui Barbosa, 320, Graças

Centro de Ciências Sociais Aplicadas (UFPE) - Av. dos Economistas, s/n - Cidade Universitária

Para quem tem o Carnaval como ofício, a festa é coisa séria de verdade. Sobretudo quando se tem como missão animar a folia em um de seus berços mais sagrados, Olinda. A cidade que tem um dos maiores Carnavais do mundo não se contenta em esperar até que o calendário oficial indique que o dia chegou. Carnavalizar faz parte do cotidiano de seus moradores, pessoas que se dividem entre ser 'gente normal' e artista, dedicando-se com esmero para fazer a folia ser memorável, todo ano.

É por isso que, mal esfriam as ladeiras das multidões que por lá passam atrás dos blocos e troças, já estão na ativa novamente os músicos, passistas e outros brincantes que se dedicam ao Carnaval. Muitos retomam os ensaios em questão de dias após a Quarta-Feira ingrata, mas é no mês de setembro que a preparação toma embalo e se transforma em um Carnaval antecipado na Marim dos Caetés.

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É no feriado de 7 de setembro, Dia da Independência, que um dos clubes mais tradicionais do Carnaval olindense inicia seus ensaios para o ano seguinte. A Pitombeira dos Quatro Cantos coloca o bloco na rua neste dia fazendo a alegria dos foliões mais impacientes. Em 2018, o falecimento de Hermes Cristo Cunha, ex-presidente da agremiação, um dia antes da saída do bloco, adiou o costumeiro início dos trabalhos. Mas, no próximo domingo (30), a Pitombeira estará nas ladeiras do Sítio Histórico de Olinda afinando seus integrantes e seu público.  

No Largo do Amparo, outro clube abre suas portas logo cedo para que o Carnaval possa ser preparado. No Vassourinhas, a orquestra do Maestro Carlos inicia seus ensaios também em setembro, sendo acompanhada pelos vizinhos e admiradores de seu frevo até que a festa, enfim, chegue. Lá também ensaiam os passistas do clube. São cerca de 120 que também integram a Cia. Brasil por Dança, da bailarina Adriana do Frevo (homenageada do Carnaval de Olinda em 2018).

A escolinha da companhia prepara alunos durante todo o ano, mas é em setembro que os ensaios se intensificam, nas noites de terça e quinta. O professor Douglas Silva - que além de dançar também atua na direção e no figurino do Vassourinhas - assegura: "Nunca é cedo (para começar), porque Olinda e Recife é Carnaval o ano todo. Nossa pausa são dias. A gente vai o ano todo seguindo no passo do frevo".

Além da participação dos moradores que assistem aos ensaios, os passistas e alunos da escola costumam ser majoritariamente dos bairros que circundam a sede do clube, comprovando a vocação natural da cidade para a folia: "O povo olindense faz a festa olindense acontecer. A vizinhança, toda a população se mobiliza. Todo mundo tem um bloco, enfeita suas casas, para sair na rua com as cores do seu bloco", diz Douglas.

Mas engana-se quem pensa que a rotina de ensaios acontecendo com tamanha antecedência, torna-se estressante ou cansativa para quem participa. Para o professor Douglas, esta parte é tão divertida quanto o Carnaval propriamente dito: "Neste período que a gente ensaia, a gente tá junto o tempo todo, se vendo, se comunicando, brincando. No Carnaval é aquela correria. A gente é um grupo de quase 120 passistas então temos que nos dividir. Fora a responsabilidade, porque a gente ensaia o ano todo para quando a gente fizer nosso desfile, fazê-lo em grande estilo".

Saindo do Vassourinhas e descendo pela Rua do Amparo, já é possível ouvir os acordes que saem do Grêmio Musical Henrique Dias. É lá que ensaiam algumas das orquestras de maior destaque na folia olindense, a que leva o nome do grêmio, comandada pelo Maestro Ivan do Espírito Santo; a Orquestra do Maestro Oséas; e a Mistura Fina, do Maestro Ícaro Alves. Esta última, com 24 anos de muita ‘frevança’, trabalha arduamente para fazer o melhor durante os dias de festa.

Com 20 músicos, a maioria de Olinda, a Mistura Fina ensaia nas noites de terça no Henrique Dias, e aos domingos na Pitombeira dos Quatro Cantos; alternando com a Orquestra do Maestro Lessa. O olindense Elias Gonçalves, que toca surdo, garante que começar os trabalhos tão cedo é divertido e "quem tem o frevo na veia" não corre o risco de ficar enjoado. "Nosso repertório tem quase 150 frevos, então quase não repetimos as músicas. Não dá para enjoar", avisa.

Já para o maestro Ivan, começar os ensaios logo é necessário para que este repertório fique bem afinado, pois sempre entram frevos novos na lista. Para ele, o retorno de tamanho esforço é ver a alegria dos foliões nas ladeiras: "É muito gratificante. Aqui é a terra do frevo, então, em Olinda o frevo não para, é o ano todo".

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O Bloco Alafia vai levar a tradição do Maracatu Estrela Brilhante, de Igarassu, para as ladeiras de Olinda, iniciando os ensaios para o carnaval 2019. Os ensaios acontecerão todas as quartas-feiras, a partir do dia 10 de outubro, às 20h, no Mercado da Ribeira.

Para participar basta comparecer no local, os que já possuem instrumento de maracatu podem levá-lo. A atividade é gratuita e para sair no cortejo é necessário adquirir uma camisa com um valor a ser definido.

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 Serviço

Ensaios do bloco Alafia

A partir de 10 de outubro e em todas as quartas até o carnaval - 20h

Mercado da Ribeira – Sítio Histórico de Olinda

Gratuito

Por Denise Siqueira

O bairro de Águas Compridas, em Olinda, será palco, mais uma vez, para um movimento contra o preconceito e pela igualdade. No próximo domingo (30), o local recebe a 2ª Parada da Diversidade de Olinda, com a proposta de reunir todos que buscam uma sociedade igualitária.

Realizado pelo grupo 'Ser quem somos', em parceria com a Prefeitura, o evento contará com três trios elétricos que prometem animar o público durante todo o trajeto. Estão escalados para os shows Dany Myler, MC Nedved, Andrézinho Balada, Lilith Mixx, DJ Braw e a banda Sedutora. A programação começa às 12h, na Estrada de Águas Compridas.

Serviço

2ª Parada da Diversidade de Olinda

Domingo (30) | 12h

Estrada de Águas Compridas (em frente ao supermercado Amigo Biá)

Gratuito

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Pessoas com deficiência podem participar do Dia D da Pessoa com Deficiência, promovido pela Prefeitura de Olinda nesta sexta-feira (28), a partir das 8h. No encontro, serão oferecidas vagas de empregos voltadas especificamente para o público com deficiência.

De acordo com a prefeitura, participarão do evento mais de 30 empresas de saúde, educação, alimentação, serviços gerais e outras áreas. Para concorrer às vagas, os interessados devem  levar documentação completa, além dos exames e laudos médicos (caso tenham). O número de vagas não foi divulgado.

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 Ainda na programação, os concorrentes à vaga poderão receber atendimento médico, expedição de laudo caracterizador pelo Ministério do Trabalho de Pernambuco, emissão de documento de livre acesso e cartão de estacionamento. O evento será realizado na Vila Olímpica, localizada na Av. Brasil, 2018,  III Etapa de Rio Doce.

 

Nos bairros de Olinda, distante apenas 6 km do Recife, a diversidade cultural e a multiplicidade de vozes que cantam sua realidade não é menor nem tem menos qualidade. Além de ter um Carnaval famoso em todo o mundo, a cidade, reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade e primeira Capital Brasileira da Cultura, ostenta um 'cardápio' de artistas de peso, e com muita vontade de produzir. Dali ecoa uma das 'Vozes da Periferia' que o LeiaJá foi ouvir nesta série especial de reportagens.

A música no quilombo urbano da comunidade da Nação Xambá, no bairro de Peixinhos, é feita como numa brincadeira e de forma natural. Assim é explicado o coco do grupo Bongar, por um de seus músicos, Thulio da Xambá. "Tá na carne e no sangue", diz. O trabalho desenvolvido pelos percussionistas do grupo tem a missão de transcender os palcos no que diz respeito à preservação da memória e de seus saberes tradicionais, além de buscar o empoderamento e o senso crítico de quem a ouve.

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Os tambores do Bongar ecoam alto e recentemente fizeram brilhar os olhos de um dos maiores percussionistas brasileiros, Carlinhos Brown. Em visita à comunidade, o músico garantiu nunca ter ouvido um som como aquele e, em suas redes sociais foi categórico: "O Brasil tem que conhecer isso".

Porém, não só o Brasil, como as próprias cidades mais próximas da comunidade não escutam o Bongar ao ligar o rádio ou a TV, de forma sistemática, assim como se pode ouvir artistas de outros gêenros como o tecnobrega e o bregafunk, que caíram nas graças de programações mais comerciais. Para Guitinho da Xambá, este é um processo intencional: "A música que a gente faz é uma música que atinge um processo de resgate, de memória, de promover o senso crítico". Thulio concorda com a posição do companheiro e diz acreditar que a grande mídia não se interessa por seu trabalho por este não ter um apelo comercial dirigido às grandes massas. "O que faz a gente não crescer é a invisibilidade que a mídia dá a gente", afirma.

Mas a preocupação dos músicos vai além. Eles temem pela educação das novas gerações, expostas à musicalidade de maior expressão nos meios de comunicação, que têm um apelo explícito à sexualidade e apologia ao álcool, por exemplo. "A gente tem que garantir o espaço de algumas posições que pra mim são fundamentais pra gente caminhar pra uma sociedade boa. A gente tem que ser radical com um determinado tipo de música que tá levando a sociedade a um processo de degradação das relações sociais humanas", afirma Guitinho.

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Para o músico, existe um movimento intencional da mídia na venda desse tipo de trabalho: "Pra mim, essa música retrata uma realidade construída para ser mantido um modelo social de apartheid, de miséria, e vem com esse discurso de convencimento de que é massa, é o retrato da periferia. Eu acho que isso é um desserviço dos meios de comunicação e destrói todo um processo educativo, isso é muito grave, é perigosíssimo".

Pensando nisso, o Bongar mantém, em seu Centro Cultural, inúmeras atividades voltadas aos jovens da comunidade. Para eles, a chave é estimular os mais novos: "A gente não vai dizer ‘tape os ouvidos’; o nosso trabalho é dizer ‘interprete o que você tá ouvindo’, escuta e tente interpretar o que essa música tá dizendo, e veja se é boa ou ruim", explica Thulio.

Paulista


Vindos de Paulista, município vizinho à Olinda, os músicos da Chave Mestra - Moral, Carl de Morais, Zaca de Chagas e Thiago Honorato -,  são fruto de uma cena forte não só em sua ‘quebrada’, mas em outras, também. Eles citam, como suas influências, outros artistas do rap e hip hop como Zé Brown e Faces do Subúrbio, do Alto José do Pinho, Diomedes Chinaski, também de Paulista, e o grupo Racionais MC’s - “representante de todas as quebradas”, segundo Thiago Honorato; prova de que a música feita nas periferias pode até não tocar nas rádios mas, certamente, toca os seus.

O quarteto da Chave convive bem com todas as linguagens oriundas da sua comunidade e consideram legítimo o alcance que artistas do bregafunk, por exemplo, estão tomando, mas, ponderam: “Eu acho que a gente também não pode limitar o público, achar que eles só ouvem isso. Porque com a internet, a gente consegue acesso à música do mundo todo”, diz Honorato.

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A Polícia Civil investiga uma denúncia de um homem que diz que seu filho encontrou um rato morto em um saco de pipoca em Olinda, na Região Metropolitana do Recife (RMR). O menino de nove anos foi levado ao hospital, medicado e se encontra em observação.

Segundo a delegada Beatriz Gibson, o caso foi registrado na delegacia na última segunda-feira (24). Consta na denúncia que a criança participou de uma festa infantil no último dia 15 de setembro e, na ocasião, ganhou dois sacos de pipoca. 

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A criança abriu o saco de pipoca no domingo (23) e comeu metade do conteúdo até perceber que havia um rato. “Encaminhamos tudo para o Instituto de Criminalística e já está marcada a ouvida dos pais e de quem comprou a pipoca. A empresa também está identificada”, explicou a delegada. 

De acordo com a polícia, a Vigilância Sanitária fará uma inspeção na fábrica. O responsável pelo ocorrido pode pegar de dois a cinco anos de prisão pela lei das relações de consumo. 

 
Quando Chico Science fincou uma parabólica na lama do bairro de Peixinhos, na periferia da Região Metropolitana do Recife (RMR), ele não podia imaginar o quanto aquele gesto ecoaria através dos tempos e gerações. O manguebit, movimento musical iniciado por ele e por Fred Zeroquatro, da Mundo Livre S.A., foi responsável por levar o som e a cara dos bairros periféricos da RMR para os mais inimagináveis lugares do Brasil e do mundo.

Porém, mesmo antes do malungo Science - e depois ainda mais e, talvez, com maior estímulo - artistas originários dos bairros periféricos recifenses têm se empenhado para, através de suas vozes, contar e cantar sua realidade, tristezas e belezas, com o objetivo de imprimir na sociedade a sua identidade e fazer-se ouvir para além de seus limites geográficos e sociais.

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Em tempos  em que as frequências de rádio e TV têm privilegiado apenas um recorte específico dessa gama cultural - a música 'rebolativa', das 'novinhas' e MCs de tecnobrega e bregafunk, por exemplo, sejam eles mirins ou não -, o LeiaJá percorreu alguns bairros que margeiam o centro da capital pernambucana para descobrir quais são as outras vozes que compõem o cenário cultural das periferias. Acompanhe a série especial 'Vozes da Periferia', que vai ao ar desta terça (25) até o próximo domingo (30).

Com iniciativas independentes, como festivais por todos os cantos da cidade, encontramos artistas que, muitas vezes, ainda nem tocam nas rádios, mas certamente tocam suas comunidades e são tocados por ela.

O grupo de rap Aliados CP é um dos exemplos de artistas que formam a identidade cultural de sua periferia. 

Policiais militares da Companhia Independente de Policiamento do Meio Ambiente (CIPOMA) foram acionados, no último sábado (22), para resgatar uma cobra em uma residência, na terceira etapa do bairro de Rio Doce, em Olinda, Região Metropolitana do Recife.

Ao chegar no local da ocorrência, os PMs encontraram a jiboia de aproximadamente 1,5 metro. A equipe fez o resgate do animal e o levou para o Centro de Triagem de Animais Silvestres Tangará, onde será acompanhado por biólogos e veterinários e posteriormente devolvido ao seu habitat natural.

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Com informações da assessoria

Neste sábado (22), cães e gatos poderão ser adotados na Feira de Adoção Amor de Bicho, que será realizado no Shopping Patteo Olinda, situado na região de Casa Caiada, Olinda, Grande Recife. Os interessados deverão estar munidos de RG e comprovante de residência. A adoção só poderá ser feita por maiores de idade; todos passarão por uma entrevista.

Segundo informado pela Secretaria de Comunicação de Olinda, estarão disponíveis animais já castrados, vacinados e vermifugados. No caso de filhotes, o procedimento da castração ocorrerá através de uma parceria entre Prefeitura, ONG Amigos Pet e Clínicas veterinárias. Durante a feira, haverá sorteios de castração, consultas e exames veterinários.

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Vacinação

As pessoas que não vacinaram os animais no último Dia D da Campanha Nacional, no sábado (15.09), contra a raiva, podem aproveitar a Feira de Adoção Amor de Bicho, neste sábado (22), para imunizar cães e gatos.

No mesmo dia que o presidenciável Ciro Gomes (PDT) vem ao Recife, neste domingo (23), os apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva irão desfilar pelas ladeiras de Olinda. A concentração do bloco “Vem com Lula” será na Praça do Carmo, a partir das 15h. 

O Comitê da Juventude 13, que organizou o evento, destacou que o maior objetivo é pedir pela libertação do líder petista, que está preso desde o último dia 7 de abril. O secretário da Juventude do PT-PE, Pedro Henrique, ressaltou que os jovens não esqueceram Lula. “E está nas ruas defendendo o projeto que ele lidera e representa. Lula mudou definitivamente a vida da juventude brasileira com acesso ao emprego, à Universidade, e com mais direitos e oportunidades”. 

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Uma das coordenadoras nacional do Levante Popular da Juventude Rosa Karine Amorim explicou que a partir da música e da arte é possível dialogar com as pessoas e levar mensagens em prol de Lula. “Já que os golpistas persistem em manter Lula fora das eleições, nós afirmamos que Lula somos nós”, disse Amorim. 

A família de Benedito da Macuca respirou aliviada após o aparecimento do músico na tarde desta quarta (19). Ele havia desaparecido de casa desde a última terça (18) e, rapidamente, vários avisos foram divulgados como forma de somar esforços para encontrá-lo. 

Benedito da Macuca havia saído de sua residência, no Sìtio de Histórico de Olinda, na última terça (18), por volta das 12h, e não foi mais visto. A família divulgou cartazes na internet, pedindo ajuda aos amigos e fãs, e também oficializou um boletim de ocorrência na delegacia. A preocupação dos parentes do músico era pela condição de saúde do sanfoneiro, que precisa de remédios e está em tratamento de um edema pulmonar.

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Mas, a preocupação terminou, no início da noite desta quarta (19), quando Seu Benedito retornou, sozinho, para casa. Sua esposa, Anezia Gomes, falou com exclusividade ao LeiaJá sobre o marido: "Graças a Deus, ele já está de volta. Ele foi para o riacho, foi pescar, e disse que perdeu a noção do tempo. Mas ele já está em casa e está bem. Foi só um susto". Anezia também agradeceu à atenção dispensada ao músico ao longo de todo o dia, nas redes sociais. 

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A família do sanfoneiro Benedito da Macuca está buscando informações que ajudem a descobrir o seu paradeiro. De acordo com Andréia Gomes, enteada de Benedito, ele saiu de casa sozinho e sem dizer para onde ia por volta do meio-dia desta terça (18) e, desde então, não foi mais visto e nem há informações sobre onde ele possa estar. 

“Estamos esperando dar 24 horas para poder registrar o desaparecimento oficialmente na polícia”, explicou Andréia, que também destacou que Benedito, atualmente com 73 anos, costuma sair sozinho mas sempre avisa à esposa para onde está indo. Além disso, a enteada do artista explica que Benedito precisa tomar medicamentos diariamente, uma vez que é hipertenso, tem problemas cardíaco e está com um edema pulmonar. 

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Os apoiadores do candidato a Presidente da República pelo PSL Jair Bolsonaro, antes de saírem em carreata, na manhã deste domingo (16), em Olinda, não deixaram por menos momento de provocação aos opositores do capitão da reserva.  Concentrados em frente ao Centro de Convenções, os eleitores de Bolsonaro tentaram chamar atenção dos motoristas que passavam em busca de que também aderissem ao ato político. 

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Aos que apoiavam, os eleitores enalteciam o deputado federal o chamando de “mito”; no entanto a frase mais escutada foi “eu vim de graça”, em uma possível referência de que militantes de outros partidos recebem para apoiar seus candidatos. 

A auxiliar administrador Carla Andrea é uma das que reforçam a frase.  Ela afirmou que outros militantes apoiam candidatos em busca de alguma coisa em troca. “Mas aqui não. Eu vim de graça e todos os que estão aqui também porque Bolsonaro é o povo e não tem para ninguém”.  

Ela também afirmou que os opositores do parlamentar estão “desesperados” porque Bolsonaro já ganhou a eleição. “Não tem para ninguém não, por isso o desespero e o ataque a ele, o que foi um absurdo”.

A carreata está sendo realizada sem grandes tumultos e sem atrapalhar muito o trânsito, já que por ser domingo o fluxo de carro é menor. Os que participam do ato é diverso com jovens, pessoas mais idosas e até crianças.   

Na última sexta-feira (14), em mais uma pesquisa de intenção de votos divulgado pela Datafolha mostra o crescimento de Bolsonaro, apesar dele possuir uma alta rejeição. No levantamento, o deputado aparece com 26%; Ciro, 13%; Haddad, 13%; Alckmin, 9% e Marina, 8%.

Uma carreata em apoio ao candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) concentra expressivo número de eleitores e simpatizantes, neste domingo (16), na Região Metropolitana do Recife.  Uma extensa fila de carro se concentra nas mediações do Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda. 

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Com bandeiras do Brasil, vestidos de verde e amarelo, os apoiadores de Bolsonaro se estampam o rosto do candidato em blusas que também têm frases como “meu partido é o Brasil” e  “é melhor jáir se acostumando”. O usual gesto com os dedos - representando armas - que virou marca do candidato é replicado pelos eleitores.

Os motoristas dos carros que passam pela área onde se concentram os eleitores do deputado mostram reações diversas. Uma parte buzina, demonstra apoio, e outra critica o ato. Houve gritos de "Lula Livre".

Bolsonaro tinha previsão de vir ao Recife na semana passada, no entanto a agenda teve que ser desmarcada após o ataque que o candidato sofreu. Mesmo assim, muitos militantes se reuniram em frente ao comitê estadual do PSL, localizado no bairro de Boa Viagem, na zona sul do Recife. 

Há carros não só na avenida Agamenon Magalhães, mas também em vias adjacentes. Chama a atenção também a falta de policiamento ou até mesmo de agentes de trânsito para organizar possíveis atritos. Duas viaturas de polícia passaram pelo local, buzinaram em apoio, mas não pararam.

Representantes de grupos percussivos e maracatus se reuniram, na tarde desta sexta (14), com a Prefeitura de Olinda e a Polícia Militar para discutir as condições para realização dos seus ensaios, aos domingos, no Sìtio Histórico da cidade. O encontro aconteceu na Casa do Turista, no bairro do Carmo, e definiu algumas diretrizes para os eventos.

Para que possam ensaiar, os grupos deverão comunicar com 10 dias de antecedência, para os órgãos fiscais, a intenção de realizar o ensaio, com horário e local de preferência. Também ficou decidido que estes não devem ultrapassar o horário das 18h. Segundo o secretário de turismo de Olinda, João Luiz, "a intenção é proteger os moradores e os grupos percussivos". A diretora da Associação dos Maracatus de Olinda, Kátia Paz, representando os grupos, aprovou as decisões. 

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Também presente na reunião, o comandante da Companhia Independente de Apoio ao Turista, Major Saraiva, afirmou que o estabelecimento de um horário limite para os ensaios dos grupos contribuirá para a segurança dos moradores e visitantes do Sítio Histórico. "Os grupos de maracatu são tranquilos, mas outros que não tocam este estilo musical atraem um público mais agitado e acaba prejudicando todo mundo. Terminando às 18h, vamos conseguir inibir essas pessoas que só querem fazer confusão". 

*com informações da assessoria

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